No topo do Planalto da Borborema, a 551 m de altitude, o calor do sertão dá lugar a noites frescas e ao som de sanfona. Campina Grande já foi a segunda maior exportadora de algodão do planeta e ganhou o apelido de Liverpool Brasileira. Hoje, a Rainha da Borborema atrai visitantes com o maior São João do mundo, uma feira secular e gastronomia de raiz.
De entreposto de tropeiros à Liverpool Brasileira
Campina Grande nasceu como ponto de descanso entre o litoral e o sertão da Paraíba. Tropeiros paravam ali para trocar mercadorias, e esse hábito moldou a cidade-feira que existe até hoje. Na primeira metade do século XX, o algodão transformou o vilarejo em potência comercial. A fibra chegava de municípios vizinhos, era beneficiada na cidade e seguia de trem até o porto de Recife.
Na década de 1940, o volume exportado só ficava atrás de Liverpool, na Inglaterra. O apelido pegou e permanece. O algodão fez a população saltar de 20 mil para 130 mil habitantes em pouco mais de três décadas. Ruas foram alargadas, bancos se instalaram e Campina passou a arrecadar mais do que a própria capital do estado.
O que visitar na Rainha da Borborema?
A cidade mistura memória do algodão, arte popular e espaços revitalizados. Boa parte das atrações fica a poucos minutos do centro, o que facilita o roteiro a pé.
- Feira Central: cerca de 75 mil m² de ervas, carnes, queijos, rapadura, artesanato e cordel. Reconhecida em 2017 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
- Açude Velho: cartão-postal da cidade, com calçadão, esculturas e vista para o monumento Os Pioneiros da Borborema, que homenageia o índio, a catadora de algodão e o tropeiro.
- Vila do Artesão: complexo com 77 lojas onde mais de 300 artesãos vendem cerâmica, renda e peças em couro.
- Museu do Algodão: instalado na antiga estação ferroviária, conta a história do ciclo econômico que deu fama internacional à cidade.
- Parque do Povo: quartel-general do forró durante o São João, com cerca de 40 mil m² que se expandem a quase 80 mil m² quando integrados ao Parque Evaldo Cruz.
Campina Grande destaca-se como um vibrante polo tecnológico e industrial, sendo eleita uma das melhores cidades do Nordeste. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 73 mil inscritos, e apresenta detalhes sobre a economia local, infraestrutura de saúde, educação superior e o famoso Maior São João do Mundo:
Quando o São João transforma a cidade inteira?
O Maior São João do Mundo acontece entre o fim de maio e o início de julho, ao longo de 38 dias. Em 2025, a festa recebeu 3,2 milhões de visitantes e movimentou mais de R$ 742 milhões na economia local, segundo dados da Prefeitura de Campina Grande. A programação reúne mais de 500 apresentações, entre shows no palco principal, quadrilhas juninas e ilhas de forró espalhadas pelo Parque do Povo.
Fora de junho, Campina Grande mantém agenda movimentada. O MotoFest e a Feira do Empreendedor ocupam o novo Centro de Convenções. Os distritos de Galante e Catolé de Boa Vista estendem a programação junina para quem busca festas menores e mais tradicionais.
Que sabores o Agreste coloca na mesa?
A cozinha campinense carrega tempero sertanejo e ingredientes do Agreste. Boa parte dos pratos pode ser encontrada na própria Feira Central, onde barracas servem café da manhã e almoço a preço acessível.
- Carne de sol com macaxeira: servida frita ou na brasa, acompanhada de queijo coalho, feijão verde e manteiga da terra.
- Buchada e sarapatel: receitas de miúdos preparadas em cozimento lento, herança da tradição sertaneja.
- Milho assado e canjica: presentes o ano inteiro, mas protagonistas durante o São João.
- Queijo de coalho e rapadura: combinação clássica do Agreste, vendida em praticamente toda esquina da Feira.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude de 551 m garante temperaturas mais amenas do que as do litoral paraibano. O período seco entre setembro e dezembro favorece passeios ao ar livre, enquanto junho é o mês mais disputado por causa do São João.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao coração do Agreste?
O Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos de capitais brasileiras e funciona como hub regional da Azul Linhas Aéreas. De João Pessoa, são cerca de 128 km pela BR-230, aproximadamente 1h40 de carro. De Recife, a distância é de 200 km pela BR-104. Ônibus interestaduais partem diariamente da rodoviária para as principais capitais do Nordeste.
Suba a Borborema e sinta o forró de perto
Campina Grande carrega na alma o espírito de uma feira que nunca fecha, de um forró que atravessa gerações e de uma fibra que já nasce com identidade. A Rainha da Borborema mistura história, sabor e inventividade de um jeito que só o Agreste paraibano consegue.
Você precisa subir a serra e conhecer Campina Grande, de preferência em junho, quando a cidade inteira vira um arraial a céu aberto.