A Evergreen Point Floating Bridge ganhou destaque mundial por adotar uma solução pouco usual: em vez de apoiar toneladas de concreto em pilares fincados no leito, toda a estrutura foi planejada para boiar permanentemente sobre o Lago Washington, transformando a travessia entre Seattle e Medina em um laboratório em escala real de engenharia adaptativa.
Por que foi escolhida uma ponte flutuante no Lago Washington?
A escolha por uma ponte flutuante não veio de preferência estética, mas de limitação física. O lago atinge profundidades superiores a 60 metros e apresenta camadas de sedimentos frágeis, pouco adequadas para fundações profundas. Forçar um projeto convencional implicaria cravar milhares de estacas até um substrato resistente, elevando custos, prazos e riscos ambientais.
Diante desse cenário, a alternativa foi inverter a lógica: em vez de buscar apoio no fundo, concentrar o suporte na própria superfície da água. Essa solução permitiu vencer uma travessia longa com mínima interferência no leito, preservando o ecossistema local e garantindo a viabilidade econômica da ligação entre áreas urbanas densamente ocupadas.
Como funciona a ponte Evergreen Point Floating?
Na prática, a Evergreen Point Floating Bridge é formada por grandes blocos de concreto armado ocos, alinhados ao longo de aproximadamente 2,35 quilômetros. Esses flutuadores se comportam como “barcaças fixas”, fornecendo empuxo suficiente para sustentar o peso da via, do tráfego diário e das ações do vento e das ondas, com a pista aparentando ser uma única faixa contínua de concreto sobre o lago.
O concreto utilizado nos pontões é formulado para suportar exposição permanente à água doce e ciclos térmicos, e o interior compartimentado reduz o risco de perda de flutuabilidade em caso de danos localizados. Para impedir que a ponte derive lateralmente, conjuntos de cabos e sistemas de ancoragem flexíveis prendem os módulos ao leito, permitindo movimentos controlados sem travar a estrutura.
| Item | Dados principais |
|---|---|
| Nome oficial | SR 520 Albert D. Rosellini Evergreen Point Floating Bridge |
| Tipo | Ponte flutuante (pontoon) |
| Localização | Seattle a Bellevue, cruzando o Lake Washington (EUA) |
| Extensão | 7 710 ft (2 350 m), mais longa ponte flutuante do mundo |
| Largura | 113 – 116 ft (34,5 – 35 m), também a mais larga do tipo |
| Estruturas de apoio | 77 pontões de concreto flutuantes; 58 âncoras ao fundo do lago |
| Capacidade de tráfego | 6 faixas de veículos (incluindo faixas HOV) |
| Caminho para pedestres/ bicicletas | Sim, trilha multiuso de 14 ft de largura |
| Projeto e construção | Concluída, inaugurada em 2016 (substituiu ponte antiga) |
| Custo e vida útil | Custo de US$4,6 bi; vida útil de 75 anos |
| Uso | Veículos, ônibus e pedestres/ciclistas (futuro trem possível) |
Como a ponte lida com movimentos constantes e tempestades?
A característica mais marcante dessa ponte sobre o Lago Washington é o fato de nunca estar completamente parada. Variações de temperatura dilatam e retraem o concreto, o vento empurra a estrutura e o nível da água sobe e desce conforme o regime de chuvas e o controle de barragens na região, exigindo um projeto que aceite e controle esses deslocamentos.
Para acomodar esses movimentos, a travessia dispõe de sistemas específicos que permitem deformar sem comprometer a segurança operacional:
- Juntas especiais que permitem variação de comprimento sem gerar fissuras;
- Conexões articuladas entre os trechos, que aceitam rotações e pequenos movimentos relativos;
- Ancoragens com certa folga, projetadas para trabalhar sob tensão sem impedir ajustes de posição.
Por que a ponte flutuante exige monitoramento contínuo?
Uma estrutura que depende de flutuadores gigantes, cabos de ancoragem e articulações móveis não pode ser tratada como obra “pronta e esquecida”. O projeto já nasceu com a premissa de acompanhamento permanente, unindo sensores, inspeções em campo e análises de desempenho, o que permite adaptar a operação a eventos extremos e a mudanças climáticas.
O sistema de monitoramento observa deslocamentos da ponte, tensões nos cabos, condições internas dos flutuadores e o desempenho de juntas e articulações. Com esses dados, é possível programar manutenções preventivas, fazer ajustes discretos em cabos, reforços pontuais em trechos específicos ou renovação de componentes, prolongando a vida útil da travessia com custo controlado.
Quais as vantagens das pontes flutuantes?
Embora a Evergreen Point Floating Bridge demonstre a viabilidade de uma ponte que não toca o fundo do lago, esse tipo de solução permanece raro. A combinação de custos, complexidade técnica, operação especializada e necessidade de monitoramento constante faz com que, em locais com fundo raso ou solo adequado, se prefiram pontes convencionais com pilares fixos.
Pontes flutuantes costumam aparecer em lagos profundos, reservatórios extensos, fiordes ou braços de mar com grande lâmina d’água e baixa qualidade do substrato. No caso do Lago Washington, a solução sob medida permitiu vencer uma travessia longa sem intervenções maciças no leito, mostrando uma engenharia que aceita o movimento como parte da equação e serve de referência para projetos em ambientes igualmente desafiadores. Veja mais detalhes da ponte no vídeo divulgado pelo perfil Corvo Sombrio, via TikTok:
@corvo_sombrio A ponte flutuante 😱 #ponte #flutuante #googlemaps #googleearth ♬ Creepy and simple horror background music(1070744) – howlingindicator
FAQ sobre a ponte Evergreen Point Floating
- A ponte flutuante pode ser fechada por causa de vento? Em situações de ventos muito fortes ou tempestades severas, autoridades podem restringir ou interromper o tráfego temporariamente para manter os níveis de segurança.
- Os flutuadores precisam ser substituídos ao longo do tempo? Em geral, são projetados para durar décadas, mas podem passar por reforços, reparos locais ou substituição de componentes se o monitoramento indicar desgaste relevante.
- É possível sentir o movimento da ponte ao atravessar? Em condições normais, os deslocamentos são discretos, mas em dias de vento ou com ondas mais fortes, alguns usuários percebem leve oscilação.
- Outros tipos de veículos além de carros podem usar a ponte? A configuração da via varia conforme regras locais, podendo incluir faixas para ônibus, ciclovias ou passagens para pedestres, de acordo com o planejamento viário da região.