Conta a tradição que Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, avistou as colinas verdejantes do alto e exclamou: “Ó linda situação para se fundar uma vila!” A expressão batizou Olinda, fundada em 1535 e reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1982. A 7 km de Recife, a cidade é um museu a céu aberto onde igrejas barrocas, casarões coloridos e bonecos de 4 metros dividem as mesmas ladeiras.
Da vila mais rica do Brasil Colônia ao incêndio holandês
Olinda foi a capital de Pernambuco e, no século XVI, a vila mais rica do Brasil, enriquecida pela cana-de-açúcar. Escritores da época a chamavam de “Lisboa pequena”. Em 1630, os holandeses invadiram a capitania. Um ano depois, considerando a cidade mal posicionada para seus interesses portuários, retiraram materiais nobres das edificações e incendiaram Olinda, transferindo a capital para Recife.
Após a expulsão dos holandeses em 1654, a cidade foi reconstruída. Quase nada da arquitetura quinhentista original sobreviveu ao fogo, mas o traçado medieval irregular, adaptado às curvas do terreno, permaneceu. O conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1968 abrange 1,2 km² e cerca de 1.500 imóveis.
O que visitar nas ladeiras da Cidade Alta?
O centro histórico se percorre a pé. As atrações se revelam a cada esquina, entre ladeiras de pedra e fachadas pintadas em cores vivas.
- Alto da Sé: mirante mais famoso de Olinda, com vista panorâmica de Recife e do litoral. Abriga a Catedral da Sé, erguida no século XVI, o Mercado de Artesanato e as barracas de tapioca.
- Convento de São Francisco: considerado um dos mais antigos do Brasil, com azulejos portugueses, entalhes em madeira e a Igreja de Nossa Senhora das Neves integrada ao conjunto.
- Mosteiro de São Bento: altar coberto de ouro legítimo, missas em latim e uma loja com artesanato religioso e produtos dos monges. Lá dentro, o visitante encontra uma das mais ricas expressões do barroco brasileiro.
- Casa dos Bonecos Gigantes: exposição permanente dos bonecos que desfilam no carnaval, com oficinas abertas ao público onde artesãos mostram todo o processo de confecção.
- Rua do Amparo: repleta de ateliês de artistas plásticos, cafés e casarões coloniais. Olinda abriga mais de 50 ateliês, uma das maiores concentrações por metro quadrado do país.
- Museu do Mamulengo: primeiro museu dedicado a bonecos populares da América Latina, com acervo de mamulengos pernambucanos.
Olinda encanta com suas ladeiras coloridas e igrejas seculares. O vídeo é do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 316 mil inscritos, e apresenta um roteiro completo pelo sítio histórico, incluindo a Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento e dicas gastronômicas imperdíveis.
Por que o carnaval de Olinda é diferente de todos os outros?
O carnaval de Olinda é de rua, gratuito e movido por mais de 500 agremiações oficiais. Frevo, maracatu, afoxés e troças carnavalescas sobem e descem as ladeiras sem cordas nem camarotes. A marca registrada são os bonecos gigantes, que chegam a 4 metros de altura e pesam cerca de 20 kg. A tradição começou em 1932 com a criação do Homem da Meia-Noite, inspirado em um homem bonito que andava pelas ruas à noite e despertava a curiosidade das moças.
Depois dele vieram a Mulher do Meio-Dia (1937) e o Menino da Tarde (1974). Hoje, dezenas de bonecos representam figuras históricas, artistas e personalidades, e o Encontro dos Bonecos Gigantes na terça-feira de carnaval é um dos momentos mais fotografados do Brasil.
Tapioca no Alto da Sé e carne de sol com macaxeira
A gastronomia preserva as raízes da culinária canavieira pernambucana. Os restaurantes do centro histórico funcionam em casarões coloniais e servem pratos fartos.
- Tapioca do Alto da Sé: preparada na hora pelas tapioqueiras, com recheios que vão de queijo coalho a carne de sol. Acompanha o entardecer no mirante.
- Carne de sol com macaxeira: prato emblemático da culinária nordestina, servido em restaurantes do Sítio Histórico.
- Bolo de rolo: doce tradicional pernambucano, com camadas finíssimas de massa e goiabada.
Quando visitar a Cidade Alta?
Olinda tem sol e calor o ano inteiro. As chuvas se concentram entre março e agosto, e o período mais seco vai de setembro a fevereiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade que nasceu de uma exclamação?
Olinda fica a 7 km do centro de Recife e a 18 km do Aeroporto Internacional dos Guararapes (REC). O trajeto de táxi ou aplicativo leva cerca de 30 minutos. Ônibus municipais fazem a ligação entre as duas cidades com frequência. A maior parte das atrações do centro histórico se percorre a pé.
A cidade onde cada esquina guarda cinco séculos
Olinda carrega no nome a exclamação de quem a viu pela primeira vez e no casario a memória de quem a reconstruiu depois do fogo holandês. As ladeiras de pedra, os bonecos gigantes, o frevo nas ruas e o cheiro de tapioca no Alto da Sé formam uma experiência que nenhuma outra cidade brasileira consegue reproduzir.
Você precisa subir as ladeiras de Olinda, olhar o mar do Alto da Sé e sentir que cinco séculos de história cabem em pouco mais de um quilômetro quadrado.