Do primeiro censo, em 1940, com 14.985 habitantes, até o último, em 2022, com 243.367, a população de Dourados saltou quase 2.000%. A terra roxa que atraiu gaúchos, paranaenses e paulistas nas décadas de 1950 e 1960 ainda colore os canteiros e os pés de quem caminha pelos parques no fim da tarde. No interior de Mato Grosso do Sul, a segunda maior cidade do estado combina agronegócio de alta tecnologia, qualidade de vida, duas universidades públicas e o hábito de tomar tereré na calçada.
Da colônia militar ao celeiro de grãos do Centro-Oeste
A região era território dos povos Guarani, Kaiowá e Terena muito antes da chegada dos colonizadores. Em 1861, o tenente Antônio João Ribeiro comandava uma colônia militar às margens do rio que batizou a cidade. O município foi criado oficialmente em 1935, desmembrado de Ponta Porã. O impulso decisivo veio com a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), criada por Getúlio Vargas em 1943 dentro da política da Marcha para o Oeste. A colônia ocupava 409 mil hectares e atraiu levas de migrantes de todo o Brasil, incluindo imigrantes japoneses.
Nas décadas seguintes, a chegada de agricultores do sul introduziu a lavoura tecnificada e elevou a área plantada de 3.500 para 134 mil hectares. Dourados se consolidou como centro regional e, curiosamente, em 1960 chegou a ser o município mais populoso de todo o antigo Mato Grosso, superando Campo Grande e Cuiabá.
Qualidade de vida na maior cidade do interior sul-mato-grossense?
Sim. O IDH de 0,747, o 3º maior de Mato Grosso do Sul, sustenta-se em bons indicadores de educação e renda. A estimativa populacional do IBGE para 2025 aponta 264 mil habitantes. O PIB ultrapassa R$ 7 bilhões, o terceiro do estado, impulsionado pela cadeia do agronegócio, comércio e serviços.
A presença de duas universidades públicas, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), além da Unigran e do IFMS, atrai estudantes de todo o país. A UFGD nasceu em 2005 do desmembramento de um campus da UFMS que funcionava na cidade desde 1971. Hospitais como o Hospital da Vida e o Hospital Universitário da UFGD atendem pacientes de dezenas de cidades e até do lado paraguaio da fronteira, a 120 km.
A maior cidade do interior do Mato Grosso do Sul é um vibrante polo universitário e um gigante do agronegócio, destacando-se como o maior produtor de milho e feijão do estado. O vídeo é do canal Cidades do Interior, referência com mais de 60 mil inscritos, e apresenta o Shopping Avenida Center, a força da UFGD e áreas de lazer como o Parque Antenor Martins:
Quais bairros escolher para morar na terra roxa?
Dourados se espalha por mais de 4 mil km², com taxa de urbanização de 92%. O centro concentra comércio e serviços, enquanto bairros mais novos crescem com planejamento e áreas verdes.
- Jardim dos Estados e Vila Progresso: bairros consolidados próximos ao centro, com comércio forte e fácil acesso à Avenida Marcelino Pires, principal corredor da cidade.
- Parque Alvorada: residencial e arborizado, valorizado pela proximidade com a UFGD e o Hospital Universitário.
- Jardim Água Boa: em expansão, com novos empreendimentos e acesso rápido à região oeste.
- Centro: vida comercial intensa, Praça Antônio João ao lado da Catedral Imaculada Conceição, feiras e serviços a pé.
- Região do Parque dos Ipês: entorno do principal parque urbano, com pista de caminhada, Teatro Municipal e biblioteca.
O custo de vida é competitivo em relação a Campo Grande. O mercado imobiliário acompanha o crescimento populacional, que registrou avanço de 7% na última estimativa do IBGE.
Tereré no parque e figueiras centenárias na avenida
Os parques são o coração da vida social. Ao fim da tarde, famílias se espalham pelos gramados com cuias de tereré e crianças nas quadras.
- Parque dos Ipês: principal área verde, com pista de caminhada, teatro, biblioteca e feiras culturais às terças e sextas.
- Parque Antenor Martins (Parque do Lago): lago com campeonatos de pesca, quadras esportivas e amplo gramado na região oeste.
- Figueiras da Avenida Presidente Vargas: árvores centenárias tombadas como patrimônio histórico pelo Decreto Municipal nº 75/1985. Formam um túnel verde que virou símbolo da identidade urbana.
Soja no campo e sobá na mesa: a mistura douradense
A culinária reflete a diversidade de quem chegou. A imigração japonesa trouxe o sobá, macarrão frio típico de Okinawa, que se tornou prato identitário. Churrasco gaúcho, mandioca em todas as formas e peixes de rio completam a mesa. O tereré, bebida gelada à base de erva-mate, é ritual diário compartilhado entre vizinhos, colegas e desconhecidos.
Quando o clima favorece cada atividade na região?
O clima é tropical com estação seca, verões quentes e invernos amenos. A altitude de 430 m suaviza as temperaturas em relação ao restante do estado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme frentes frias no inverno.
Como chegar à capital regional do sul do estado?
Dourados fica a 198 km de Campo Grande pela BR-163, cerca de 3h30 de carro. O Aeroporto Municipal recebe voos regulares da capital. A BR-463 conecta a cidade a Ponta Porã e à fronteira com o Paraguai (120 km). O terminal rodoviário liga Dourados a destinos em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
A terra roxa que não para de crescer
Dourados combina a estrutura de uma cidade média com o ritmo de quem ainda toma tereré na calçada e conhece o vizinho pelo nome. As figueiras centenárias da avenida, as salas da UFGD e os silos de soja no horizonte contam a mesma história: a de um lugar que recebeu gente de todo o Brasil e transformou terra vermelha em oportunidade.
Você precisa caminhar sob o túnel verde da Avenida Presidente Vargas e entender por que tanta gente escolhe Dourados para ficar.