O embate entre política, carnaval e Justiça Eleitoral voltou ao centro do debate após a decisão do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de anunciar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Como Flávio Bolsonaro reagiu sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói?
A declaração de Flávio Bolsonaro foi feita na rede social X nesta segunda-feira (16/2), um dia após o desfile. O senador afirmou que pretende acionar rapidamente o TSE, apontando o que considera irregularidades no evento carnavalesco.
No comunicado, ele falou em “crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público” e citou “ataques pessoais a Bolsonaro” e à família, chamada por ele de “o maior projeto de Deus na Terra”. A iniciativa ganha peso adicional por estar ligada à sua condição de pré-candidato à Presidência. Veja a publicação de Flávio:
LULA ZOMBA DO POVO!
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) February 16, 2026
O Carnaval é cultura, é tradição e merece respeito. O que não dá para aceitar é usar dinheiro público para atacar a fé de milhões de brasileiros enquanto políticos aplaudem de camarote.
Somos mais de 50 milhões de evangélicos, além de milhões de católicos e… pic.twitter.com/iXGA0Zt1A6
O que motivou a acusação de propaganda eleitoral antecipada no desfile?
O enredo da Acadêmicos de Niterói levou para a Sapucaí uma narrativa sobre a trajetória de Lula, incluindo vida pessoal, militância sindical, disputas eleitorais e pautas associadas ao governo atual. Também houve referências críticas a adversários, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Parlamentares da oposição apontam que a combinação de exaltação a Lula, críticas a Bolsonaro e defesa de políticas do governo se aproximaria de promoção política em período anterior ao permitido. Pedidos prévios ao TSE para barrar o enredo foram rejeitados, com a Corte reforçando a proteção à liberdade artística.
Como o TSE analisa manifestações políticas em eventos culturais?
O TSE atua como guardião das regras eleitorais e avalia se manifestações políticas em eventos públicos ultrapassam os limites legais. No caso do desfile pró-Lula, a Corte deverá examinar conteúdo, contexto, momento do desfile e eventual impacto no equilíbrio pré-eleitoral.
Até o momento, não há notícia de pedido explícito de voto nem prova de uso irregular de verbas públicas com finalidade eleitoral, o que torna a análise jurídica mais complexa. Especialistas em direito eleitoral destacam que a linha entre homenagem artística e propaganda pode ser tênue em anos pré-eleitorais.
Qual é o papel do financiamento público no debate sobre o desfile?
Um dos pontos centrais é o patrocínio da Embratur à Acadêmicos de Niterói, em linha com o apoio às demais escolas do Grupo Especial. Esse padrão de distribuição de recursos reduz, em tese, o argumento de favorecimento exclusivo a Lula ou a uma única agremiação.
O Planalto também determinou que não fosse usado dinheiro público para despesas pessoais de ministros em camarotes, em tentativa de evitar suspeitas. Ainda assim, qualquer vínculo entre recursos públicos e possível benefício eleitoral direto será examinado com rigor pelo TSE.
Quais são os possíveis desdobramentos da ação de Flávio Bolsonaro no TSE?
A ação anunciada por Flávio Bolsonaro pode gerar efeitos jurídicos e políticos relevantes. No Judiciário, o TSE poderá arquivar o pedido de imediato ou abrir investigação mais ampla, envolvendo a escola de samba, organizadores do carnaval, órgãos do governo e lideranças políticas citadas.
Para compreender melhor os próximos passos e o impacto do caso, é possível organizar os possíveis desdobramentos em etapas, que podem servir de referência para situações semelhantes em outros eventos culturais:
- Definição do conteúdo exato da ação de Flávio Bolsonaro e dos fundamentos jurídicos apresentados.
- Análise preliminar do TSE sobre indícios de propaganda eleitoral antecipada ou uso indevido de recursos públicos.
- Eventual pedido de informações à escola, à Liga das escolas de samba e a órgãos públicos de cultura e turismo.
- Decisão do tribunal, que poderá influenciar limites futuros para manifestações políticas em grandes eventos.