O ministro do STF André Mendonça decidiu nesta quarta (18/3) prorrogar por 60 dias o inquérito da Polícia Federal que investiga fraudes financeiras envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, garantindo mais tempo para perícias essenciais.
Por que o inquérito do Banco Master foi prorrogado?
O pedido de prorrogação veio da Polícia Federal diante da necessidade de concluir diligências consideradas fundamentais. Mendonça destacou que as ações são imprescindíveis para esclarecer todos os fatos relacionados às fraudes.
A decisão foi formalizada com a justificativa: “Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais 60 dias”, garantindo mais tempo para análise de provas complexas.
Quais provas ainda precisam ser analisadas no caso Banco Master?
O inquérito ainda conta com diversos materiais que precisam passar por perícia detalhada. Entre eles estão oito celulares de Vorcaro apreendidos em duas fases da operação Compliance Zero, sendo que até agora apenas um aparelho foi periciado.
Além disso, mais de 100 dispositivos e computadores de outros envolvidos foram recolhidos, junto com documentos e arquivos que podem comprovar o esquema de fraude e a participação de autoridades.
Como a Polícia Federal reage à pressão externa?
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, comentou que a corporação pode estar sofrendo pressões pelo avanço das investigações, mas reafirmou o compromisso com a apuração completa.
“Nós vamos investigar e fazer o nosso trabalho até o fim. Nós não vamos ser intimidados por ninguém, por quem quer que seja”, afirmou Rodrigues em evento da Febraban, garantindo independência da PF.
Como a CPMI do INSS se envolveu no caso?
A prorrogação ocorre logo após Mendonça bloquear o acesso da CPMI do INSS a dados pessoais de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. O material vazou para a imprensa, incluindo conversas com a ex-namorada Martha Graeff, em que ele relata encontros com autoridades.
O ministro determinou que apenas informações sobre fraudes financeiras permanecessem à disposição da comissão, evitando riscos de comprometimento das provas. O senador Carlos Viana alertou para os impactos do vazamento na investigação:
- A Polícia Legislativa vai apurar o acesso de assessores da CPMI à sala-cofre.
- Investigará também os vazamentos que podem favorecer a defesa de Vorcaro.
- O objetivo é preservar a integridade do inquérito e garantir provas válidas no processo.
Quais crimes e fraudes estão sendo investigados?
Inicialmente, a PF investigava a venda de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), que totalizou R$ 12 bilhões. No entanto, o caso revelou um esquema mais amplo envolvendo outras instituições e a criação de uma “milícia privada” contra desafetos de Vorcaro.
Também foram identificados dois servidores do Banco Central que vazavam informações sigilosas em troca de propina. Vorcaro foi detido pela segunda vez e levado à Penitenciária Federal de Brasília, onde negocia possível delação premiada.