A construção de uma nova ponte gigante internacional entre Brasil e Paraguai está redesenhando a logística na América do Sul, encurtando distâncias entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Pacífico e impactando diretamente o comércio exterior e o trânsito de cargas.
Como será a nova ponte internacional Brasil–Paraguai na Rota Bioceânica?
A ponte sobre o rio Paraguai, com 350 metros de vão central e cerca de 1,3 quilômetro de extensão total, ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai. Ela integra o eixo principal da Rota Bioceânica, corredor que conectará o Brasil aos portos do Chile e do Peru, no Oceano Pacífico.
Quando estiver em operação, a estimativa é de que até 250 caminhões cruzem a fronteira diariamente, transformando as duas cidades em pontos-chave do transporte rodoviário sul-americano. A obra é tratada como projeto estratégico pelos dois países, ampliando competitividade e diversificando rotas hoje concentradas no Atlântico.
Como a Rota Bioceânica pode reduzir distâncias e prazos logísticos?
Na prática, a nova ligação tende a reduzir a dependência de rotas marítimas mais longas via Atlântico, Canal de Suez ou Cabo da Boa Esperança. Hoje, grande parte das mercadorias vindas da Ásia chega ao Brasil em viagens que podem levar cerca de um mês até os grandes portos do país.
Com a Rota Bioceânica, a carga pode desembarcar em portos chilenos ou peruanos no Pacífico e seguir por rodovias até o Centro-Oeste, encurtando trajetos e possibilitando novas estratégias logísticas para exportadores e importadores, com redução de até 15 dias em alguns percursos. Veja os impactos da Rota Bioceânica:
🌎Rota Bioceânica e Ganhos Logísticos
Encurta o caminho entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Pacífico, evitando a longa rota até o Atlântico.
Reduz em vários dias o envio de cargas para a Ásia ao usar o Pacífico como principal saída internacional.
Diminui gastos com combustível, pedágios e armazenagem graças ao percurso mais direto.
Conecta rodovias e portos, deixando a cadeia logística mais fluida, previsível e eficiente.
Facilita o comércio com países vizinhos sem aumentar distâncias, abrindo novas rotas comerciais.
Acelera o trânsito de mercadorias com infraestrutura planejada e processos mais ágeis.
Como está o avanço físico das obras da ponte gigante?
Após o recesso de fim de ano, os trabalhos foram retomados em 7 de janeiro de 2026 e aceleraram o ritmo, registrando avanço de cerca de 12 metros na estrutura em dez dias. Restam aproximadamente 128 metros para que as duas frentes de obra se encontrem e formem a ligação definitiva.
A estrutura principal já atingiu cerca de 82% de execução, incluindo fundações, pilares e vão central. A junção das frentes é prevista até o fim de maio de 2026, dando início à fase final de pavimentação, acabamento, drenagem, dispositivos de proteção e testes estruturais antes da liberação ao tráfego. Veja as imagens do andamento das obras na ponte (Reprodução/Instagram/@portomurtinhooficial):
Quais serão as etapas finais e os principais elementos da infraestrutura da ponte?
Na fase conclusiva, as equipes se concentram em garantir segurança, conforto e durabilidade para veículos e pedestres, além de integrar a travessia às rodovias da região. Essa etapa abrange sistemas técnicos e de acabamento essenciais para a operação contínua da ponte:
- Pavimentação do tabuleiro para circulação segura de veículos leves e pesados;
- Sinalização vertical e horizontal com placas, faixas e dispositivos de segurança;
- Implantação de calçadas e áreas de passagem para pedestres, onde previsto;
- Acabamento das pistas de rolamento e juntas de dilatação;
- Instalação de iluminação viária e ornamental para segurança e valorização visual.
Como a nova ponte gigante vai beneficiar a economia dos dois países?
O investimento total, somando ponte e acessos rodoviários, ultrapassa R$ 1 bilhão, com cerca de 30% do corredor concluído no território brasileiro e previsão de mais R$ 200 milhões do PAC até 2026. O eixo Porto Murtinho–Carmelo Peralta deve estimular novos polos logísticos, atraindo centros de distribuição, terminais de cargas e serviços de apoio ao transporte.
A integração física entre Brasil, Paraguai e demais países do Cone Sul tende a fortalecer cadeias produtivas locais, ampliar o fluxo de bens e investimentos e consolidar o Brasil como eixo estratégico de transporte na América do Sul. A plena operação dependerá também do avanço de rodovias, aduanas e infraestrutura complementar em cada país participante da Rota Bioceânica.