A decisão da União Europeia de exigir que o WhatsApp seja aberto para chatbots de inteligência artificial de empresas rivais coloca a Meta no centro de mais um embate regulatório no bloco e pode redefinir a concorrência no mercado de assistentes de IA voltados a mensagens.
Por que a União Europeia quer abrir o WhatsApp para chatbots de IA rivais?
No centro da disputa está a preocupação da União Europeia com a manutenção de uma concorrência efetiva no mercado de assistentes de IA, especialmente em serviços de mensagens amplamente utilizados. Para a vice-presidente da Comissão responsável pela área de Concorrência, Teresa Ribera, o WhatsApp funciona hoje como um dos principais canais de distribuição para chatbots voltados a empresas e consumidores em vários países europeus.
Ao priorizar o Meta AI e restringir o uso de soluções independentes, a Meta teria criado barreiras significativas à entrada e à expansão de rivais. A Comissão avalia que essa conduta pode distorcer o desenvolvimento de um setor emergente, reduzindo opções de integração, diversidade de serviços e o ritmo de inovação dentro do WhatsApp e de ecossistemas digitais correlatos.
Como a decisão da UE obriga a reabertura do WhatsApp?
Após investigação iniciada no fim de 2025, a Comissão Europeia concluiu, em análise preliminar, que a Meta provavelmente abusou de sua posição dominante ao bloquear o acesso de outros serviços de IA ao WhatsApp e ao favorecer o Meta AI. Em resposta, o órgão passou a considerar a imposição de medidas provisórias para assegurar que provedores concorrentes não sejam excluídos do aplicativo enquanto o processo antitruste continua.
Na prática, a determinação europeia busca garantir que empresas que utilizam o WhatsApp possam voltar a integrar chatbots desenvolvidos por terceiros, e não apenas as soluções da própria Meta. A Comissão argumenta que, sem esse tipo de medida, a nova política da companhia poderia causar danos graves e de difícil reversão à competição no mercado de inteligência artificial aplicada à mensagens, inclusive para pequenas e médias empresas altamente dependentes do canal:
- Reabertura do WhatsApp para chatbots de IA concorrentes da Meta;
- Proteção de empresas que já utilizavam robôs conversacionais independentes;
- Manutenção de diversidade de soluções de IA em um único canal de comunicação;
- Redução do risco de concentração excessiva em torno do Meta AI.
Como a Meta reage à investigação europeia e quais são seus argumentos?
A Meta contesta as conclusões da Comissão Europeia e nega qualquer violação das regras de concorrência, defendendo que não há motivo para intervenção regulatória. A empresa afirma que consumidores e empresas dispõem de múltiplas alternativas para acessar serviços de inteligência artificial, como lojas de aplicativos, sistemas operacionais, sites, dispositivos conectados e parcerias com diferentes provedores globais.
Segundo a controladora do WhatsApp, considerar o aplicativo como um canal principal para distribuição de chatbots refletiria uma “lógica enviesada” por parte de Bruxelas. Em dezembro, a Meta também alegou que a multiplicação de assistentes de IA dentro do WhatsApp exigiria muito de sua infraestrutura, originalmente não projetada para suportar um volume tão elevado de robôs conversacionais atuando simultaneamente, o que afetaria segurança, estabilidade e capacidade dos sistemas.
Quais são os principais pontos de atrito entre a Comissão Europeia e a Meta?
A divergência central envolve a definição do WhatsApp como canal quase essencial para a distribuição de assistentes de IA, especialmente em mercados onde o aplicativo é dominante em comunicações pessoais e empresariais. Para a Comissão, o controle da Meta sobre essa infraestrutura cria riscos de fechamento indevido de mercado quando a empresa favorece seu próprio assistente Meta AI em detrimento de soluções rivais.
Já a Meta argumenta que sua conduta reflete escolhas tecnológicas legítimas e preocupações de desempenho, e que qualquer limitação teria natureza objetiva, e não anticompetitiva. O debate também é acompanhado por reguladores de outros países, que observam o caso como possível referência para futuros enquadramentos de grandes plataformas digitais sob leis de concorrência e normas de governança de IA.