Elon Musk voltou a mexer no tabuleiro da exploração espacial ao anunciar que a SpaceX agora prioriza a construção de uma cidade autossustentável na Lua em menos de 10 anos, empurrando o plano de uma cidade em Marte para um horizonte de cinco a sete anos.
Como funciona o novo plano de cidade autossustentável de Elon Musk na Lua?
A nova meta, divulgada em 8 de fevereiro de 2026, marca uma guinada em relação ao foco histórico da empresa em Marte. Musk afirma que a colonização lunar seria um passo mais rápido para “garantir o futuro da civilização”.
A mudança acontece após reportagem do Wall Street Journal revelar que a SpaceX comunicou a investidores a intenção de priorizar missões lunares, com um pouso não tripulado na Lua previsto para março de 2027, embora o histórico de prazos agressivos de Musk ainda gere ceticismo.
Como seria a construção de uma cidade na Lua?
Na prática, a ideia de uma cidade na Lua envolve muito mais do que pousar espaçonaves e erguer bases temporárias. O conceito é de um assentamento com relativa independência da Terra, com infraestrutura de habitação, energia, comunicação e produção básica de insumos.
A noção de “autossustentável” inclui o uso de recursos lunares, como gelo de água em crateras polares, tanto para suporte à vida quanto para produção de combustível, ainda que detalhes técnicos, custos e cronogramas permaneçam vagos em declarações públicas de Musk. Veja detalhes sobre o projeto de Musk no vídeo do canal TIMES BRASIL:
Como a Starship pode viabilizar a infraestrutura de uma cidade lunar?
Para viabilizar esse plano, a SpaceX aposta na Starship, foguete reutilizável de grande porte também central nos contratos com a Nasa. A arquitetura prevê lançamentos em série, reabastecimento em órbita e transporte de grandes quantidades de carga para a superfície lunar.
Uma cidade lunar exigiria módulos defensivos contra radiação, sistemas robustos de energia e estruturas de suporte à vida, o que transforma a Lua em um laboratório para tecnologias que, futuramente, poderiam ser aplicadas em uma eventual cidade em Marte:
- Módulos habitáveis com proteção contra radiação e variações extremas de temperatura.
- Sistemas de geração de energia, como painéis solares avançados e, possivelmente, soluções nucleares compactas.
- Estruturas de suporte à vida, incluindo produção de oxigênio e reciclagem de água.
- Infraestrutura de comunicação de alta capacidade, apoiada por redes como o Starlink.
Como a disputa geopolítica entre EUA e China impacta a Lua?
O projeto de uma cidade lunar surge em um contexto de disputa geopolítica intensa pela “vizinhança” lunar. Os Estados Unidos contam com o programa Artemis, liderado pela Nasa, para levar astronautas de volta à superfície ainda nesta década, com a SpaceX como peça-chave do módulo de alunissagem.
Ao mesmo tempo, a China acelera planos para uma estação de pesquisa na Lua, transformando a corrida em competição por tecnologia, influência e recursos, em um cenário que levanta também debates sobre direito espacial, uso de recursos naturais e possíveis zonas de exclusão. Veja os impactos da corrida geopolítica:
Corrida Lunar EUA x China
Impactos geopolíticos, estratégicos e tecnológicos da disputa pela Lua
Competição Tecnológica
Missões Lunares
Alianças Internacionais
Controle de Recursos
Soft Power
Como a estratégia de Elon Musk se conecta ao plano de cidade lunar?
A estratégia de Musk inclui a integração da SpaceX com a xAI, empresa de inteligência artificial também comandada por ele, em um acordo que avaliou a SpaceX em cerca de US$ 1 trilhão e a xAI em US$ 250 bilhões. Essa união reforça planos de centros de dados espaciais, vistos como alternativa energeticamente eficiente aos data centers em solo.
Nesse contexto, constelações como o Starlink sustentariam comunicação de alta capacidade entre Terra, Lua e futuros postos avançados, enquanto uma potencial oferta pública inicial (IPO) da SpaceX, estimada em até US$ 50 bilhões em 2026, e investimentos da Tesla em robótica e IA ajudariam a financiar um ecossistema no qual uma cidade na Lua se torna também uma plataforma de negócios e testes tecnológicos.