Pesquisas recentes sobre o interior da Terra indicam que estruturas profundas, localizadas a milhares de quilômetros da superfície, exercem influência direta sobre o campo magnético terrestre e ajudam a explicar por que o magnetismo do planeta varia ao longo do tempo.
O que são as grandes estruturas profundas que influenciam o interior da Terra?
Essas descobertas, baseadas em modelagens numéricas e análises geofísicas, mostram que o interior do planeta é muito mais complexo do que se imaginava. Em vez de um sistema simples e estável, a Terra apresenta um interior dinâmico, no qual calor, materiais fundidos e estruturas sólidas interagem continuamente.
A forma como essas camadas profundas trocam energia influencia desde o comportamento do campo magnético até processos geológicos de grande escala. Essas interações também ajudam a entender variações regionais do magnetismo, registradas em rochas e em medições modernas.
O que existe a 2.900 km de profundidade que afeta o campo magnético?
O estudo liderado por A. J. Biggin, publicado na revista Nature Geoscience, destaca duas estruturas colossais a cerca de 2.900 quilômetros de profundidade, sob a África e o Oceano Pacífico. Essa região marca o limite entre o manto e o núcleo, uma das zonas mais estratégicas da geologia terrestre.
Ali se acumulam massas rochosas extremamente aquecidas, conhecidas como “províncias de baixa velocidade sísmica”, por alterarem a velocidade de propagação das ondas sísmicas. Esses “continentes ocultos” parecem controlar o fluxo de calor que sai do núcleo em direção ao manto, gerando um padrão assimétrico de circulação no núcleo externo de ferro líquido.
Como o geodínamo do núcleo gera e modifica o campo magnético da Terra?
O campo magnético da Terra nasce de um mecanismo chamado geodínamo, acionado pelo movimento de ferro líquido no núcleo externo. Esse fluxo é impulsionado pela rotação do planeta e por diferenças de temperatura e composição entre as camadas internas, gerando correntes elétricas que criam o campo magnético.
Modelos computacionais indicam que esse geodínamo não é uniforme em todo o núcleo, pois variações de temperatura na base do manto afetam a intensidade da circulação do ferro fundido. Isso ajuda a explicar por que algumas partes do campo permanecem estáveis por centenas de milhões de anos, enquanto outras exibem enfraquecimentos, migrações de polos, inversões e anomalias como a do Atlântico Sul.
Como as estruturas profundas influenciam o nosso planeta?
As estruturas internas que influenciam o campo magnético terrestre também se relacionam com a formação e a fragmentação de supercontinentes, como a antiga Pangeia. Regiões de acúmulo de calor na base do manto favorecem o surgimento de plumas mantélicas, associadas a grandes eventos vulcânicos e à abertura de novos oceanos.
Esses processos afetam o clima e a biodiversidade em escalas de tempo geológicas ao alterar a distribuição dos continentes, correntes oceânicas e padrões atmosféricos. A movimentação das placas tectônicas, guiada em parte pelo calor interno, contribui ainda para a formação de grandes depósitos minerais e de hidrocarbonetos explorados economicamente.