A ponte internacional da Rota Bioceânica, que ligará Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, entra na fase decisiva de construção. A estrutura está a apenas 128 metros de completar o vão central sobre o Rio Paraguai, etapa que marcará a união física entre os dois países e consolidará um dos principais marcos de integração rodoviária da América do Sul, encurtando distâncias entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
O que é a Rota Bioceânica e qual a importância estratégica da ponte?
A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário internacional de cerca de 2.396 quilômetros, projetado para conectar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. O trajeto liga o Brasil aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, passando por Paraguai e Argentina, e reposiciona o Centro-Oeste brasileiro no mapa logístico sul-americano.
Nesse contexto, a ponte da Rota Bioceânica é peça-chave, pois garante a travessia sobre o Rio Paraguai e integra de forma direta a malha rodoviária regional. Com o funcionamento pleno da rota, exportações brasileiras com destino à Ásia podem ganhar até 17 dias em relação ao trajeto via Porto de Santos, favorecendo carnes, açúcar, farelo de soja, couros e outras cargas industriais.
Quais são as principais características técnicas da ponte?
A ponte da Rota Bioceânica terá 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura, com tabuleiro elevado a 35 metros acima da calha do Rio Paraguai para permitir a navegação. O projeto inclui um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura, demandando soluções de engenharia de grande porte e rígido controle de segurança.
O investimento de US$ 100 milhões na ponte é integralmente financiado pela Itaipu Binacional, do lado paraguaio. A construção começou em 14 de janeiro de 2022 e integra um pacote mais amplo de obras de infraestrutura no Paraguai, totalizando US$ 1,1 bilhão em um trecho de 580 quilômetros entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo. Veja os detalhes da ponte:
| Item | Características |
|---|---|
| Localização | • Liga Porto Murtinho (MS, Brasil) a Carmelo Peralta (Paraguai) • Travessia sobre o rio Paraguai |
| Tipo de ponte | • Ponte estaiada (com cabos de sustentação) |
| Extensão total | • Cerca de 1,2 km de comprimento |
| Vão principal | • Aproximadamente 350 m |
| Largura | • Em torno de 21 m |
| Pistas | • Duas faixas de rolamento (uma por sentido) |
| Infraestrutura adicional | • Acostamentos • Passagem para pedestres e ciclistas |
| Função logística | • Integração da Rota Bioceânica • Conexão entre Atlântico e Pacífico |
| Impacto econômico | • Redução de custos logísticos • Facilitação do comércio internacional |
| Financiamento | • Recursos do Brasil, com apoio da Itaipu Binacional |
| Importância estratégica | • Integração regional • Fortalecimento do Mercosul e do corredor bioceânico |
Como estão distribuídos os investimentos na infraestrutura?
Para viabilizar a operação plena da Rota Bioceânica, os recursos destinados à região abrangem não apenas a ponte, mas também rodovias complementares e obras de pavimentação. Essa distribuição busca garantir continuidade do fluxo de cargas e reduzir gargalos logísticos ao longo do corredor internacional:
- US$ 440 milhões destinados ao trecho Carmelo Peralta – Loma Plata;
- US$ 100 milhões aplicados na ponte internacional;
- US$ 354 milhões voltados à pavimentação da Picada 500 (PY-15);
- US$ 200 milhões previstos para o segmento entre Centinela e Mariscal.
Como avançam as obras e quais são os prazos previstos?
A retomada dos trabalhos ocorreu em 7 de janeiro de 2026, após o recesso de fim de ano, e em dez dias houve avanço de 12 metros no trecho central da ponte. Dos 350 metros que compõem o vão sobre o rio, resta pouco mais de um terço para que as frentes de obra, partindo de cada margem, se encontrem, etapa estratégica para o cronograma.
A responsabilidade pela execução da ponte é do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, sob coordenação do engenheiro paraguaio Renê Gómez. Após o encontro das duas metades, inicia-se a fase final, com implantação de calçadas, pistas, pavimentação, iluminação e sinalização, prevista para avançar até agosto. Veja detalhes das obras no vídeo divulgado pelo Ministério dos Transportes no Instagram:
Como serão os acessos à ponte e qual será o impacto no transporte regional?
Paralelamente ao vão principal, seguem as obras dos viadutos que formarão as cabeceiras da ponte nos dois países, incluindo sistemas de controle aduaneiro. No lado brasileiro, está em andamento a alça de acesso, um trecho de 13,1 quilômetros projetado para conectar a BR-267 à ponte em Porto Murtinho, orçada em cerca de R$ 574 milhões.
A expectativa é que a ponte sobre o Rio Paraguai seja entregue no primeiro semestre de 2026, enquanto alças de acesso e ajustes na rodovia devem ser concluídos até 2028. Esse descompasso exigirá planejamento de operação por parte das autoridades de transporte e aduana, para evitar congestionamentos e garantir que o novo corredor realmente reduza prazos e custos logísticos.
FAQ sobre a Ponte da Rota Bioceânica
- Quais setores econômicos tendem a ser mais beneficiados com a conclusão da ponte? Principalmente o agronegócio e a indústria exportadora do Centro-Oeste brasileiro, além de operadores logísticos, comércio fronteiriço e serviços de transporte nos países envolvidos.
- Haverá cobrança de pedágio ou regras especiais de circulação na ponte internacional? A definição sobre pedágio, tarifas e normas operacionais ainda depende de acordos binacionais e de regulamentação conjunta entre Brasil e Paraguai.
- Quais desafios ainda podem afetar o pleno funcionamento da Rota Bioceânica? A conclusão dos acessos rodoviários, a harmonização dos sistemas aduaneiros e o alinhamento entre os países são pontos críticos para evitar gargalos logísticos após a entrega da ponte.