O cheiro de pinhão assado e o frio fino da serra recebem quem sobe a RS-235 até Canela. A cidade gaúcha cresceu entre araucárias e rochas basálticas, e guarda uma das paisagens mais completas do sul do Brasil, além de uma curiosa e bela catedral de pedra.
Por que a cidade se chama Canela?
A resposta está nas matas que os primeiros colonos encontraram ao chegar à serra. A canela-preta (Ocotea catharinensis), árvore nativa da Mata Atlântica e abundante na região, deu nome ao lugar antes mesmo de existir qualquer núcleo urbano. Os primeiros europeus se instalaram por aqui a partir de meados do século XIX, atraídos pelo clima ameno e pela fertilidade do solo. Em 1944, o município se desmembrou de Gramado e ganhou autonomia.
A herança alemã e italiana moldou a arquitetura de casas em enxaimel, os cafés coloniais, as vinícolas e as festas da cidade. Esse passado é visível em cada rua do centro histórico.
A catedral que levou 34 anos para ficar pronta
O cartão-postal urbano de Canela começou a ser erguido em 1953 e só foi concluído em 1987. A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, conhecida como Catedral de Pedra, foi revestida com pedra basalto extraída da própria região e projetada em estilo neogótico inglês pelo arquiteto Bernardo Sartori. Sua torre alcança 65 metros de altura.
Os 12 sinos de bronze do Carrilhão da Independência foram fabricados pela fundição Giácomo Crespi, na Itália, e instalados em 1972. Cada sino leva o nome de uma personalidade da história brasileira. Em 2010, o templo foi eleito uma das Sete Maravilhas do Brasil. À noite, um show de luzes coloridas ilumina a fachada e transforma a praça central no ponto de encontro da cidade.
Canela oferece uma experiência mais autêntica e residencial na Serra Gaúcha, sendo frequentemente escolhida por quem busca um ritmo de vida mais real em comparação à vizinha Gramado. O vídeo é do canal Dias por aí, que apresenta as ruas, a arquitetura e o clima da cidade sob uma neblina típica da região:
O que visitar na capital das araucárias?
Canela equilibra natureza preservada, parques temáticos e museus curiosos em poucos quilômetros. O centro histórico é ponto de partida, mas as melhores experiências ficam na estrada.
- Parque Estadual do Caracol: 100 hectares de Mata Atlântica a 7 km do centro, onde a Cascata do Caracol despenca 131 metros por rochas basálticas. Eleito o segundo ponto turístico mais visitado da Região Sul. Trilhas, observatório ecológico com vista de 360° e passeio de trem completam o roteiro. Site oficial: parquecaracol.com.br
- Skyglass Canela: plataforma de vidro e aço que avança 35 metros sobre o Vale da Ferradura, a 360 metros acima do Rio Caí. O Abusado, circuito em monotrilho com cadeiras suspensas, é a atração ao lado para quem quer adrenalina extra.
- Castelinho Caracol: casa construída entre 1913 e 1915 inteiramente em madeira araucária, sem um único prego de metal. Hoje funciona como museu e casa de chá famosa pelo apfelstrudel.
- Parque Terra Mágica Florybal: parque temático da fábrica de chocolates Florybal com mais de 40 atrações, trilhas na mata, dinossauros animatrônicos e loja de chocolates. Ideal para famílias com crianças.
- Alpen Park: parque de aventura com trenó em pista de 600 m, tirolesa, arvorismo, quadriciclo e cinema 4D em área verde a céu aberto.
- Vinícola Jolimont: tour com degustação de vinhos e espumantes cultivados na serra, a poucos minutos do centro histórico.
O sabor da serra vem do fondue e do café colonial
A gastronomia de Canela carrega quatro gerações de imigrantes alemães e italianos. O frio da serra ajuda: nenhum prato combina melhor com a neblina do que uma mesa farta ou uma panela borbulhante de fondue.
- Café colonial: mesa com cucas, schmiers (geleias artesanais), waffles, pães coloniais, embutidos e queijos. Tradição herdada dos imigrantes alemães, servida em cafés do centro e arredores.
- Fondue: de queijo, carne ou chocolate, presente em dezenas de restaurantes. No inverno, é quase unanimidade entre os visitantes da serra.
- Apfelstrudel: massa folhada recheada com maçã e canela, especialidade do Castelinho Caracol e de cafeterias da cidade.
- Chocolate artesanal: fábricas e ateliês espalhados pela cidade produzem tabletes, trufas e bombons com cacau de origem controlada. A Florybal é a mais conhecida, mas há diversas pequenas chocolaterias no centro.
- Pinhão assado: semente da araucária, colhida entre abril e julho e vendida nas ruas e feiras. É o petisco obrigatório do inverno gaúcho.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Canela tem quatro estações bem definidas. O inverno com geada e eventual neve é a principal atração para muitos visitantes, mas cada época oferece experiências diferentes.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Geadas são comuns no inverno e neve ocorre ocasionalmente em julho.
Como chegar à Serra Gaúcha saindo de Porto Alegre?
Canela fica a cerca de 115 km de Porto Alegre, com acesso principal pela BR-116 até Nova Petrópolis e depois pela RS-235, trajeto de aproximadamente 1h45 de carro. Ônibus da empresa Citral partem diariamente da rodoviária da capital e do Aeroporto Salgado Filho para a serra. O aeroporto mais próximo fica em Caxias do Sul, a cerca de 80 km.
Canela espera por você em qualquer estação
A cidade das araucárias combina natureza de dar fôlego, uma catedral construída geração a geração e uma gastronomia que aquece corpo e memória. Cada estação revela um ângulo diferente da serra: o verde intenso do verão, a neblina do outono, a eventual neve do inverno e as flores da primavera.
Você precisa subir a serra e sentir Canela de perto, descobrindo por conta própria por que a cidade transforma visitante em frequentador.