Em meio a uma escalada de tensões na política externa norte-americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país pretende realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas no México, reacendendo o debate sobre segurança regional, combate ao narcotráfico e respeito à soberania de países latino-americanos, especialmente após uma operação militar recente na Venezuela.
Como Trump explica os ataques terrestres dos EUA contra cartéis no México?
Durante entrevista à Fox News na noite desta quinta-feira (8/1), Trump afirmou que seu governo teria reduzido em cerca de 97% a entrada de drogas por via marítima e que o próximo passo seria “atacar por terra em relação aos cartéis”. O presidente descreveu os grupos criminosos como forças que “comandam o México” e responsabilizou o tráfico de drogas por centenas de milhares de mortes anuais em território norte-americano.
Trump associou diretamente a violência dos cartéis à situação interna dos EUA, citando impactos em famílias e perdas de filhos e pais relacionadas ao uso e ao comércio de entorpecentes como cocaína e fentanil. Ele sugeriu ampliar o combate iniciado no mar para as rotas terrestres, que seguem sendo amplamente utilizadas para o tráfico de drogas em direção à fronteira. Veja o trecho da entrevista (Reprodução/X/@RapidResponse47):
.@POTUS on the capture of Maduro: "It wasn't a hard decision… He killed a lot of people. He sent a lot of bad people into our country." pic.twitter.com/LEXfLMycsT
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) January 9, 2026
Como o México reage à possibilidade de operações militares dos EUA?
Horas antes da entrevista de Trump, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, reforçou que o país mantém cooperação em segurança com os Estados Unidos, mas rejeita qualquer violação de sua soberania. Ela afirmou que o governo mexicano não busca conflitos com Washington, destacando parcerias com o Comando Norte e com agências norte-americanas, sempre com a defesa do território nacional como prioridade.
Até a última atualização, o governo mexicano não havia emitido resposta oficial direta à fala sobre ataques terrestres contra cartéis no México, indicando uma avaliação cautelosa dos impactos diplomáticos e internos. No debate público mexicano, o tema mobiliza memórias de intervenções estrangeiras e, ao mesmo tempo, a pressão social por respostas à violência dos cartéis.
Qual é o contexto regional após a operação militar dos EUA na Venezuela?
A ameaça de ações em solo mexicano ocorre poucos dias depois de uma ampla operação militar norte-americana na Venezuela, em 3 de janeiro de 2026. Na ocasião, os Estados Unidos realizaram bombardeios e operações de forças especiais em Caracas e outras regiões, que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados aos EUA para responder a acusações de narcotráfico.
O governo venezuelano informou a morte de cerca de 100 pessoas durante a operação, entre civis, militares e integrantes das forças de segurança de Cuba que estavam no país. Trump declarou que os Estados Unidos administrariam a Venezuela durante um período de transição e controlariam as reservas de petróleo, consolidando uma mudança de postura na política externa com uso direto da força militar na América Latina.
Como a Colômbia entra no discurso de Trump sobre narcotráfico?
Além do México e da Venezuela, a Colômbia passou a ser citada por Trump em declarações recentes. O presidente norte-americano afirmou que o país estaria “muito doente”, governado por um líder que “gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”, em referência a Gustavo Petro, chegando a sugerir que uma operação militar na Colômbia “soa bem”.
Petro relatou ter tido, em 7 de janeiro, a primeira conversa telefônica com Trump desde o início do mandato do norte-americano, concentrada em Venezuela e narcotráfico. Diante desse cenário, governos da região discutem mecanismos diplomáticos e fóruns multilaterais para tentar conter uma escalada militarizada da política antidrogas dos EUA. O anúncio de possíveis ataques terrestres contra cartéis no México e a recente ação na Venezuela levantam dúvidas sobre limites legais, impactos regionais e eficácia dessas medidas. Para compreender melhor o cenário, alguns pontos costumam ser levantados em debates de especialistas em direito internacional, segurança e política externa.