O consumo de microplásticos deixou de ser um problema distante para se tornar parte do dia a dia, com pequenas partículas presentes em diversos alimentos e bebidas comuns. Entender de onde vêm as principais fontes de contaminação é uma forma prática de reduzir a exposição, mesmo em um cenário em que evitar totalmente esses fragmentos é quase impossível.
O que são microplásticos e nanoplásticos na alimentação diária?
Essas partículas podem ser microplásticos, visíveis apenas ao microscópio, ou nanoplásticos, ainda menores, liberados por embalagens, utensílios e processos industriais. A presença desses resíduos em produtos cotidianos desperta preocupação entre profissionais de saúde e pesquisadores, que monitoram seus possíveis efeitos no organismo.
Ainda não há consenso científico sobre todos os impactos à saúde, mas estudos sugerem que essas partículas podem atravessar barreiras biológicas e se acumular em tecidos. Isso torna essencial adotar uma postura preventiva, reduzindo a exposição de forma gradual, principalmente em grupos vulneráveis como crianças e gestantes.
Quais são as principais fontes de microplásticos na rotina?
Entre as maiores fontes de ingestão, a água engarrafada em plástico descartável é uma das mais citadas, contendo até centenas de milhares de partículas por litro. Até o gesto de torcer a tampa pode soltar fragmentos, mostrando como o próprio uso cotidiano das embalagens contribui para a contaminação.
Proteínas processadas, como nuggets congelados e alternativas vegetais ultraprocessadas, também passam por mais etapas de embalagem e manipulação. Mesmo carnes com processamento mínimo já apresentaram algum nível de microplástico, indicando que o tipo de acondicionamento tem papel central na exposição. Veja o alerta no vídeo divulgado pela TV Brasil, via TikTok:
@tvbrasil Os microplásticos, partículas bem pequenas de plástico que se assemelham a pequenos flocos de aveia, representam um grande perigo para o meio ambiente e para a nossa saúde. Um relatório divulgado pela Academia Brasileira de Ciências faz um alerta importante sobre os riscos da contaminação. Acompanhe as notícias do #RepórterBrasil de segunda a sábado, às 19h, na tela da TV Brasil e no canal da TV Brasil no YouTube 📺📱💻
♬ som original – TV Brasil
Onde geralmente essas substâncias estão presentes?
As marmitas levadas para o trabalho ou rua podem ser fonte de exposição, especialmente quando o alimento é aquecido em recipientes plásticos ou em embalagens descartáveis. Filmes plásticos e potes de baixa qualidade liberam mais fragmentos quando expostos ao calor, aumentando o risco de ingestão.
Outro ponto de atenção são as luvas plásticas usadas em serviços de alimentação, que podem transferir partículas diretamente para o alimento e, ao serem descartadas, gerar mais resíduos no ambiente. Esse acúmulo ambiental alimenta um ciclo contínuo de contaminação de água, solo e cadeia alimentar.
Quais alimentos concentram mais microplásticos?
Alguns produtos considerados inofensivos surpreendem quanto à contaminação, como laticínios gordurosos, em que compostos do plástico tendem a se ligar às moléculas de gordura. Queijos e cremes podem acumular mais partículas quando entram em contato prolongado com embalagens plásticas durante o processamento ou armazenamento.
A mastigação de chicletes por poucos minutos já libera microplásticos na boca, que podem ser engolidos junto com a saliva. Saquinhos de chá feitos com materiais plásticos, expostos à água fervente, e certos tipos de sal de cozinha, como o sal rosa do Himalaia em alguns estudos, também se destacam como fontes relevantes:
🧬 Alimentos e Bebidas com Mais Microplásticos no Dia a Dia
Principal fonte para muitas pessoas devido ao contato direto com plástico.
Camarão, mexilhão e sardinha acumulam partículas do ambiente marinho.
Presente no sal marinho, rosa e até refinado.
Copos possuem revestimento plástico interno.
Podem liberar microplásticos quando expostos à água quente.
Contaminação durante processamento e embalagem.
Água e embalagens contribuem para a presença de partículas.
Microplásticos encontrados devido à poluição ambiental.
Como reduzir a ingestão dessas substâncias na prática?
Eliminar por completo o contato com microplásticos ainda não é viável, mas mudanças simples ajudam a diminuir a ingestão diária. Priorizar alimentos frescos preparados em casa reduz o tempo de contato com plásticos, embalagens complexas e linhas altamente industrializadas.
Algumas medidas envolvem escolher água filtrada em casa em vez de água envasada em plástico e usar garrafas de vidro ou inox. Também é útil evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, optar por chá a granel com coadores reutilizáveis e revisar o consumo frequente de pastilhas e chicletes, construindo uma rotina mais informada e cuidadosa.