O Juizado Especial Cível de Brusque condenou um cidadão a devolver valores recebidos indevidamente e pagar indenização por danos morais após a retenção de R$ 2.531 enviados por equívoco. A decisão judicial estabelece um precedente rigoroso sobre a responsabilidade civil e a má-fé no uso de transferências instantâneas.
Como o erro sistêmico impediu a compra de alimentos básicos?
O autor da ação tentava realizar o pagamento de mantimentos essenciais em um supermercado quando teve a transação negada por falta de saldo. Ao conferir o aplicativo bancário, o consumidor identificou que diversas transferências via Pix haviam sido direcionadas ao réu sem qualquer autorização ou consentimento prévio.
Mesmo após tentativas de contato via mensagens para reaver o capital, o beneficiário ignorou as solicitações de estorno imediato. O magistrado Frederico Andrade Siegel destacou que a resistência em devolver o montante configurou um ato ilícito grave, ferindo a honra do poupador prejudicado.
Quais fundamentos jurídicos sustentam a condenação por enriquecimento sem causa?
A sentença baseou-se no Código Civil, que proíbe o proveito financeiro obtido às custas de outrem sem uma contraprestação de serviço ou venda. A retenção dolosa do dinheiro, ciente da origem equivocada, subverte a lógica da responsabilidade civil e exige a reparação integral dos danos causados.
A tabela abaixo detalha os valores impostos pela Justiça, incluindo as correções monetárias aplicadas sobre o montante principal devido pelo réu:
Por que a cooperativa de crédito foi absolvida no processo?
O tribunal entendeu que não houve falha na segurança bancária, uma vez que a operação ocorreu mediante o uso de senha pessoal. A responsabilidade foi atribuída exclusivamente ao recebedor, eximindo a instituição financeira de qualquer dever indenizatório neste caso específico analisado pelo TJ-SC.
O autor comprovou o nexo causal apresentando prints de conversas que demonstravam a tentativa de solução amigável frustrada pela inércia do recebedor. Confira os pontos fundamentais que agravaram a situação do réu:
- Ausência de defesa formal durante o rito processual no Juizado Especial.
- Conhecimento prévio da origem ilícita do saldo recebido em conta corrente.
- Bloqueio deliberado de canais de comunicação com a vítima do erro.
Quais são os danos morais aplicados em casos de negativação do saldo?
A privação de recursos destinados à subsistência gera um constrangimento que ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano, segundo o entendimento do magistrado. O bloqueio da compra de alimentos no caixa de um estabelecimento comercial expõe o cidadão a uma situação vexatória desnecessária.
A fixação da indenização em R$ 3.500 visa desestimular condutas de má-fé e compensar a angústia sofrida pelo autor. O descaso com o patrimônio alheio foi considerado um fator determinante para a elevação da punição financeira final.

Como proceder legalmente ao receber um Pix por engano?
A orientação jurídica padrão indica que o recebedor deve realizar a devolução imediata utilizando a funcionalidade de estorno disponível no próprio aplicativo. Caso a retenção ocorra, o beneficiário pode responder criminalmente por apropriação indébita, além das sanções civis já mencionadas no processo de Brusque.
Profissionais do Direito recomendam que a vítima registre um boletim de ocorrência e formalize a notificação antes de ingressar com uma ação judicial. A transparência na comunicação é a melhor ferramenta para evitar condenações que podem triplicar o valor originalmente envolvido na transação errônea.