O anúncio da construção da maior fábrica de celulose do mundo no Brasil, com investimento de quase R$ 25 bilhões, recoloca Mato Grosso do Sul no centro do mapa global da indústria de base florestal e já altera a rotina da região leste do Estado.
Como a maior fábrica de celulose do planeta está sendo construída no Brasil?
O Projeto Sucuriú, da chilena Arauco, prevê a maior fábrica de celulose de fibra curta do mundo em capacidade individual, com investimento de cerca de R$ 25 bilhões e produção estimada em 3,5 milhões de toneladas anuais. A planta ocupa 3.500 hectares, a cerca de 50 km do centro de Inocência, próxima ao Rio Sucuriú.
Com 47% das obras concluídas, a unidade caminha para iniciar operação no segundo semestre de 2027, gerando cerca de 9,2 mil postos de trabalho na fase de implantação, somando atividades industriais, florestais e de infraestrutura. Após a inauguração, a previsão é manter entre 800 e 900 empregos diretos, além de milhares de vagas indiretas.
Como a logística e a exportação estruturam a fábrica de celulose da Arauco?
Desenhado com foco exportador, o complexo industrial deve destinar a maior parte da celulose a mercados internacionais, principalmente países da Ásia que demandam fibra curta para papéis sanitários, embalagens e produtos de alto valor agregado.
Ao longo da implantação, a companhia estima gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos em indústria, manejo florestal e logística, além de estimular novos investimentos em armazenagem, terminais intermodais e serviços especializados. Veja imagens do andamento das obras na fábrica, divulgadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação:
Como a nova ferrovia vai mudar o escoamento da celulose no Brasil?
Um dos diferenciais do investimento é a construção de uma ferrovia própria, concebida como parte do processo industrial, e não apenas complemento logístico. O traçado inclui 9 km de trilhos dentro da fábrica e mais 45 km até a conexão com a Rumo Malha Norte, corredor que liga o interior do país ao Porto de Santos.
A operação ferroviária, dimensionada para transportar 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, contará com 721 vagões e 26 locomotivas, permitindo retirar cerca de 190 caminhões por dia das rodovias. A linha seguirá paralela às rodovias MS-377 e MS-240, cruzando áreas rurais com passagens inferiores e superiores, remanejamento de estradas vicinais, ponte de 270 metros sobre o Córrego São Mateus e negociações com cerca de 40 propriedades rurais.
Nova Ferrovia da Fábrica da Arauco
Impactos e detalhes logísticos da ferrovia própria para escoamento de celulose
Traçado da Ferrovia
Capacidade Operacional
Impacto nas Rodovias
Infraestrutura e Terreno
Quais impactos econômicos e sociais a fábrica de celulose deve trazer para Inocência?
A instalação da megafábrica altera profundamente o cenário produtivo e urbano de Inocência, que hoje tem cerca de 8,4 mil habitantes e pode triplicar de tamanho na fase de construção, chegando a 32 mil pessoas. Após a conclusão das obras, a população deve se estabilizar entre 18 mil e 22 mil moradores, exigindo expansão planejada.
Esse crescimento acelerado pressiona habitação, saneamento, saúde, educação e mobilidade urbana, mas também abre espaço para novos negócios locais e para o fortalecimento das finanças municipais. Nesse contexto, destacam-se alguns efeitos e desafios principais para o poder público e a comunidade:
- Expansão de moradias temporárias e permanentes para trabalhadores e novas famílias.
- Aumento da demanda por escolas, creches, unidades de saúde e qualificação profissional.
- Crescimento de oportunidades para pequenos comércios, serviços e economia local.
- Ampliação da arrecadação municipal e necessidade de gestão fiscal e urbana eficientes.
Qual a importância do investimento da Arauco para o setor de celulose?
Com obras em andamento e quase metade da estrutura erguida, o empreendimento se consolida como peça central da estratégia brasileira no mercado global de celulose. A combinação entre escala industrial, logística integrada e base florestal competitiva posiciona o leste de Mato Grosso do Sul como polo estratégico da cadeia de produtos florestais.
No longo prazo, a presença da maior fábrica de celulose de fibra curta do mundo e de uma ferrovia dedicada tende a atrair novos investimentos industriais e logísticos para a região, consolidar o país como grande exportador e redefinir o uso do território local.