Nos anos 1940, Campina Grande era a segunda maior exportadora de algodão do mundo, atrás apenas de Liverpool, daí vem seu apelido de “Liverpool Brasileira”. Hoje, a Rainha da Borborema, no agreste da Paraíba, troca fardos por linhas de código: a cidade é considerada um dos maiores centros tecnológicos da América Latina pela revista Newsweek e possui a maior proporção de doutores por habitante do país, 1 para cada 590 pessoas.
De pouso de tropeiros a capital do forró e da tecnologia
A história começou como aldeamento indígena e pouso de tropeiros que conduziam gado entre o litoral e o sertão. Em 1864, o povoado foi elevado a cidade. O algodão, chamado de “ouro branco”, transformou Campina Grande no motor econômico da Paraíba nas primeiras décadas do século XX, com crescimento populacional de 650% entre 1907 e 1939, conforme a Prefeitura de Campina Grande.
Em 1967, a cidade recebeu o primeiro computador de toda a Região Nordeste. A vocação tecnológica se consolidou com a chegada da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que formam engenheiros e desenvolvedores para empresas de software nacionais e internacionais. A Feira Central, reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil, ocupa cerca de 75 mil metros quadrados e mantém viva a tradição comercial que deu origem ao município.
Como é morar na Rainha da Borborema?
Campina Grande reúne cerca de 441 mil habitantes, segundo o IBGE (Censo 2024), e é a segunda maior cidade da Paraíba. A altitude de 551 metros no Planalto da Borborema garante noites frescas e ventosas, diferencial raro no Nordeste.
O custo de vida é mais baixo que o das capitais nordestinas. São 21 universidades e faculdades na cidade, três delas públicas. O Instituto Nacional do Semiárido também tem sede aqui. Bairros como Catolé, Prata e Centro oferecem boa infraestrutura. Campina Grande já apareceu no ranking da revista Você S/A como uma das 100 melhores cidades para trabalhar e fazer carreira no Brasil, única do interior entre as capitais escolhidas.
O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com cerca de 175 mil inscritos, e destaca o título de “Vale do Silício Brasileiro”, o Açude Velho e o famoso “Maior São João do Mundo”:
O que fazer entre forró e museus?
O calendário cultural é movimentado o ano inteiro, com São João em junho, Festival de Inverno entre julho e agosto, e Encontro da Nova Consciência durante o Carnaval.
- Parque do Povo: 42 mil metros quadrados que abrigam o Maior São João do Mundo durante 30 dias em junho. Palcos, quadrilhas, comidas típicas e shows de artistas nacionais atraem mais de 2 milhões de visitantes por ano.
- Açude Velho: lagoa artificial do século XIX, cartão-postal da cidade, cercada por calçadão arborizado, quiosques e quadras esportivas.
- Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP): obra de Oscar Niemeyer que parece flutuar sobre as águas do açude. Conhecido como “Museu dos Três Pandeiros”.
- Vila do Artesão: dezenas de chalés que vendem artesanato em couro, madeira e algodão colorido.
- Museu do Algodão: instalado na antiga estação ferroviária, conta a história do ciclo econômico que moldou a cidade.
Carne de sol, milho e queijo coalho
A gastronomia campinense celebra a fartura do agreste. Os restaurantes do centro e das imediações do Açude Velho servem pratos que alimentam tanto o corpo quanto a identidade local.
- Carne de sol com macaxeira: servida frita ou na brasa, acompanhada de queijo coalho, feijão verde e manteiga da terra. Prato de resistência da cidade.
- Rubacão: mistura de arroz, feijão, queijo coalho, carne de sol e nata, típico do agreste paraibano.
- Milho em todas as formas: canjica, pamonha, cural, bolo e pipoca ganham protagonismo no São João e nas feiras durante todo o ano.
- Buchada e sarapatel: pratos tradicionais servidos nos mercados e restaurantes regionais.
Quando o Planalto da Borborema está mais agradável?
O clima tropical semiárido é amenizado pela altitude. Noites frescas e ventosas são marca registrada da cidade, especialmente entre junho e agosto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao coração do agreste?
Campina Grande fica a 128 km de João Pessoa pela BR-230, cerca de 2h de carro. A cidade está no cruzamento entre a BR-230 e a BR-104, com acesso rodoviário a Recife (190 km) e Natal (250 km). Ônibus partem com frequência das três capitais. O Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos regionais e fretados.
Onde o algodão virou código e o forró virou recorde
Campina Grande trocou os fardos de algodão por startups e laboratórios de pesquisa sem perder o forró, a carne de sol e a alma de feira livre. A Rainha da Borborema é prova de que tradição e inovação não se excluem, elas dançam juntas em junho no Parque do Povo.
Você precisa dançar um forró no São João, comer rubacão no Mercado Central e sentir a brisa fresca do planalto para entender por que essa cidade do agreste paraibano sempre esteve à frente do seu tempo.