O movimento recente em torno dos planos de Eike Batista recolocou no radar do mercado um projeto logístico bilionário no Brasil, estimado em cerca de R$ 7,8 bilhões, voltado a receber navios de grande porte e ampliar a competitividade brasileira na exportação de commodities.
Como será o novo superporto de Eike Batista?
A criação de um superporto será capaz de receber navios de grande calado, como os cape size, usados no transporte de minério de ferro e outras cargas volumosas. A proposta é integrar produção, transporte e embarque, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência das exportações.
Dentro dessa lógica, a LLX Logística surge como peça estratégica, ligada à MMX Mineração e Metálicos e focada em terminais portuários e soluções de escoamento. O novo superporto pretende atender grandes mineradoras e ampliar a capacidade brasileira de competir no mercado global de minério de ferro e demais commodities.
Qual é o papel do investimento canadense no superporto de Eike Batista?
Um dos movimentos mais relevantes para destravar o projeto foi o acordo com o fundo de pensão canadense Ontario Teachers’ Pension Plan Board (OTPP). O fundo acertou investir o equivalente a 15% do capital da LLX Logística, comprando ações preferenciais avaliadas em US$ 185 milhões, o que reforça a confiança em ativos de infraestrutura portuária no Brasil.
Com esse aporte, a fatia de 85% ainda detida pela MMX passou a ser estimada em cerca de US$ 1,05 bilhão, fortalecendo a percepção de valor da empresa no segmento. O acordo depende de diligência prévia, contratos definitivos e aprovações de governança, enquanto a LLX se prepara para abrir capital na Bolsa de Valores e ampliar suas fontes de financiamento:
- Participação do OTPP: 15% do capital da LLX por ações preferenciais;
- Valor estimado da fatia restante da MMX: cerca de US$ 1,05 bilhão;
- Objetivo central: capitalizar a empresa para expandir portos e terminais.
Como o projeto se conecta a Minas-Rio, Corumbá e Amapá?
O novo porto de grande porte se encaixa em uma estratégia mais ampla de sistemas integrados de mineração e logística comandados pela MMX. Um dos eixos centrais é o projeto Minas-Rio, em parceria com a britânica Anglo American, que prevê ao menos US$ 1 bilhão em investimentos, incluindo um mineroduto entre Minas Gerais e o litoral do Rio de Janeiro.
Esse mineroduto deve transportar cerca de 24,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano até o porto em São João da Barra, no norte fluminense. Somam-se a ele o Sistema Corumbá, com capacidade aproximada de 4,9 milhões de toneladas anuais, e o Sistema Amapá, com início de operação previsto em torno de 6,5 milhões de toneladas por ano, tornando a infraestrutura portuária decisiva.
Como o porto chileno de Copiapó entra na estratégia logística?
Para acomodar o crescente volume de produção, a LLX planeja uma malha que inclua alternativas de escoamento pelo Atlântico e pelo Pacífico. A futura abertura de capital da LLX envolve a incorporação do porto chileno de Copiapó, ampliando o alcance internacional dos projetos do grupo e reduzindo a dependência de poucos corredores logísticos.
Com acesso à costa chilena, abre-se uma rota estratégica para atender mercados asiáticos com menor tempo de viagem em algumas rotas, potencialmente atraindo novos contratos de longo prazo. Essa diversificação também dilui riscos operacionais e pode tornar os ativos mais atraentes a investidores institucionais globais.
Quais são os possíveis benefícios desse superporto para o Brasil?
A retomada de um porto de R$ 7,8 bilhões pode ampliar a capacidade nacional de exportar minério de ferro e outras commodities com navios cape size. A combinação de minerodutos, sistemas de minas integrados e portos privados tende a aliviar gargalos logísticos em regiões com infraestrutura saturada e custos elevados.
Em nível regional, um superporto costuma atrair cadeias de serviços, como estaleiros, bases de apoio e empresas de logística, gerando empregos e elevando a arrecadação. Em contrapartida, exige licenciamento ambiental rigoroso, planejamento urbano consistente e investimentos públicos complementares em acesso viário, ferroviário e em habitação:
Benefícios do Superporto de Eike Batista
Principais impactos econômicos, logísticos e regionais do projeto de R$ 7,8 bilhões