A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), é peça central de um corredor logístico que promete encurtar o acesso brasileiro ao Pacífico e à Ásia, mas enfrenta incertezas quanto a prazos, infraestrutura de acesso e estrutura alfandegária.
Por que a Ponte da Rota Bioceânica pode ter inauguração adiada?
Segundo o governo de Mato Grosso do Sul, cerca de 90% da ponte já foi construída, restando cerca de 100 metros para o fechamento da travessia sobre o rio Paraguai, mas o início da operação depende de condições além da estrutura física.
O acesso rodoviário até a BR-267, crucial para integrar a ponte à malha nacional, não tem prazo firme para conclusão, e o Estado projeta finalização apenas no segundo semestre de 2027, condicionada ao fluxo de recursos federais.
Quais os motivos do atraso na obra e na operação da ponte?
A obra de acesso de 13 quilômetros no lado brasileiro está fora do cronograma ideal e depende de segurança orçamentária, enquanto o lado paraguaio avança de forma mais alinhada às metas do corredor internacional.
Além disso, a alfândega brasileira, estimada em cerca de R$ 200 milhões, ainda não saiu da fase de projeto, o que ameaça o funcionamento pleno da ponte e pode comprometer o ganho logístico da rota no curto prazo.
Como a alfândega pode afetar a Rota Bioceânica?
A Rota Bioceânica foi desenhada para reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a distância marítima das exportações brasileiras até portos asiáticos, encurtando de 12 a 17 dias algumas rotas até a China e outros mercados do Pacífico.
Sem um sistema alfandegário moderno, integrado e digitalizado, o corredor corre o risco de trocar filas em portos por filas em fronteiras, desperdiçando a economia de tempo obtida no transporte marítimo. Veja detalhes sobre o projeto da ponte (Reprodução/YouTube/CANAL PARAGUAI OFICIAL):
Quais as medidas para agilizar o controle?
Para evitar gargalos e dar fluidez ao comércio internacional, especialistas e gestores defendem estruturas alfandegárias integradas entre Brasil e Paraguai, com harmonização de normas, uso intensivo de tecnologia e análise antecipada de documentos.
Nesse contexto, vêm sendo estudadas medidas operacionais e tecnológicas para tornar o fluxo de cargas mais ágil, seguro e previsível ao longo do corredor rodoviário:
- Implantação de inspeção não intrusiva, com scanners de carga em ambos os lados da fronteira;
- Integração de bases de dados aduaneiras entre Brasil e Paraguai, com sistemas digitais interoperáveis;
- Criação de corredores específicos para veículos de carga regular e transporte especial, evitando congestionamentos;
- Adoção de regimes aduaneiros simplificados para mercadorias de baixo risco e operadores confiáveis;
- Capacitação conjunta de equipes aduaneiras e uso de rastreamento em tempo real das cargas.
Como Campo Grande busca se consolidar como polo logístico regional?
Enquanto a ponte e a alfândega enfrentam incertezas, Campo Grande se movimenta para atuar como centro logístico da rota, concentrando portos secos, centros de distribuição e armazéns para armazenagem e transbordo de cargas.
A prefeitura ajustou o Programa de Desenvolvimento Econômico e Social (Prodes), permitindo que empresas em polos industriais fiquem com os terrenos após dez anos se cumprirem metas, e discute a atualização de leis ambientais e de uso e ocupação do solo para adequar a cidade à era da logística integrada.