Quem caminha pelas trilhas do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães pisa sobre fundo de oceano e areia de deserto. As rochas de arenito vermelho registram mais de 400 milhões de anos de história geológica, e as nascentes que brotam desse planalto a 811 m de altitude alimentam o Pantanal mato-grossense. A 65 km de Cuiabá, a cidade mistura cerrado, sítios arqueológicos e a culinária pantaneira em um dos destinos de ecoturismo mais acessíveis da América do Sul.
O planalto que deu origem ao maior município da história
Chapada dos Guimarães nasceu como missão jesuíta no século XVIII e recebeu o nome em homenagem à cidade portuguesa de Guimarães, berço da nacionalidade lusitana. A Igreja de Sant’Ana do Sacramento, construída em 1779 com taipa de pilão e mão de obra escravizada, preserva o último exemplar do barroco mato-grossense. Seus azulejos portugueses chegaram da Bahia em lombo de mula, e o altar pintado a ouro segue conservado. O templo foi o primeiro monumento tombado pelo IPHAN no estado, em 1957.
A cidade já foi o maior município do mundo em extensão territorial, com cerca de 270 mil km². Ao longo dos séculos, seu território foi retalhado e deu origem a municípios como Sinop, Alta Floresta e Colíder. Hoje, com aproximadamente 20 mil habitantes, vive essencialmente do turismo ecológico.
O que visitar dentro do Parque Nacional?
Criado em 1989, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães ocupa 33 mil hectares administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A entrada é gratuita e funciona todos os dias. Alguns atrativos são autoguiados, outros exigem condutor credenciado.
- Cachoeira Véu de Noiva: queda de 86 m formada pelo rio Coxipó, cercada por paredões onde nidificam araras-vermelhas. Trilha autoguiada de 650 m até o mirante.
- Cidade de Pedra: formações rochosas que lembram ruínas medievais, com cânions de até 350 m. Exige guia e veículo 4×4.
- Circuito das Cachoeiras: percurso de 6 km por seis quedas d’água, com paradas para banho na Prainha e na Andorinhas.
- Vale do Rio Claro: trilha de 4 km até a Crista do Galo, com flutuação de 30 minutos entre o Poço Encantado e o Poço Verde.
- Morro de São Jerônimo: vista de 360° dos paredões, com opção de pernoite em camping dentro do parque.
A Chapada dos Guimarães reserva paisagens monumentais e experiências únicas em meio ao Cerrado mato-grossense. O vídeo é do canal Viajantes de Estação em Estação, que foca em roteiros detalhados, e apresenta 20 lugares imperdíveis, incluindo a Cidade de Pedra e o circuito de cavernas Aroe Jari: foco em roteiros detalhados.
Cavernas e a Lagoa Azul fora do parque
Alguns dos passeios mais impressionantes ficam em propriedades particulares a cerca de 46 km da cidade. O circuito das cavernas exige guia e agendamento.
A Caverna Aroe Jari, cujo nome indígena significa “Morada das Almas”, é a maior caverna de arenito do Brasil, com mais de 1.500 m de extensão. Sua entrada tem 60 m de largura e 10 m de altura. No interior, pinturas rupestres e trechos submersos conduzem até a Lagoa Azul, onde feixes de luz solar desenham uma ampulheta entre o teto e a água cristalina. Na mesma trilha fica a Caverna Kiogo Brado (“Ninho dos Pássaros”), com 273 m de extensão percorridos por um curso d’água.
Galinhada, pacu e arroz Maria Isabel
A mesa da chapada reflete a culinária pantaneira e cerratense, servida em panelas de ferro nos restaurantes ao redor da Praça Dom Wunibaldo. Os pratos mais marcantes usam peixes de rio e carne seca.
- Arroz Maria Isabel: arroz cozido com carne seca desfiada, prato símbolo da culinária mato-grossense.
- Pacu e pintado: peixes de rio grelhados ou fritos, presentes em quase todos os cardápios.
- Galinhada: arroz com frango caipira, açafrão e pequi, destaque no Festival de Inverno de julho.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude deixa o clima mais ameno que o de Cuiabá, especialmente à noite. A estação seca, de maio a setembro, é a melhor época para trilhas e cachoeiras com água cristalina. No período chuvoso, há risco de cabeças d’água.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Chapada dos Guimarães?
A cidade fica a 65 km de Cuiabá pela MT-251, em estrada asfaltada. O trajeto leva cerca de 1 hora. Ônibus partem da rodoviária de Cuiabá a cada hora. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, com voos diretos de São Paulo, Brasília e outras capitais. Para circular entre as atrações, o ideal é estar de carro. Dentro do parque, alguns trechos exigem 4×4.
Suba ao planalto e veja o Brasil de cima
Chapada dos Guimarães é o raro lugar onde se pisa sobre fósseis marinhos, se entra em cavernas de arenito esculpidas por milhões de anos e se avista o Pantanal do alto de um mirante equidistante dos dois oceanos. Tudo isso a uma hora da capital do Mato Grosso.
Você precisa fazer essa viagem, mergulhar no Poço da Anta, subir ao mirante do centro geodésico e entender por que esse planalto de pedra vermelha é um dos segredos mais bonitos do cerrado brasileiro.