A nova ponte de integração entre Brasil e Paraguai começa enfim a receber veículos, após um período de três anos praticamente parada. A liberação do tráfego foi anunciada em dezembro de 2025, marcando uma nova etapa na ligação rodoviária entre Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, e Presidente Franco, no lado paraguaio. A obra, concluída e inaugurada em 2022, permaneceu sem uso efetivo por causa de pendências operacionais e de infraestrutura.
Como é a nova ponte entre Brasil e Paraguai?
A nova ponte entre Brasil e Paraguai, conhecida como ponte de integração sobre o Rio Paraná, tem 760 metros de extensão e foi construída com duas pistas simples de 3,6 metros de largura cada. Essa configuração permite o tráfego em ambos os sentidos, com foco inicial em caminhões, especialmente aqueles dedicados ao transporte internacional de mercadorias.
O projeto conecta diretamente Foz do Iguaçu a Presidente Franco, criando uma alternativa à Ponte Internacional da Amizade. Inserida em um corredor logístico mais amplo, integrado a rodovias brasileiras e paraguaias, a ponte deve encurtar percursos para o transporte de produtos agrícolas, industriais e de comércio em geral.
Por que a nova ponte de integração ficou três anos sem uso efetivo?
A diferença entre a inauguração em dezembro de 2022 e a efetiva liberação do tráfego em dezembro de 2025 está ligada a entraves operacionais. Embora a parte física da obra estivesse pronta, faltavam postos aduaneiros, acessos viários definitivos e sistemas de controle de fronteira, o que inviabilizava o fluxo regular de veículos com segurança.
Além da infraestrutura, ajustes burocráticos e acordos entre os dois países foram necessários para alinhar normas de fiscalização, segurança, transporte e comércio exterior. As negociações diplomáticas, que começaram há cerca de 33 anos, exigiram equilíbrio entre interesses logísticos, aduaneiros e políticos até a operação plena. Veja os detalhes:
- Falta de acessos viários: as estradas de ligação, sobretudo no lado paraguaio, não ficaram prontas junto com a ponte.
- Infraestrutura aduaneira incompleta: postos de fronteira, alfândega e áreas de fiscalização demoraram a ser concluídos.
- Entraves burocráticos e acordos bilaterais: definições operacionais entre Brasil e Paraguai levaram mais tempo que o previsto.
- Licenças e ajustes ambientais: exigências técnicas atrasaram a liberação plena do tráfego.
- Impactos da pandemia e do orçamento: atrasos em obras, repasses e cronogramas afetaram o início do uso efetivo.
Como a nova ponte impacta o trânsito na Ponte da Amizade?
O principal objetivo da nova ligação é desafogar o tráfego na Ponte da Amizade, hoje responsável por concentrar o fluxo rodoviário da região. Cerca de 400 caminhões cruzam diariamente a ponte atual, dividindo espaço com veículos leves e turistas, o que gera congestionamentos em horários de pico e datas de maior movimento.
Com a abertura gradual da nova ponte, o plano é direcionar parte relevante do trânsito de cargas, inicialmente com caminhões sem carga. A redistribuição do fluxo tende a reduzir filas, encurtar tempos de deslocamento e oferecer maior previsibilidade para trabalhadores, turistas, comerciantes e transportadores que atuam na Tríplice Fronteira.
| Aspecto | Ponte da Amizade (antes) | Ponte da Amizade (após nova ponte) |
|---|---|---|
| Fluxo de caminhões | Muito alto | Reduzido |
| Congestionamentos | Frequentes | Menos frequentes |
| Tempo de travessia | Elevado | Menor |
| Tráfego turístico | Misturado com cargas | Mais fluido |
| Capacidade operacional | Saturada | Aliviada |
Qual é o papel político e econômico da nova ponte entre Brasil e Paraguai?
A inauguração da operação contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro dos Transportes, Renan Filho, às margens da Cúpula do Mercosul. A obra reforça a integração regional, amplia a infraestrutura compartilhada e facilita o comércio dentro do bloco, ao criar uma segunda rota oficial entre os dois países na área da Tríplice Fronteira.
Do ponto de vista econômico, a ponte tende a favorecer o escoamento de produtos agrícolas, industriais e de importação, estimulando investimentos em logística, armazenagem e serviços de transporte internacional. A existência de uma rota alternativa também aumenta a resiliência do sistema viário fronteiriço, reduzindo a dependência exclusiva da Ponte da Amizade. Veja imagens da ponte no vídeo divulgado pelo governo federal:
FAQ sobre a nova ponte Brasil–Paraguai
- A nova ponte é exclusiva para caminhões? Inicialmente, a liberação é voltada a caminhões sem carga, mas o projeto prevê uso ampliado, com diferentes tipos de veículos, conforme avanço das etapas operacionais.
- Qual é a diferença entre Presidente Franco e Ciudad del Este? As duas cidades são paraguaias e vizinhas, mas a nova ponte conecta Foz do Iguaçu diretamente a Presidente Franco, enquanto a Ponte da Amizade liga Foz a Ciudad del Este.
- A travessia pela nova ponte será pedagiada? Até o momento, as informações divulgadas concentram-se na liberação gradual do tráfego; eventuais cobranças ou modelos tarifários dependem de definições posteriores das autoridades.
- A ponte altera rotas turísticas em Foz do Iguaçu? A tendência é que a nova estrutura tenha impacto maior no transporte de cargas, mas, com o tempo, pode oferecer rotas alternativas também para deslocamentos turísticos pela região fronteiriça.