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Início Política

O ‘afago’ de Xi Jinping a Lula em meio a tensões internacionais

Por Junior Melo
23/jan/2026
Em Política
O 'afago' de Xi Jinping a Lula em meio a tensões internacionais

Xi Jinping e Lula - Foto: © Ricardo Stuckert/PR

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Em meio a um cenário global marcado por tensões políticas e disputas de influência, a promessa de apoio feita por Xi Jinping a Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção de observadores internacionais. Em conversa telefônica realizada nesta sexta-feira (23/1), o presidente chinês garantiu respaldo ao Brasil e ao chamado Sul Global, destacando a importância de preservar o papel das Nações Unidas em uma fase descrita como de “conjuntura internacional turbulenta”, após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a detenção de Nicolás Maduro para responder a acusações de tráfico de drogas em território norte-americano.

Como Xi Jinping promete apoiar o Brasil em tempos turbulentos?

Segundo a agência estatal Xinhua, o líder chinês afirmou que China e Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e atuar de forma conjunta para manter o papel central das Nações Unidas na governança mundial.

Na prática, essa mensagem reforça a parceria estratégica entre os dois países, que já cooperam em fóruns como o BRICS e o G20. Ao enfatizar o apoio em um momento de tensão, Pequim sinaliza que vê Brasília como parceiro relevante na disputa por influência entre países em desenvolvimento, somando alinhamento político a laços econômicos robustos em setores como commodities agrícolas, minerais e transição energética.

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Como o apoio chinês se relaciona com a crise na Venezuela?

A troca de mensagens entre Xi Jinping e Lula ocorreu em meio à forte repercussão internacional da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. A detenção de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, para ser processado por tráfico de drogas, mergulhou Caracas em incerteza política e reacendeu debates sobre soberania, limites do uso da força e o papel das potências na América Latina.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em entrevista à BBC Radio 4 que os Estados Unidos atuaram com impunidade e que princípios fundamentais da organização, como a igualdade entre Estados-membros, estavam sob ameaça. A posição de Guterres ecoa a defesa feita por Lula em artigo no The New York Times, no qual o presidente brasileiro reiterou que o futuro da Venezuela deve permanecer nas mãos de seu povo, criticando intervenções unilaterais.

O que significa a defesa do Sul Global por China e Brasil?

O conceito de Sul Global, amplamente utilizado pela diplomacia chinesa e também por Brasília, engloba países da América Latina, África e Ásia que buscam maior voz nas decisões internacionais. Nesse contexto, o apoio chinês ao Brasil reforça a tentativa de articular um bloco político mais coeso, com ênfase em desenvolvimento, soberania e reforma da governança global.

Esse movimento se expressa em iniciativas coordenadas e em pautas comuns levadas a fóruns multilaterais, como BRICS, G20 e ONU, onde China e Brasil procuram ampliar a representação de países em desenvolvimento. Entre os principais eixos dessa agenda conjunta do Sul Global, destacam-se:

  • Reforma das instituições multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU, para refletir melhor o peso dos países em desenvolvimento;
  • Defesa de soluções negociadas para crises políticas e conflitos regionais, priorizando diálogo e mediação;
  • Maior participação em decisões globais sobre segurança, comércio, finanças e clima, evitando assimetrias históricas;
  • Resistência a intervenções militares unilaterais, sem respaldo amplo da comunidade internacional.

Quais são os impactos para o Brasil?

Para o Brasil, a promessa de apoio da China reforça a percepção de que o país ocupa posição relevante em debates sobre a ordem internacional. A combinação de peso econômico, capacidade diplomática e liderança regional torna o Brasil um interlocutor estratégico tanto para Washington quanto para Pequim, ainda que isso exija constante equilíbrio entre interesses divergentes.

Ao se alinhar ao discurso de defesa da soberania venezuelana e do multilateralismo, o governo brasileiro sinaliza que pretende atuar como mediador e não como aliado automático de qualquer bloco. Essa postura pode gerar tensões pontuais com os Estados Unidos, mas também amplia o espaço de manobra diplomática de Brasília na construção de pontes entre Norte e Sul globais.

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