O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) autorizou, em agosto de 2025, o início da construção da Ponte Internacional de Guajará-Mirim, na BR-425/RO, uma obra planejada há décadas para integrar o Novo PAC na região Norte e reforçar a ligação entre Brasil e Bolívia sobre o Rio Mamoré com a megaponte.
Como será a Ponte Internacional de Guajará-Mirim?
A Ponte Internacional de Guajará-Mirim, também chamada de ponte binacional sobre o Rio Mamoré, terá cerca de 1,22 quilômetro de extensão e 17,3 metros de largura, com faixas para veículos e espaço destinado à circulação segura, conforme normas atuais. O valor estimado é de aproximadamente R$ 421 milhões, incluindo acessos viários e o complexo de fronteira, com prazo de 36 meses para conclusão.
A partir da formalização do contrato, são iniciados os projetos básico e executivo, seguidos pelas obras civis e pela implantação dos acessos. No lado brasileiro, o acesso terá cerca de 3,7 quilômetros até uma rótula no km 142,7 da BR-425/RO, enquanto a Bolívia executará cerca de seis quilômetros de ligação até o ponto definido pelas autoridades locais. Veja as características desse projeto:
- Localização: Sobre o rio Mamoré, ligando Guajará-Mirim (Rondônia, Brasil) a Guayaramerín (Beni, Bolívia).
- Tipo de obra: Ponte binacional com projeto de engenharia moderno (estaiada / com vão principal adequado à navegação).
- Extensão: Aproximadamente 1,22 km de comprimento.
- Largura da pista: Cerca de 17,3 metros, permitindo tráfego rodoviário duplo.
- Acessos: Inclui acessos rodoviários no lado brasileiro pela BR-425/RO e também via ligações no lado boliviano.
- Investimento: Aproximadamente R$ 421 milhões (incluindo ponte, acessos e complexos fronteiriços).
- Prazo de execução: Previsto em cerca de 36 meses (3 anos).
- Finalidade principal:
- Melhorar integração logística e comercial entre Brasil e Bolívia.
- Substituir travessia por balsa, aumentando segurança e fluidez.
- Facilitar escoamento de cargas e passageiros, impulsionando comércio local e regional.
Como funcionará o complexo de fronteira e a travessia entre Brasil e Bolívia?
Além da estrutura principal sobre o Rio Mamoré, o projeto inclui um complexo de fronteira, com áreas para controle migratório, aduana, fiscalização sanitária e segurança, concentrando em um só ponto os serviços de entrada e saída de pessoas e mercadorias. A expectativa é que a megaponte gradualmente substitua o sistema de travessia por balsas e embarcações, hoje predominante entre Guajará-Mirim e Guayaramerín.
O complexo deverá contar com edificações administrativas, pátios de estacionamento, faixas de inspeção, áreas de circulação de pedestres e espaços para órgãos federais e autoridades bolivianas, buscando organizar o fluxo internacional. A definição de detalhes como circulação de pedestres e ciclistas ficará a cargo do projeto executivo e da sinalização, respeitando as normas de segurança viária.
Por que a megaponte é estratégica para a região?
A ponte na BR-425/RO é considerada peça central do chamado Projeto Saída para o Pacífico, que prevê o escoamento de cargas brasileiras por território boliviano até portos chilenos, reduzindo distâncias em relação aos portos do litoral brasileiro. Para o Brasil, abre-se a possibilidade de ampliar o uso de corredores internacionais ligando o Norte e o Centro-Oeste a mercados da Ásia e de outros continentes pelo oceano Pacífico.
Para a Bolívia, a ponte reforça o acesso ao oceano Atlântico por meio de território brasileiro, alinhando-se ao Tratado de Petrópolis, que prevê o uso do porto de Porto Velho como opção logística. No campo diplomático, o empreendimento consolida compromissos bilaterais, fortalece a integração sul-americana e se insere no Novo PAC, que prioriza ligações rodoviárias, hidroviárias e fronteiriças na região Norte. Veja imagens do projeto da nova ponte (Reprodução/Instagram/Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes):
Qual é o impacto na BR-425 e na população da região de Guajará-Mirim?
A BR-425/RO liga o entroncamento com a BR-364, em Abunã, à fronteira com a Bolívia em Guajará-Mirim, em um trecho de 148,1 quilômetros com pista simples pavimentada e acostamentos variáveis. Ao atravessar áreas urbanas de Nova Mamoré e Guajará-Mirim, a rodovia tende a registrar aumento de fluxo com a ativação da ponte, exigindo reforço em segurança viária e planejamento urbano.
Segundo o IBGE (2024), a população diretamente beneficiada no lado brasileiro ultrapassa 100 mil habitantes, somando Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Buritis, além de comunidades vizinhas e trabalhadores que utilizam a rodovia. Considerando também as localidades bolivianas conectadas ao corredor, estima-se que mais de 180 mil pessoas sejam impactadas, com potencial dinamização do comércio, turismo e prestação de serviços na faixa de fronteira.
Quais são os benefícios da nova megaponte na região?
No curto prazo, a principal mudança é a movimentação gerada pelo canteiro de obras, com contratação de mão de obra local e demanda por serviços de apoio, como alimentação, hospedagem e transporte. Em médio prazo, com a ponte em operação, espera-se redução de custos logísticos para o agronegócio, a indústria de transformação e o comércio exterior, tanto na direção do Pacífico quanto do Atlântico. Veja os impactos na região:
| 🌉 Impactos da Nova Ponte Internacional de Guajará-Mirim |
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INTEGRAÇÃO
Conexão Brasil–Bolívia
Fortalece a integração fronteiriça, facilitando a circulação de pessoas e mercadorias entre os dois países.
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MOBILIDADE
Travessia Rodoviária Contínua
Elimina balsas e travessias precárias, melhorando significativamente a logística regional.
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EMPREGOS
Geração de Trabalho
Cria empregos diretos e indiretos durante as obras e também na operação da estrutura.
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ECONOMIA
Redução de Custos Logísticos
Diminui gastos no escoamento da produção, impulsionando comércio exterior e agronegócio.
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DESENVOLVIMENTO
Novo Polo Estratégico
Transforma Guajará-Mirim em ponto-chave de ligação comercial na fronteira.
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MERCADOS
Acesso Internacional Ampliado
Abre rotas para portos do Pacífico e do Atlântico, conectando a região a cadeias globais.
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SOCIAL
Melhoria nos Serviços Públicos
Facilita acesso à saúde, educação e segurança, fortalecendo a economia local.
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