O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia voltou ao centro do noticiário internacional depois de novas declarações de Donald Trump. O presidente americano afirmou que o país precisa “tomar conta” da ilha ártica por razões de segurança nacional e indicou que pretende revisar o tema nas próximas semanas, o que reacendeu um debate que combina geopolítica, recursos naturais, mudanças climáticas e disputas de soberania.
Por que Trump voltou a focar sua atenção na Groenlândia?
Trump, que desde 2025 relaciona a Groenlândia à sua agenda de defesa e de expansão de influência, afirmou que quer discutir o futuro do território em cerca de 20 dias. Segundo ele, os Estados Unidos têm um “interesse estratégico” na região e a Dinamarca não teria condições de protegê-la sozinha, ligando diretamente a situação da ilha ao novo ciclo de tensão militar iniciado pela recente ofensiva americana na Venezuela.
Depois das operações militares na Venezuela e de ataques verbais contra Cuba e Colômbia, o governo americano passou a associar a Groenlândia à necessidade de ampliar zonas de vigilância e controle no Ártico. Aliados de Trump defendem que a ilha poderia funcionar como um “escudo avançado” para monitorar rotas aéreas e marítimas e eventuais movimentos de rivais estratégicos, em um cenário de derretimento de geleiras e abertura de novas rotas de navegação.
O que está em disputa no interesse estratégico dos EUA pela Groenlândia?
O interesse dos EUA pela Groenlândia não é recente, mas ganhou novo fôlego com as mudanças geopolíticas e climáticas no Ártico. Além da localização privilegiada, o território é visto como um potencial celeiro de recursos naturais sensíveis para a economia global, como terras raras, lítio, níquel, cobre e zinco, fundamentais para tecnologias avançadas e a transição energética.
A isso se somam reservas ainda pouco exploradas de petróleo e gás, bem como a crescente atenção à água doce armazenada em geleiras, em um mundo preocupado com segurança hídrica. Em um cenário de disputa por insumos estratégicos, a Groenlândia aparece, para Washington, como um ativo capaz de reduzir dependências externas e ampliar o controle sobre cadeias de suprimentos críticas, enquanto internamente 85% da população rejeita a integração aos Estados Unidos.
Como a comunidade internacional reagiu?
A resposta oficial dinamarquesa foi rápida: a primeira-ministra Mette Frederiksen classificou a narrativa de que os EUA precisariam controlar a Groenlândia como sem fundamento jurídico. Ela ressaltou que a ilha integra o Reino da Dinamarca, não há base legal para uma anexação americana e já existem acordos que permitem cooperação militar entre EUA, Dinamarca e Groenlândia dentro da Otan.
Em Nuuk, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, chamou a linguagem do governo americano de “completamente inaceitável” e pediu respeito à soberania do povo da Groenlândia. Países nórdicos como Suécia, Noruega e Finlândia, além de Reino Unido, França e Canadá, declararam apoio à posição de Copenhague, reforçando que o atual arranjo jurídico e político é suficiente para garantir a segurança regional.
Qual é o papel das redes sociais e do debate público sobre a Groenlândia?
Enquanto autoridades trocavam declarações, o tema “Trump e Groenlândia” ganhou força nas redes sociais, com apoiadores do presidente americano compartilhando mapas da ilha com a bandeira dos EUA. As imagens provocativas ampliaram a percepção de pressão sobre dinamarqueses e groenlandeses, alimentando discussões sobre imperialismo, autodeterminação e disputas no Ártico, além de atrair a atenção de novos grupos de interesse econômico e ambiental.
Para a Groenlândia, esse ambiente digital gera um efeito duplo: de um lado, coloca a ilha no centro da atenção mundial; de outro, reforça receios de que o território esteja sendo tratado apenas como peça em um tabuleiro geopolítico maior. Especialistas apontam que as tensões entre os Estados Unidos e outros atores globais tendem a manter o Ártico, sua governança e seus recursos naturais em evidência constante na agenda internacional.
FAQ sobre Trump e Groenlândia
- Por que a Groenlândia é tão importante para os EUA? A ilha combina posição estratégica no Ártico com recursos naturais valiosos, como terras raras, minerais críticos, petróleo, gás e grandes reservas de água doce.
- A Groenlândia pode decidir se quer se tornar independente? O território possui amplo autogoverno e, dentro do Reino da Dinamarca, pode avançar gradualmente em direção a maior autonomia, desde que isso seja aprovado pelos próprios groenlandeses.
- Os EUA já tentaram comprar a Groenlândia no passado? Há registros históricos de interesse americano desde o século XX, incluindo propostas de compra e negociações sobre bases militares, embora nenhuma tenha resultado em mudança de soberania.
- Qual é a população aproximada da Groenlândia hoje? A ilha tem uma população pequena, em torno de pouco mais de 50 mil habitantes, concentrada principalmente em cidades costeiras.