O governo federal prepara um leilão que pode redesenhar a aviação regional no Nordeste, com previsão oficial de arrecadar cerca de R$ 800 milhões com a concessão de dez aeroportos em cinco estados, dentro da primeira fase do Programa AmpliAR, voltado à conectividade aérea e ao fortalecimento de setores estratégicos.
Como será organizado o leilão dos aeroportos do Nordeste?
O leilão dos aeroportos do Nordeste será viabilizado por meio de um edital, já validado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O documento detalhará o modelo de concessão, o prazo de operação de cerca de 25 anos e o cronograma da disputa, com abertura de propostas estimada para setembro.
Se não houver atrasos, a expectativa é de início efetivo das operações privadas em breve, com transição gradual entre a gestão pública e as concessionárias. O governo também prevê mecanismos de acompanhamento regulatório para monitorar a qualidade do serviço e o cumprimento das metas de investimento.
Como funcionará o modelo de remuneração e investimentos?
O modelo de remuneração das empresas vencedoras será um ponto central do desenho regulatório. Em vez de depender apenas da arrecadação direta dos terminais regionais, as concessionárias serão compensadas por meio de aditivos contratuais que reequilibrarão acordos já vigentes em outros aeroportos federais operados por essas empresas.
Além dos dez aeroportos nordestinos, o edital incluirá outros nove terminais na Amazônia Legal, totalizando 19 unidades na primeira etapa do Programa AmpliAR. No Nordeste, o governo estima R$ 770 milhões em investimentos, com foco em modernização de infraestrutura, ampliação de capacidade, adequações de segurança e melhorias operacionais para suportar o crescimento da demanda.
Quais são os aeroportos nordestinos incluídos na privatização?
A lista dos aeroportos do Nordeste que serão leiloados reúne polos turísticos e logísticos variados. Entre os terminais com voos regulares estão o Aeroporto de Cruz, no Ceará (Jericoacoara), e o aeroporto de Lençóis, na Bahia, porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Já entre os aeroportos com operações pontuais ou sazonais destacam-se Aracati/Dragão do Mar, no Ceará, voltado ao turismo de praia e sol, e o Aeroporto Santa Magalhães, em Serra Talhada, Pernambuco, hoje com voos esporádicos. Outros terminais atendem cadeias produtivas em expansão, como energias renováveis, agronegócio, gesso e mineração:
- Bahia: Lençóis, Guanambi (Isaac Moura Rocha), Paulo Afonso
- Pernambuco: Serra Talhada (Santa Magalhães), Araripina, Garanhuns
- Ceará: Jericoacoara (Cruz), Aracati/Dragão do Mar
- Piauí: Serra da Capivara (São Raimundo Nonato)
- Maranhão: Barreirinhas (porta de entrada dos Lençóis Maranhenses)
Quais impactos são esperados no turismo e na economia regional?
O pacote do leilão de aeroportos do Nordeste foi estruturado para ampliar a conectividade aérea, atrair capital privado e apoiar o desenvolvimento econômico nas áreas atendidas. A escolha dos terminais considerou potencial turístico, relevância logística e demanda reprimida por ligações aéreas regionais.
Destinos como Jericoacoara, Chapada Diamantina, Serra da Capivara e Lençóis Maranhenses devem se beneficiar com mais voos, infraestrutura melhor e menor dependência de longos deslocamentos terrestres. Cadeias ligadas ao agronegócio, às energias renováveis e à mineração também podem ganhar agilidade logística, impulsionando empregos diretos e indiretos em serviços aeroportuários, hotelaria e comércio local. Veja os impactos regionais:
Impactos do Leilão de Aeroportos no Nordeste
Como a concessão de R$ 800 milhões em dez aeroportos pode transformar a região
Aumento do Fluxo Turístico
Melhoria na infraestrutura aeroportuária tende a atrair mais visitantes nacionais e internacionais.
Geração de Empregos
Obras de modernização e operação dos aeroportos devem criar vagas diretas e indiretas na região.
Fortalecimento da Economia Local
Maior movimentação de passageiros favorece comércio, hotéis, restaurantes e serviços.
Atração de Investimentos
Infraestrutura moderna pode estimular novos negócios e parcerias no setor de transporte e turismo.
Melhoria da Conectividade Regional
Aeroportos mais eficientes reduzem tempos de viagem, facilitando deslocamentos entre cidades e estados.
Valorização do Setor Imobiliário
Áreas próximas aos aeroportos podem ter aumento de demanda e valorização de imóveis.
O que o Programa AmpliAR representa para a aviação regional brasileira?
O Programa AmpliAR surge como estratégia de longo prazo para fortalecer a aviação regional em um cenário de crescimento do turismo e dos negócios. Ao reunir dez aeroportos do Nordeste e nove da Amazônia Legal em uma mesma rodada, o governo busca levar infraestrutura a áreas essenciais para integração territorial e expansão de atividades econômicas:
- Ampliar a conectividade aérea para cidades médias e destinos turísticos.
- Atrair investimentos privados para modernização de terminais regionais.
- Reduzir gargalos logísticos em cadeias do agronegócio, energia e mineração.
- Estimular rotas regionais e novos modelos de operação para companhias aéreas.