O pedido de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), recolocou no centro do debate público as investigações sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e seus impactos políticos em Brasília.
Como o pedido de prisão preventiva de Lulinha foi motivado?
A representação protocolada nesta quinta-feira (26/2) é liderada pela deputada Rosangela Moro (União Brasil–SP) e apoiada por 47 deputados de partidos como PL, Republicanos, PSD, PP e União Brasil. Eles pedem que o Ministério Público Federal adote medidas urgentes, em caráter cautelar, alegando risco à aplicação da lei penal e à investigação.
O grupo sustenta que novas informações, delações e relatórios fazendários reforçam suspeitas de que Lulinha teria relação com um esquema de fraudes previdenciárias atribuído ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, o que justificaria medidas mais duras. Veja publicação de Rosangela:
Quando a esquerda não consegue blindar seus protegidos, ela parte para o ataque.
— Rosangela Moro (@rosangelawm) February 26, 2026
CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha. Modus operandi do governo do amor. pic.twitter.com/EdywcZEIev
Qual é a suspeita de envolvimento de Lulinha com o “Careca do INSS”?
No centro da representação está a acusação de que Fábio Luís teria atuado como sócio oculto do “Careca do INSS”, apontado como operador financeiro de fraudes envolvendo benefícios previdenciários. Reportagem de Andreza Matais, no portal Metrópoles, é citada como ponto de partida dessa linha de apuração.
Segundo os deputados, relatórios de inteligência financeira e depoimentos colhidos no fim de 2025 indicariam pagamento de uma “mesada” mensal de cerca de R$ 300 mil a Lulinha, supostamente proveniente de propinas de associações envolvidas no esquema, em troca de apoio político para proteger interesses do grupo junto ao governo federal.
Por que a mudança para a Espanha é citada como possível risco de fuga?
Outro argumento central é a mudança de Fábio Luís para Madri, em 2025, apontada como fator de risco concreto à aplicação da lei penal. Os parlamentares destacam a facilidade de circulação dentro da União Europeia e a possibilidade de deslocamento para países sem acordo de extradição com o Brasil.
Com base nisso, afirmam que, diante do que chamam de “robustez” das novas provas, a residência no exterior deixaria de ser simples escolha pessoal e passaria a indicar potencial evasão, sustentando pedidos de inclusão na difusão vermelha da Interpol e início de processo formal de extradição.
Quais medidas cautelares são defendidas contra Lulinha?
Os deputados defendem um pacote amplo de medidas cautelares, voltadas tanto à restrição de liberdade de locomoção quanto ao monitoramento financeiro de Lulinha e de empresas a ele ligadas, para, segundo eles, preservar a investigação e eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Nessa linha, a representação lista pedidos específicos que, na visão dos autores, deveriam ser analisados pelo Ministério Público Federal e submetidos ao Judiciário:
- Decretação da prisão preventiva, com fundamento em risco à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal;
- Inclusão do nome de Fábio Luís Lula da Silva na difusão vermelha da Interpol;
- Início de processo de extradição com base no tratado entre Brasil e Espanha;
- Cancelamento imediato do passaporte brasileiro;
- Imposição de monitoramento eletrônico por tornozeleira, caso retorne ao país;
- Quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, com emissão de relatórios de inteligência financeira;
- Bloqueio de bens e ativos que possam ter relação com as suspeitas de fraudes no INSS.
Quais são os próximos passos da PGR?
Até o momento, não houve manifestação pública de Fábio Luís sobre as acusações, nem posicionamento oficial da PGR quanto ao pedido. Caberá ao Ministério Público avaliar se os elementos apresentados bastam para instaurar investigação formal ou requerer diretamente medidas ao Judiciário.
Penalistas lembram que a prisão preventiva é medida excepcional, dependente de prova de risco efetivo à investigação, à ordem pública ou à aplicação da lei, o que deve ser analisado à luz dos relatórios, das delações, do histórico de viagens e de eventuais vínculos econômicos entre Lulinha e o “Careca do INSS”, em meio a um cenário de alta repercussão política.