Localizada a cerca de 30 km do centro de Santarém, no oeste do Pará, a vila de Alter do Chão é um fenômeno turístico global. Eleita pelo jornal inglês The Guardian como o destino com a praia de água doce mais bonita do mundo, a vila do “Caribe Amazônico” oferece um cenário surreal onde a selva amazônica encontra praias de areia branca e águas cristalinas, mornas e calmas, desmistificando a ideia de que a Amazônia é feita apenas de rios barrentos.
Por que é chamada de Caribe da Amazônia?
O apelido não é exagero. Diferente do Rio Amazonas, que é sedimentoso e turvo, o Rio Tapajós possui águas límpidas que variam entre o azul-turquesa e o verde-esmeralda, dependendo da profundidade e da luz solar. Durante a época de seca (vazante do rio), bancos de areia branca emergem no meio do rio, criando praias paradisíacas dignas de cartão-postal.
O ícone máximo desse cenário é a Ilha do Amor, uma língua de areia que surge bem em frente à vila. A travessia é feita em poucos minutos por canoas a remo (as “catraias”), mantendo o charme rústico e a tranquilidade do local. Lá, o visitante pode sentar-se com os pés na água morna, comer peixe frito e observar os botos que frequentemente vêm à superfície.
Descubra o paraíso das praias de água doce no coração da Amazônia. O vídeo do canal Rolê Família (março de 2025) apresenta um guia completo sobre Alter do Chão, uma vila em Santarém (Pará), destacando as melhores épocas, passeios, preços e dicas de hospedagem:
Onde a floresta se torna encantada?
O turismo em Alter do Chão é uma imersão na biodiversidade. Um dos passeios mais mágicos é a visita ao Lago Verde (ou Lago dos Muiraquitãs). Durante a cheia, é possível navegar de canoa por entre as copas das árvores submersas na chamada Floresta Encantada, um igapó de águas transparentes que reflete a vegetação como um espelho, criando uma atmosfera de fantasia e silêncio.
Para quem busca vistas panorâmicas, a trilha da Serra da Piraoca é obrigatória. Sendo o ponto mais alto da região, oferece uma visão de 360 graus que abrange o Rio Tapajós, o Lago Verde e a imensidão da floresta amazônica, sendo o local perfeito para ver o nascer ou o pôr do sol.
O que provar e onde ver o pôr do sol?
A gastronomia tapajônica é uma atração à parte. Não se pode sair de Alter sem provar o bolinho de piracuí (farinha de peixe), o pato no tucupi e o tacacá na orla. O pôr do sol é um ritual diário, e os melhores lugares para assisti-lo são:
- Ponta do Cururu: Uma ponta de areia deserta que avança rio adentro; dezenas de barcos reúnem-se aqui ao entardecer para ver o sol mergulhar na água, muitas vezes acompanhado por botos.
- Ponta do Muretá: Outro ponto estratégico para ver o astro rei e nadar em águas calmas longe do movimento da vila.
- FLONA (Floresta Nacional do Tapajós): Para os aventureiros, passeios guiados levam a árvores gigantescas como a vovó Samaúma, permitindo sentir a energia da mata primária.
O nível do rio define a viagem?
Sim, Alter do Chão muda completamente conforme o regime de chuvas. Existem duas “Alters”: a da cheia (floresta e canoa) e a da seca (praia). Para ver as praias famosas, é crucial viajar no segundo semestre.
Segundo o clima amazônico, a “seca” (verão amazônico) é a alta temporada.
| Estação/Meses | Nível do Rio | O que esperar |
|---|---|---|
| Inverno Amazônico (Fev-Jun) | Rio sobe (Cheia) | Chuvas constantes; as praias somem submersas; ideal para passeios de barco na floresta (igapós). |
| Vazante (Jul-Ago) | Rio começa a baixar | As primeiras faixas de areia aparecem; chuvas diminuem. |
| Verão Amazônico (Set-Dez) | Rio baixo (Seca) | Auge das praias de areia branca; muito sol e calor; época do Sairé (setembro). |
| Enchente (Jan) | Rio começa a subir | As praias começam a diminuir; transição para a época chuvosa. |
Motivos para navegar até Alter
Alter do Chão oferece a experiência amazônica mais acessível e paradisíaca do Brasil.
- A combinação de banho de rio em águas mornas e transparentes com a vista da selva é única no planeta.
- A cultura do Carimbó e a lenda dos Botos oferecem uma imersão folclórica vibrante.
- A culinária local, baseada em peixes frescos e frutas da floresta (como o taperebá), é inesquecível.
Você precisa atravessar de catraia para a Ilha do Amor e comer um peixe assado na brasa com os pés na areia para entender a magia do Tapajós.