A Petrobras interrompeu temporariamente a perfuração do poço Morpho, na Foz do Amazonas, após identificar um vazamento de fluido em duas linhas auxiliares que ligam o navio-sonda ao poço, em mar aberto, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, adotando a medida como forma de precaução operacional e cumprimento de protocolos ambientais na Margem Equatorial brasileira.
Como foi o vazamento no poço Morpho na Foz do Amazonas?
Segundo a Petrobras, a perda de fluido foi detectada no domingo (4/1) e, assim que o problema foi identificado, o sistema foi contido e isolado. A perfuração foi suspensa para que as tubulações fossem içadas até a superfície, avaliadas em detalhe e submetidas a reparos, seguindo o plano de emergência aprovado pelos órgãos ambientais.
A empresa reforçou que não há danos estruturais à sonda ou ao poço Morpho e que as condições de segurança permanecem sob controle. A estatal destacou que o episódio é classificado como incidente operacional de baixa gravidade, mas que exige monitoramento contínuo e registro detalhado para fins de licenciamento e transparência.
O que se sabe sobre o fluido de perfuração e o papel do Ibama?
A Petrobras informou que o material liberado foi fluido de perfuração, conhecido como “lama”, de base aquosa, usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e manter a pressão estável. Segundo a companhia, o produto atende a limites de toxicidade, é considerado biodegradável e de baixa periculosidade para o meio ambiente e para as pessoas.
O Ibama confirmou que foi comunicado e esclareceu que não houve vazamento de petróleo, classificando o caso como problema de despressurização associado à liberação de fluido hidráulico biodegradável. O órgão ressaltou que a sonda ainda não alcançou a camada onde poderia haver óleo, com previsão de contato com possíveis reservatórios somente em fevereiro.
Por que a perfuração na Foz do Amazonas é estratégica para a Petrobras?
A perfuração na Foz do Amazonas integra um programa exploratório na Margem Equatorial, faixa marítima do Amapá ao Rio Grande do Norte vista como nova fronteira de petróleo e gás. Em outubro de 2025, o Ibama concedeu licença para um poço em águas profundas, com foco exclusivo em pesquisa exploratória, sem produção nesta fase inicial.
O objetivo é coletar dados geológicos para verificar a existência de petróleo e gás em escala comercial, em bloco localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas. Estudos do governo indicam que essa região pode ter relevância estratégica comparável ao pré-sal para a segurança energética e para a arrecadação futura de royalties.
Quais são as principais preocupações ambientais na Foz do Amazonas?
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas gera debates sobre possíveis impactos em recifes, corais de águas profundas e áreas de reprodução de peixes e mamíferos marinhos. Organizações ambientalistas também alertam para a dificuldade de resposta a incidentes em mar aberto e em áreas remotas, reforçando a necessidade de planos robustos de contingência.
Para contextualizar melhor essas discussões, destacam-se alguns pontos frequentemente mencionados por especialistas, ambientalistas e defensores da exploração na região:
- Risco de impactos em ecossistemas sensíveis e conectados à bacia amazônica.
- Desafios logísticos e de tempo de resposta a emergências em alto-mar.
- Potencial de geração de empregos, receitas fiscais e royalties para estados e municípios.
- Importância da Margem Equatorial para a segurança energética e diversificação da produção.
O que deve acontecer a partir de agora na operação da Petrobras?
Com a perfuração suspensa, a etapa imediata envolve inspeção completa das linhas auxiliares, substituição de componentes danificados e checagem dos sistemas de pressão e vedação. A retomada da perfuração dependerá de validação interna da companhia, do acompanhamento do Ibama e da comprovação de que as causas do vazamento foram plenamente sanadas.
A Petrobras deve apresentar relatórios técnicos sobre a causa do incidente, volume de fluido liberado e ações de mitigação adotadas, documentos que serão avaliados por órgãos públicos e especialistas. Esse histórico poderá influenciar futuros pedidos de licença na Margem Equatorial e servir como referência para políticas de exploração offshore em áreas ambientalmente sensíveis.