A Ferrovia de Mato Grosso (FTM) é hoje a maior obra ferroviária em andamento no Brasil, com 743 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 5 bilhões, iniciada em 2022 e prevista para conclusão em 2026, com mais de 73% de execução física e foco no escoamento de grãos do agronegócio mato-grossense.
Como será a Ferrovia de Mato Grosso e qual sua importância logística?
A FTM é uma extensão da Malha Norte e conecta, de forma mais direta, a produção agrícola de Mato Grosso a importantes corredores de exportação, partindo de um megaterminal em Rondonópolis rumo à BR-070. O traçado reduz o uso intensivo de rodovias, amplia a capacidade de transporte e reorganiza o mapa logístico do principal estado produtor de soja, milho e outras commodities.
Planejada como corredor dedicado principalmente a grãos, a FTM terá 743 km de trilhos integrados à Malha Norte, encurtando etapas intermediárias de escoamento e aproximando os trilhos das áreas produtoras. Esse movimento favorece cadeias de fornecimento mais previsíveis, ganhos de eficiência energética e maior integração com terminais portuários de longa distância.
Como funciona o financiamento e a execução da obra ferroviária?
O projeto é executado com 100% de capital privado, combinando recursos próprios das concessionárias e financiamentos de longo prazo, o que reduz o uso direto de verbas públicas. Na primeira fase, de cerca de 162 km entre Rondonópolis e o terminal na BR-070, o BNDES aprovou aporte de R$ 2 bilhões para apoiar a estrutura financeira.
A obra mobiliza aproximadamente cinco mil trabalhadores em frentes como terraplanagem, construção de pontes, instalação de trilhos e sistemas de sinalização, além de passagens em nível e viadutos. Essas intervenções viárias garantem segurança, integração com cidades e rodovias e reconfiguram o território, indo muito além do simples traçado dos trilhos. Veja como a região irá se beneficiar com o projeto:
🚆 Benefícios da Ferrovia de Mato Grosso (FTM) para o Brasil
Impactos econômicos, logísticos e ambientais do novo corredor ferroviário
Como a Ferrovia de Mato Grosso vai impactar o frete e o agronegócio?
Um dos principais efeitos esperados é a redução do custo do frete para produtores rurais, pela menor distância percorrida por caminhões até terminais ferroviários. Em trechos de mil quilômetros, o transporte sobre trilhos pode reduzir o frete em até 50% frente ao rodoviário, devido à maior capacidade dos trens, eficiência energética e menor necessidade de paradas.
Esse novo corredor ferroviário tende a tornar a logística mais previsível, favorecendo planejamento de safra, contratação de frete e negociação de contratos de exportação. Para detalhar melhor esses benefícios esperados na operação logística, é possível destacar alguns efeitos diretos e indiretos observados com a entrada em operação da FTM:
- Menor custo médio por tonelada transportada em longas distâncias.
- Redução do tempo total de viagem e maior confiabilidade de prazos.
- Menor desgaste de rodovias e queda na necessidade de manutenção pesada.
- Reorganização de rotas de caminhões para trajetos mais curtos até terminais.
Quais os próximos passos da maior obra ferroviária em 2026?
Com a entrega da FTM prevista para meados de 2026, espera-se uma redistribuição gradual do fluxo de caminhões, priorizando trechos curtos até terminais intermodais. Esse redesenho tende a reduzir custos logísticos, o risco de congestionamentos e a emissão de poluentes, além de estimular investimentos em armazenagem e terminais multimodais.
Governos locais, empresas e entidades do agronegócio discutem ajustes regulatórios, licenças ambientais e modelos operacionais que garantam o uso pleno da FTM, da Fico e da Ferrogrão. A integração desses corredores pode transformar o Centro-Oeste em um grande polo ferroviário de cargas, fortalecendo a competitividade do Brasil no comércio internacional de grãos e derivados. Veja imagens do andamento das obras no vídeo divulgado pelo canal IEL Mato Grosso no YouTube:
Quais outras ferrovias reforçam o transporte de grãos no Centro-Oeste?
A FTM se soma a outros projetos em construção ou planejamento avançado, como a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e a Ferrogrão, ampliando a malha ferroviária regional. A Fico liga Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT), enquanto a Ferrogrão conecta Sinop (MT) a Miritituba (PA), rumo ao Arco Norte de exportação.
A combinação desses corredores cria rotas alternativas à BR-163 e aumenta a concorrência entre operadores ferroviários, com potencial de redução de tarifas. De forma resumida, três eixos se destacam na estratégia de transporte de grãos do Centro-Oeste:
- FTM (Ferrovia de Mato Grosso): extensão da Malha Norte com 743 km para escoamento de grãos.
- Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste): ligação entre Goiás e Mato Grosso, ampliando a conexão regional.
- Ferrogrão: corredor entre Sinop e Miritituba, direcionado à exportação pelo Norte do país.