A 60 km ao sul de Salvador, ilha no Nordeste de Morro de São Paulo guarda 678 metros de muralhas de 1630, cinco praias numeradas e regras próprias: só se chega de barco ou avião, e a bagagem roda em carrinho de mão.
A vila que nasceu para proteger a Baía de Todos os Santos
A Ilha de Tinharé já aparecia nos mapas portugueses desde 1531, quando foi avistada pelo navegador Martim Afonso de Souza. Por guardar a entrada da Baía de Todos os Santos, a ilha virou peça estratégica na defesa do Recôncavo Baiano.
Em 1624, holandeses comandados por Pieter Pieterzoon Hiyn usaram o Morro como base antes de atacar Salvador. Seis anos depois, o governador-geral Diogo Luís de Oliveira ordenou o início das obras da Fortaleza de Tapirandu, erguida com pedras e óleo de baleia, segundo registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O conjunto histórico que você atravessa ao desembarcar
Quem chega de barco passa literalmente por dentro da fortaleza. O Portaló, portal de pedra do século XVII, é a entrada oficial do vilarejo e faz parte do mesmo complexo militar tombado pelo IPHAN em 1938.
A fortaleza reúne trechos de muralha, o Forte da Conceição e o Novo Forte da Ponta, somando cerca de 678 metros de extensão. No alto, o Farol do Morro foi inaugurado em 1855 para orientar o acesso ao porto de Valença, e ainda funciona como um dos principais mirantes da ilha. A energia elétrica só chegou ao vilarejo em 1985, e as ruas de areia do centro ainda guardam o ritmo lento que resistiu à chegada do turismo.
Morro de São Paulo, na Bahia, é um dos destinos mais vibrantes e bonitos do litoral brasileiro, combinando tranquilidade, aventura e uma vida noturna agitada. O vídeo do canal Melhores Destinos oferece um guia completo sobre o que fazer nesta ilha paradisíaca:
Quais são as praias numeradas de Morro de São Paulo?
São cinco no total, ordenadas a partir do centro. Cada uma tem um perfil diferente, e a caminhada entre a Primeira e a Terceira leva poucos minutos.
- Primeira Praia: a menor e mais próxima da vila, reduto de esportes náuticos e ponto de chegada da tirolesa que desce do farol.
- Segunda Praia: o coração da ilha, com cerca de 380 metros de faixa de areia, mar raso protegido por recifes e a vida noturna mais animada.
- Terceira Praia: base das pousadas à beira-mar e ponto de saída dos passeios de barco para Boipeba e Garapuá.
- Quarta Praia: a mais extensa e silenciosa, com piscinas naturais na maré baixa e longos trechos desertos.
- Quinta Praia: também chamada de Praia do Encanto, é quase toda preservada dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Tinharé-Boipeba.
O que fazer além das praias numeradas?
A ilha cabe em poucos dias de passeios, mas quem quer ir além da faixa de areia encontra trilhas, mirantes e vilarejos vizinhos conectados por barco.
- Volta à Ilha: passeio de lancha de dia inteiro que passa pelas piscinas naturais de Garapuá e Moreré, na Ilha de Boipeba, com parada em Cairu para visita ao Convento de Santo Antônio.
- Tirolesa do Farol: percurso que liga o alto do morro à Primeira Praia, com pouso direto no mar.
- Trilha da Gamboa: caminhada pela costa até um paredão de argila medicinal onde visitantes tomam banho de lama, com volta de barco quando a maré sobe.
- Pôr do sol na Toca do Morcego: mirante natural virado para o mar aberto, com música lounge no fim de tarde.
A mesa que mistura dendê e frutos do mar
A culinária segue o receituário baiano, com peixes frescos chegando direto das lanchas dos pescadores de Cairu. Os melhores endereços ficam espalhados pela Segunda Praia e pela rua principal do vilarejo.
- Moqueca baiana: peixe ou frutos do mar cozidos no azeite de dendê, leite de coco e pimenta, servida no prato de barro.
- Bobó de camarão: creme de mandioca com camarões refogados no dendê.
- Acarajé: bolinho de massa de feijão-fradinho frito no dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão seco.
- Peixe grelhado com banana da terra: opção mais leve, comum nos barracos de praia da Segunda e Terceira Praia.
Quando é a melhor época para visitar a ilha?
O clima é tropical úmido, com calor o ano inteiro e uma temporada mais chuvosa entre abril e junho. A alta ocorre no verão e nos feriados, com os picos no Réveillon e no Carnaval.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Ilha de Tinharé?
O trajeto mais comum parte do Terminal Náutico da Bahia, em Salvador, com travessia de catamarã de cerca de 2h30. Outra opção é o trajeto semiterrestre: ferry até Bom Despacho, em Itaparica, e depois van até Valença, onde uma lancha rápida faz os últimos 20 minutos até o píer. Quem prefere rapidez pode voar em táxi aéreo ou pegar um avião regional até o Aeroporto de Valença. Na ilha, deslocamentos maiores são feitos a pé, de trator adaptado (o famoso Besouro) ou barco-táxi.
Desembarque na ilha onde o tempo anda mais devagar
Poucos lugares no Brasil conseguem juntar uma fortaleza de quase 400 anos, cinco praias de mar calmo e um vilarejo onde os carros nunca entraram. Morro de São Paulo segue o ritmo da maré, das trilhas de areia e dos carrinhos de mão que atravessam o centro carregando bagagem.
Você precisa passar alguns dias na Ilha de Tinharé e entender por que tantos viajantes chegam pensando em ficar só um fim de semana e acabam estendendo a viagem.