O anúncio da construção da Ponte Salvador-Itaparica, planejada para começar em 2026 e orçada em cerca de R$ 11 bilhões, a megaobra marca um novo capítulo na infraestrutura brasileira e na cooperação com a China, com potencial para alterar profundamente a dinâmica de deslocamento entre Salvador, a Ilha de Itaparica e o interior da Bahia.
Como será a parceria do Brasil com a China para a megaobra?
A parceria entre Brasil e China para a Ponte Salvador-Itaparica é vista como exemplo de cooperação estratégica em infraestrutura de grande porte. Em novembro de 2025, durante o 3º Fórum Bahia-China, autoridades reforçaram o interesse em ampliar investimentos em obras estruturantes na região Nordeste.
A execução ficará a cargo de um consórcio formado pelas estatais chinesas CCEC e CCCC, com histórico em grandes obras globais e experiência em pontes estaiadas sobre lâmina d’água. O acordo prevê transferência de tecnologia, engenharia especializada e acesso a linhas de financiamento internacionais de longo prazo.
Como será a estrutura da Ponte Salvador-Itaparica?
A Ponte Salvador-Itaparica terá 12,4 quilômetros de extensão, divididos em três grandes trechos, combinando mobilidade rodoviária e segurança da navegação na Baía de Todos-os-Santos. O segmento estaiado, com 85 metros de altura livre, permitirá a passagem de navios de grande porte, como transatlânticos e petroleiros.
Além da ponte principal, o projeto inclui obras viárias complementares em Salvador e na Ilha de Itaparica, com novos corredores expressos, viadutos, túneis e ligação direta às principais rodovias. Também está prevista a duplicação de trechos da BA-001 para conectar a ilha ao sistema rodoviário nacional. Veja imagens de como ficará a ponte (Reprodução/YouTube/Concessionária Ponte Salvador-Itaparica):
Quais são os detalhes técnicos e operacionais da megaobra?
O traçado da ponte foi desenhado para otimizar o fluxo de veículos e manter a navegabilidade da baía, respeitando normas internacionais de segurança e engenharia. A obra encontra-se em fase de detalhamento técnico, estudos ambientais e estruturação financeira, com previsão de início em 2026 e conclusão até 2031.
Para facilitar o entendimento das principais características técnicas e operacionais planejadas para o empreendimento, alguns pontos de destaque podem ser resumidos da seguinte forma:
- Extensão total de 12,4 km, com trechos de aproximação em Salvador (6,9 km) e Itaparica (4,6 km) e segmento estaiado de 0,9 km;
- Altura de aproximadamente 85 metros sobre o nível do mar na parte estaiada, garantindo passagem de grandes embarcações;
- Integração com novas vias urbanas, túneis e viadutos em Salvador, reduzindo riscos de gargalos de tráfego;
- Construção de rodovia de mais de 20 km na ilha e duplicação de trechos da BA-001, conectando à BR-101, BR-116 e BR-242.
Quais impactos econômicos e sociais a ponte deve gerar?
A construção da Ponte Salvador-Itaparica deve gerar mais de sete mil empregos diretos ao longo das obras, abrangendo desde trabalhadores da construção civil até serviços de apoio logístico e administrativo. A estimativa é de que cerca de 10 milhões de baianos sejam beneficiados direta ou indiretamente pela nova ligação.
A ponte reduzirá em cerca de 100 quilômetros a distância entre Salvador e importantes rodovias federais, facilitando o escoamento de mercadorias, o turismo regional e o acesso a serviços em diferentes municípios. A substituição gradual do ferry-boat por uma ligação rodoviária permanente tende a reduzir atrasos, lotação em períodos de pico e interrupções por condições climáticas. Veja os benefícios regionais:
Impactos Econômicos e Sociais da Ponte Salvador–Itaparica
Geração de milhares de empregos diretos e indiretos durante obras e operação.
Redução significativa do tempo entre Salvador e Recôncavo / Baixo Sul.
Estímulo ao turismo em Itaparica e cidades do entorno.
Valorização de imóveis e atração de novos investimentos privados.
Fortalecimento do comércio e melhoria do escoamento de mercadorias.
Integração econômica de mais de 10 cidades baianas.
Ampliação do acesso à saúde, educação e mercado de trabalho.
Descentralização do desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador.
Quais desafios e próximos passos ainda precisam ser enfrentados?
Apesar do cronograma indicar início das obras em 2026 e entrega em 2031, o projeto ainda passa por etapas de licenciamento, ajustes de traçado, consultas públicas e detalhamento executivo. Questões como reassentamentos, impactos em comunidades tradicionais, preservação de áreas sensíveis e monitoramento ambiental contínuo permanecem no centro do debate.
A forma como o empreendimento será conduzido nos próximos anos influenciará não apenas o trânsito entre Salvador e a Ilha de Itaparica, mas também a percepção sobre novos projetos binacionais de grande porte no Brasil. A governança do contrato, a transparência nos custos e a gestão de riscos ambientais serão decisivas para que a ponte se consolide como um marco positivo de desenvolvimento regional e cooperação internacional.