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O deserto brasileiro com águas mágicas que desafiam a gravidade, dunas gigantes e cachoeiras cristalinas

Por Maura Pereira
04/mar/2026
Em Geral
O deserto brasileiro com águas mágicas que desafiam a gravidade, dunas gigantes e cachoeiras cristalinas

Os fervedouros são nascentes subterrâneas onde a pressão da água que jorra do fundo impede qualquer corpo de submergir. / Imagem ilustrativa

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No meio do Tocantins, a cerca de 300 km de Palmas, existe um deserto brasileiro onde a água brota do chão com tanta pressão que o corpo humano simplesmente não afunda. O Jalapão é um território de 34 mil km² de cerrado preservado, com dunas alaranjadas, rios de água potável e comunidades quilombolas que transformam capim dourado em arte. Quem chega por estradas de terra e areia descobre um dos últimos cenários quase intocados do Brasil.

De onde vem a água que não deixa afundar?

Os fervedouros são nascentes subterrâneas onde a pressão da água que jorra do fundo impede qualquer corpo de submergir. A sensação lembra flutuar em uma piscina de borda infinita cercada por buritis. O fenômeno acontece em diferentes pontos da região, e pelo menos oito fervedouros estão abertos à visitação.

O Fervedouro Bela Vista, em São Félix do Tocantins, é considerado o mais bonito. O Fervedouro do Ceiça foi o primeiro a receber turistas e segue entre os mais visitados. Cada um tem cor, tamanho e intensidade de pressão diferentes, o que justifica conhecer mais de um durante a viagem.

O paraíso brasileiro onde a areia dourada e águas cristalinas se encontram em um mesmo cenário
Jalapão oferece Fervedouro do Sussu, Cachoeira da Velha, Prainha do Rio Novo e Morro da Pedra para ecoturismo acessível. // Créditos: Wikipédia

Quais atrações não podem ficar fora do roteiro?

O Jalapão é imenso e exige planejamento. A maioria dos atrativos fica em áreas particulares ou dentro do Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 e gerido pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). O parque tem cerca de 159 mil hectares concentrados no município de Mateiros.

  • Dunas do Jalapão: cartão-postal da região, com até 40 m de altura. Formadas pela erosão da Serra do Espírito Santo, as areias alaranjadas ganham tons intensos ao pôr do sol. O acesso só é permitido com guia.
  • Cachoeira da Velha: a maior do parque, com 100 m de extensão e 15 m de queda. O banho não é permitido por causa da força da água, mas a vista da plataforma compensa.
  • Cachoeira do Formiga: poço de água verde-esmeralda, cercado por vegetação nativa. É uma das mais fotografadas do Tocantins e permite banho.
  • Prainha do Rio Novo: faixa de areia branca às margens do rio de água cristalina. Parada obrigatória após a visita à Cachoeira da Velha.
  • Pedra Furada: formação rochosa com um arco esculpido pelo vento ao longo de milênios. O pôr do sol visto dali é um dos mais bonitos da região.
  • Cânion Sussuapara: fenda de 25 m de profundidade com pequena cachoeira no interior, a 15 km de Ponte Alta do Tocantins.

Capim dourado e quilombos: a cultura que brilha no cerrado

O capim dourado é uma planta nativa do Jalapão cujas hastes ganham um brilho metálico quando secas. A comunidade quilombola da Mumbuca, a 35 km de Mateiros, foi a primeira a desenvolver o artesanato com a fibra, costurada com seda de buriti. Bolsas, brincos, mandalas e chapéus produzidos ali ganharam mercados no Brasil inteiro.

O Naturatins regulamenta a colheita do capim para garantir a sustentabilidade. A extração só é permitida a partir de setembro, quando as sementes já caíram e a planta pode se reproduzir. Visitar a Mumbuca é entender como turismo, tradição e preservação convivem no mesmo território.

O Jalapão é um dos destinos mais selvagens e surpreendentes do Brasil, famoso por seus fervedouros de águas cristalinas onde é impossível afundar. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 73 mil inscritos, e detalha um roteiro de cinco dias visitando a Lagoa do Japonês, a Cachoeira do Formiga e as dunas alaranjadas:

Quando ir ao Jalapão e o que esperar do clima?

O Jalapão pode ser visitado o ano inteiro, mas a estação seca é a mais indicada. No período chuvoso, estradas de terra ficam intransitáveis e a visibilidade das águas diminui.

VERÃO
DEZ – FEV
22-34°C
Chuva alta. Época de ver as cachoeiras com volume máximo e força total.
OUTONO
MAR – MAI
20-33°C
Chuva média. Fase de transição onde as estradas melhoram significativamente.
INVERNO
JUN – AGO
15-32°C
Chuva baixa. Janela perfeita para curtir os fervedouros cristalinos.
PRIMAVERA
SET – NOV
22-36°C
Chuva média. Colheita do capim dourado e o visual icônico das dunas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. A amplitude térmica pode ser grande: noites frescas e tardes quentes.

O paraíso brasileiro onde a areia dourada e águas cristalinas se encontram em um mesmo cenário
Caminhe fácil pelas dunas do Jalapão, nade no Fervedouro do Ceiça e relaxe em veredas com palmeiras buriti no cerrado. // Créditos: depositphotos.com / pedromoraesphotos

Como chegar ao Jalapão saindo de Palmas?

O acesso principal parte de Palmas pela TO-050 até Porto Nacional (60 km de asfalto), seguindo pela TO-255 até Ponte Alta do Tocantins (135 km de asfalto) e de lá por 165 km de estrada de terra até Mateiros. Todo o percurso exige veículo 4×4. A alternativa é voar até Palmas e contratar uma agência que opere o circuito completo, com transporte, guia, hospedagem e refeições inclusos. O roteiro mais comum dura de 4 a 6 dias.

A infraestrutura é simples. Pousadas em Mateiros, Ponte Alta e São Félix oferecem o básico. Não há sinal de celular em boa parte do trajeto. Quem vai ao Jalapão precisa aceitar o ritmo do cerrado.

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Deixe o Jalapão entrar no seu roteiro e no seu coração

O Jalapão é o tipo de lugar que muda a referência de quem viaja pelo Brasil. Dunas no meio do cerrado, água que não deixa o corpo afundar, artesanato que brilha como ouro e comunidades que preservam tradições centenárias. Tudo isso a céu aberto, longe do asfalto e do sinal de celular.

Programe ao menos cinco dias, escolha a estação seca e vá conhecer o deserto de águas mais surpreendente do país.

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