A 25 km do centro de Florianópolis, escondida entre Jurerê Internacional e a Praia da Daniela, a Praia do Forte recebe quem chega por uma estrada estreita e íngreme. Mar calmo, areia clara e restaurantes com mesas na beira d’água formam o cenário de um dos trechos mais tranquilos do norte da Ilha de Santa Catarina.
Uma fortaleza que deu nome à praia e quase virou ruína
O nome oficial é Praia da Ponta Grossa, mas ninguém a chama assim. A referência é a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, erguida a partir de 1740 pelo brigadeiro José da Silva Paes, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina. A construção fazia parte de um triângulo defensivo com as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, projetado para barrar invasões pela Baía Norte.
Em 1777, quando a coroa espanhola atacou a ilha, a guarnição se retirou sem combate real. Abandonada no século XIX, a fortaleza virou ruína até ser tombada pelo IPHAN em 1938, tornando-se um dos primeiros bens protegidos do país. A restauração completa veio décadas depois, com investimento de quase R$ 7 milhões e gestão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O que visitar na Praia do Forte e arredores?
A praia tem pouco mais de 1 km de extensão, mas concentra atrações que ocupam um dia inteiro. O mar raso permite caminhar dezenas de metros com água na altura do joelho, o que a torna ideal para famílias com crianças.
- Fortaleza de São José da Ponta Grossa: muralhas, Casa do Comandante e a Capela de São José, a única edificação do sistema defensivo da ilha que mantém sua função original. Funciona de terça a domingo.
- Bateria de São Caetano: complemento da fortaleza, a 200 m do conjunto principal, com canhões voltados para o mar e vista aberta da baía.
- Trilha até a Praia da Daniela: na maré baixa, é possível atravessar as pedras que separam as duas praias e caminhar pela faixa de areia até a vizinha.
- Passeio de escuna até Anhatomirim: embarcações partem de Jurerê e Canasvieiras rumo à maior fortaleza do sistema defensivo, na ilha de Anhatomirim.
- Pôr do sol no mirante da fortaleza: a posição voltada para oeste garante um dos finais de tarde mais bonitos de Florianópolis, com vista para os morros de Governador Celso Ramos.
A Praia do Forte, em Florianópolis, une história colonial a águas calmas e infraestrutura completa. O vídeo é do canal 2 Nômades pelo mundo, que apresenta o destino detalhando preços de restaurantes, aluguel de cadeiras e a importante Fortaleza de São José da Ponta Grossa:
Frutos do mar servidos com os pés na areia
Sem hotéis e com pouca urbanização, a Praia do Forte compensa na mesa. Os restaurantes funcionam em estruturas simples, com cadeiras diretamente na areia e cardápio baseado no que chega do mar naquele dia.
- Ostras frescas: cultivadas na região norte da ilha, chegam aos pratos minutos depois da colheita. Florianópolis responde por grande parte da produção nacional de ostras.
- Camarão e peixe grelhado: preparados no estilo catarinense, com acompanhamento de pirão e farofa.
- Sequência de frutos do mar: prato coletivo comum nos restaurantes pé-na-areia, com porções generosas de lula, marisco e camarão.
Quando ir para aproveitar a praia e a fortaleza?
Florianópolis tem estações bem definidas. O verão é quente e chuvoso, com tardes de temporal rápido. O inverno traz manhãs frias, mas dias secos e céu limpo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Praia do Forte saindo do centro de Floripa?
O acesso é pela SC-401 em direção ao norte da ilha. No km 13, siga as placas para Jurerê Internacional e depois para a Praia do Forte. São cerca de 25 km, percorridos em 40 minutos. De ônibus, as linhas que partem do Terminal Integrado do Centro (TICEN) para Jurerê deixam o visitante a poucos minutos de caminhada. Na alta temporada, chegue cedo: as vagas de estacionamento na rua são limitadas.
Uma praia que merece mais do que um dia
A Praia do Forte reúne o que Florianópolis faz de melhor sem o agito das praias mais famosas: mar calmo, história real nas muralhas e frutos do mar frescos servidos com simplicidade. A comunidade que vive ali descende dos primeiros moradores ligados à construção da fortaleza no século XVIII, e esse vínculo se percebe no ritmo do lugar.
Você precisa descer aquela estrada estreita e sentir a Praia do Forte por conta própria, de preferência no fim da tarde, quando o sol mergulha atrás dos morros do continente.