O debate sobre regra de trânsito ganhou força no Brasil com o avanço do Projeto de Lei 1405/24, que propõe endurecer o Código de Trânsito Brasileiro. Em discussão ao longo de 2025 e 2026, a iniciativa busca elevar o rigor contra condutas que colocam vidas em risco, estabelecendo um novo padrão de punição para quem insiste em desrespeitar as normas de circulação.
Por que a regra de trânsito está sendo discutida agora?
O reforço da regra de trânsito tem base estatística e caráter preventivo. Estudos apontam que a sensação de impunidade e multas defasadas não coíbem comportamentos agressivos, como ultrapassagens proibidas, que estão entre as principais causas de colisões frontais fatais no país.
O objetivo do texto não é apenas arrecadatório, mas educativo através do impacto financeiro. Ao elevar o custo da infração para patamares que comprometem a renda mensal média do brasileiro, o legislador espera forçar uma mudança imediata de postura, incentivando a direção defensiva e reduzindo a sobrecarga no sistema de saúde pública causada por acidentes graves.
Quais infrações podem custar quase três mil reais ao bolso?
O projeto destaca infrações de natureza gravíssima que possuem “fator multiplicador”. Isso significa que o valor base da multa é multiplicado por 10 vezes devido ao alto risco da manobra. Além do prejuízo financeiro, essas condutas geram a suspensão direta do direito de dirigir.
A tabela abaixo detalha as condutas que atingem o teto da penalidade prevista:
Como funcionam as propostas dos novos prazos de suspensão da carteira?
Uma das alterações mais temidas trazidas pela discussão do PL 1405/24 é a ampliação do tempo em que o motorista fica proibido de dirigir. Se aprovado integralmente, o texto endurece o tratamento para reincidentes, aqueles que cometem a mesma infração no período de 12 meses.
Para casos de reincidência em ultrapassagens forçadas ou perigosas, o prazo de suspensão pode chegar ao teto de 24 meses (dois anos). Além disso, a cassação da CNH torna-se uma realidade mais próxima para quem insiste em misturar álcool e direção ou realizar manobras arriscadas repetidamente, obrigando o condutor a reiniciar todo o processo de habilitação do zero após cumprir a pena.
O que muda especificamente para os motoristas profissionais?
Condutores das categorias C, D e E, que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho, estão na mira de uma fiscalização mais rigorosa. A lógica é que, por serem profissionais, devem ter um comportamento exemplar. O projeto prevê não apenas multas, mas travas que podem impedir o exercício da profissão.
As principais medidas voltadas para esta categoria incluem:
- Retenção do Veículo: Maior facilidade para a autoridade de trânsito reter o caminhão ou ônibus até a regularização da conduta.
- Reciclagem Compulsória: Obrigatoriedade de cursos de direção defensiva e legislação para recuperar o direito de dirigir.
- Penalidade em Dobro: Em caso de reincidência em infrações gravíssimas num curto período, o valor da multa pode dobrar, ultrapassando R$ 5.800,00.
- Risco de Demissão: Com a suspensão da CNH, o motorista perde a habilitação legal para trabalhar, levando à rescisão contratual por justa causa em muitas empresas.
Qual a melhor estratégia para evitar essas penalidades severas?
Diante de um código de trânsito cada vez mais intolerante a erros, a única defesa eficaz é a prevenção absoluta. Motoristas devem redobrar a atenção à sinalização horizontal, especialmente em rodovias de pista simples, onde a faixa contínua amarela é soberana. O hábito de “arriscar” uma ultrapassagem rápida agora carrega um risco financeiro desproporcional ao tempo ganho.
Além disso, a participação em campanhas educativas e a atualização constante sobre as normas de trânsito deixam de ser opcionais para se tornarem necessidades básicas de sobrevivência econômica. Manter a documentação em dia, o veículo revisado e adotar uma postura defensiva são as únicas garantias de que o condutor passará ileso pelas novas regras de 2026.