A sequência de tempestades de neve que atinge o leste da Rússia desde a última segunda-feira (12/1) transformou cidades inteiras em verdadeiros labirintos de gelo, com neve encobrindo prédios de vários andares, alterando a rotina de milhares de moradores e pressionando segurança pública, transporte e serviços básicos.
Como a nevasca extrema na Rússia transforma cidades em labirintos de gelo?
De acordo com autoridades locais, a nevasca extrema na Rússia teve início com sistemas de baixa pressão formados sobre o mar de Okhotsk, que avançaram em sequência sobre o leste do país. Em poucos dias, o acúmulo já ultrapassou três metros em diversos pontos, cobrindo veículos e bloqueando totalmente térreos de prédios residenciais.
Moradores relatam que, em alguns bairros, a neve chegou à altura do quarto andar de edifícios, formando verdadeiras paredes brancas ao redor das construções. Ruas inteiras desapareceram sob blocos de neve compactada, dificultando a circulação de ambulâncias, caminhões de limpeza e viaturas de resgate, o que levou à suspensão de aulas, redução do transporte público e interdição de estradas. Veja imagens da nevasca (Reprodução/X/@thepagetody):
#BREAKING #Russia's #Kamchatka Peninsula is buried under record snowfall,the heaviest in 30 years. Successive cyclones dumped up to 1.5m+ of snow, paralyzing Petropavlovsk-Kamchatsky, burying buildings, & triggering a state of emergency. fatalities reported #kamchatkasnow #snow pic.twitter.com/jrG00HioNa
— Thepagetoday (@thepagetody) January 17, 2026
Quais os impactos da nevasca extrema na Rússia?
Pelo menos duas pessoas morreram após o desabamento de grandes massas de neve e gelo acumuladas em telhados, o que levou o Comitê Investigativo da Rússia a abrir um inquérito criminal para apurar possíveis falhas de segurança e manutenção. As vítimas, de 60 e 63 anos, foram atingidas por blocos que se desprenderam de prédios residenciais e acabaram soterradas.
Autoridades apontam que a limpeza preventiva dos telhados não acompanhou o ritmo do acúmulo de neve, gerando camadas instáveis que podem se soltar de forma repentina, especialmente com oscilações de temperatura e ventos fortes. Diante do aumento de acidentes e chamados para serviços de emergência, foi decretado estado de emergência em diferentes localidades para acelerar contratações, mobilizar maquinário pesado e destinar recursos extras à remoção da neve.
Quais medidas estão sendo tomadas para enfrentar o caso?
Com bairros inteiros isolados, o foco inicial é garantir acesso a serviços essenciais e proteção a grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Equipes do Ministério de Situações de Emergência abrem túneis na neve para alcançar portas e garagens bloqueadas, e em alguns casos o resgate precisa ser feito por andares superiores devido ao bloqueio total do nível da rua.
Para reduzir riscos imediatos à população e restabelecer a circulação mínima, diversas ações emergenciais foram colocadas em prática pelas autoridades locais e equipes de resposta a desastres:
- Remoção intensiva de neve em telhados, calçadas e entradas de prédios para diminuir o risco de desabamentos;
- Uso de máquinas pesadas, como escavadeiras e caminhões, para liberar vias principais e rotas de ambulâncias;
- Monitoramento constante de áreas com maior acúmulo de neve, incluindo escolas, hospitais e prédios públicos;
- Instalação de abrigos temporários para moradores que precisem deixar suas casas por danos estruturais ou falta de aquecimento.
Quais as previsões para os próximos dias?
Meteorologistas indicam a manutenção das condições severas pelo menos até o final da semana, com neve pesada, ventos fortes e visibilidade muito reduzida. Esse cenário aumenta o risco de novos acidentes em estradas, quedas de galhos, desabamentos de estruturas frágeis e desprendimento de placas de gelo, exigindo que a população reduza deslocamentos ao estritamente necessário.
Eventos desse tipo não são desconhecidos em áreas de clima subártico, mas a sucessão de tempestades em curto intervalo e o volume de neve chamam a atenção de especialistas. Pesquisadores monitoram possíveis ligações com padrões de aquecimento dos oceanos e mudanças na circulação atmosférica, enquanto autoridades reforçam sistemas de alerta, revisão de normas de construção e ampliação da limpeza preventiva de telhados para prevenir tragédias futuras.