O anúncio de investimentos de aproximadamente R$ 24 bilhões no Porto de Rio Grande (RS) e na cadeia de celulose coloca o Rio Grande do Sul em um novo patamar na logística de exportação brasileira, com nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, implantação de Terminais de Uso Privado (TUP) e renovação da frota de apoio marítimo, em uma agenda que combina infraestrutura, indústria e comércio exterior.
Quais são os principais investimentos em celulose e logística no Porto de Rio Grande?
A espinha dorsal do projeto é o Projeto Natureza, da CMPC, que prevê nova unidade industrial de celulose em Barra do Ribeiro e reestruturação da logística de exportação pelo Porto de Rio Grande, integrando fábricas, hidrovias e terminais para reduzir custos e aumentar eficiência.
O empreendimento deve atingir volume de escoamento superior a 4,3 milhões de toneladas de celulose por ano, o que justifica dois novos TUPs em Rio Grande e Barra do Ribeiro, somando investimentos de R$ 1,4 bilhão e ampliando a infraestrutura para armazenamento, embarque e atendimento a navios de grande porte.
Como o Terminal de Uso Privado vai melhorar a logística de exportação?
O novo Terminal de Uso Privado do Porto de Rio Grande é pilar da logística de exportação de celulose, com contrato de adesão assinado em 7 de janeiro de 2026 e capacidade projetada de até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação, com crescimento gradual do fluxo de cargas.
A área terá infraestrutura para armazenagem de cerca de 194 mil toneladas e condições de operar dois navios simultaneamente, reduzindo filas, aumentando a previsibilidade das exportações e fortalecendo contratos de longo prazo com clientes internacionais. Veja detalhes do projeto divulgados pelo Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite:
Como o Programa Mar Aberto vai impactar a região?
Paralelamente à celulose e à infraestrutura portuária, o governo federal anunciou contratos do Programa Mar Aberto, somando R$ 2,8 bilhões para construção de embarcações de apoio marítimo, renovando a frota que atua em portos, terminais e áreas offshore e estimulando a indústria naval nacional.
Essas embarcações apoiam manobras de navios de grande calado e atividades em plataformas e terminais marítimos, elevando padrões de segurança, eficiência de combustível e confiabilidade operacional, atributos observados por exportadores e armadores na escolha de rotas e portos. Veja os impactos gerados pelo programa:
- Impulso ao turismo náutico: amplia marinas, píeres e estruturas de apoio, atraindo mais visitantes nacionais e estrangeiros.
- Geração de empregos e renda: movimenta cadeias como construção naval, serviços turísticos, hotelaria e comércio local.
- Valorização do litoral: incentiva a requalificação urbana de áreas costeiras e portuárias.
- Desburocratização e investimentos: facilita concessões e parcerias com a iniciativa privada para uso ordenado da orla.
- Desenvolvimento regional: beneficia municípios costeiros, especialmente os com baixo aproveitamento turístico.
- Sustentabilidade e ordenamento: promove uso planejado do litoral, com regras ambientais e segurança para navegação.
Quais são os impactos econômicos da obra para o Rio Grande do Sul e para o país?
Na visão do governo estadual, o pacote representa o maior investimento privado já realizado no Rio Grande do Sul, reativando área inativa desde 2014 e dando-lhe função central na cadeia de transporte de celulose, com efeitos sobre arrecadação, movimentação de cargas e atração de novos projetos industriais.
Ao integrar hidrovias, terminal portuário e logística terrestre, o planejamento busca reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da celulose nacional frente a produtores nórdicos e asiáticos e, ao mesmo tempo, favorecer cadeias como grãos, carnes e manufaturados com melhor nível de serviço. Veja os benefícios do investimento:
| Impacto | Rio Grande do Sul | Brasil |
|---|---|---|
| Geração de empregos | • Criação de empregos diretos e indiretos nas obras• Ampliação de vagas permanentes em logística e serviços portuários | • Estímulo ao setor de infraestrutura e cadeia logística nacional |
| Competitividade logística | • Redução de custos de transporte para produtores gaúchos• Maior eficiência no escoamento de grãos, fertilizantes e cargas gerais | • Ganho de eficiência na matriz logística brasileira• Diminuição do custo Brasil |
| Atração de investimentos | • Aumento do interesse de indústrias e operadores logísticos• Valorização da região portuária e do entorno | • Fortalecimento do ambiente de investimentos em portos estratégicos |
| Aumento da movimentação de cargas | • Expansão da capacidade portuária• Diversificação de tipos de cargas | • Maior fluxo de exportações e importações |
| Impacto fiscal | • Crescimento da arrecadação estadual e municipal | • Elevação da arrecadação federal via comércio exterior |
| Integração regional e internacional | • Consolidação do porto como hub do Sul do país | • Reforço da integração do Brasil com mercados internacionais |
FAQ sobre o projeto do Porto de Rio Grande
- Quando o novo TUP do Porto de Rio Grande deve atingir a capacidade máxima de movimentação? A projeção é que o terminal alcance a capacidade de até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação.
- Qual é a função principal da nova unidade de celulose em Barra do Ribeiro? A unidade será responsável pela produção de celulose voltada majoritariamente à exportação, integrada a uma logística específica que utiliza hidrovias e o Porto de Rio Grande.
- O que diferencia um Terminal de Uso Privado de um terminal público? O TUP é construído e operado por empresa privada para movimentar principalmente suas próprias cargas, seguindo regulação pública, enquanto terminais públicos atendem a múltiplos usuários em regime de concessão ou arrendamento.
- De que forma o Programa Mar Aberto se conecta ao Porto de Rio Grande? O programa financia novas embarcações de apoio marítimo que podem atuar em operações de porto e costa, contribuindo para dar suporte à movimentação de cargas e à eficiência das manobras na região de Rio Grande.