A retomada da maior usina nuclear do mundo marca um novo capítulo na política energética do Japão. A Tokyo Electric Power Co. (TEPCO) anunciou que o primeiro reator da usina de Kashiwazaki-Kariwa, localizada na província de Niigata, tem data marcada para voltar a operar: 20 de janeiro de 2026, quase 15 anos após o terremoto e o tsunami de 2011 que provocaram o acidente em Fukushima Daiichi e levaram ao desligamento em massa de reatores nucleares em todo o país.
Qual a importância da retomada da maior usina nuclear do mundo?
Kashiwazaki-Kariwa se tornou símbolo tanto da ambição energética japonesa quanto das preocupações pós-Fukushima. A usina está entre os 54 reatores que foram desligados após o desastre de 2011, considerado o pior acidente nuclear desde Chernobyl, o que intensificou os critérios de segurança e avaliação de risco.
No caso de Niigata, a assembleia provincial aprovou um voto de confiança no governador Hideyo Hanazumi, que já havia se posicionado a favor da reabertura parcial da planta. A decisão abriu caminho para que a TEPCO obtenha os últimos trâmites regulatórios antes de religar o primeiro reator, com apoio do governo central liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que vê a energia nuclear como peça-chave para reduzir custos com combustíveis fósseis. Veja os impactos para a população:
| Área | Importância |
|---|---|
| Segurança energética | • Reforça o fornecimento estável de eletricidade • Reduz risco de apagões em períodos de alta demanda |
| Economia | • Diminui custos com importação de combustíveis fósseis • Ajuda a conter tarifas de energia |
| Transição energética | • Contribui para metas de redução de emissões de CO₂ • Complementa fontes renováveis intermitentes |
| Independência do Japão | • Menor dependência de gás e petróleo estrangeiros • Mais autonomia energética nacional |
| Impacto industrial | • Garante energia estável para setores industriais • Aumenta a competitividade econômica |
| Política nuclear | • Marca mudança gradual após o trauma de 2011 • Testa novos padrões de segurança e fiscalização |
Quais são os impactos da retomada na população local e na segurança?
A volta da maior usina nuclear do mundo não é recebida de forma unânime pela população local e expõe feridas ainda abertas desde Fukushima. Antes da votação em Niigata, cerca de 300 manifestantes, em grande parte idosos, foram às ruas protestar contra a reativação, com cartazes pedindo o veto às operações e apoio contínuo às vítimas de Fukushima.
Uma pesquisa da prefeitura de Niigata apontou que 60% dos moradores acreditam que as condições para retomar as operações ainda não foram plenamente atendidas, e quase 70% têm preocupação específica com a TEPCO. Para tentar reconstruir a confiança, a empresa promete investir cerca de 100 bilhões de ienes na região em 10 anos, em projetos de desenvolvimento local, transparência e resposta a emergências.
Como a retomada da maior usina nuclear do mundo afeta a segurança energética?
Do ponto de vista da política energética, a retomada da maior usina nuclear do mundo é tratada pelo governo japonês como estratégia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, que hoje respondem por cerca de 60% a 70% da eletricidade do país. Em 2024, os gastos com importação de gás natural liquefeito e carvão somaram aproximadamente 10,7 trilhões de ienes, pressionando a balança comercial.
Ao mesmo tempo, mesmo com o envelhecimento populacional, o Japão projeta aumento da demanda por energia na próxima década, impulsionado por data centers, serviços em nuvem e infraestrutura voltada à inteligência artificial. Estimativas do Ministério do Comércio indicam que apenas o religamento de um reator em Kashiwazaki-Kariwa poderia elevar em cerca de 2% o fornecimento de eletricidade para a região de Tóquio.
- Aumento da oferta de energia: reforça a capacidade de geração elétrica em larga escala, reduzindo riscos de escassez.
- Maior estabilidade do sistema: energia nuclear opera de forma contínua, ajudando a equilibrar fontes intermitentes como solar e eólica.
- Redução da dependência externa: diminui a necessidade de importação de combustíveis fósseis ou eletricidade.
- Previsibilidade de preços: custos mais estáveis de geração ajudam a conter volatilidade no mercado energético.
- Segurança estratégica: fortalece a autonomia energética e a resiliência diante de crises geopolíticas ou climáticas.
Quais são os próximos passos para a energia nuclear no Japão?
Com a data de 20 de janeiro de 2026 prevista para o religamento do primeiro reator, o Japão entra em uma fase decisiva de testes políticos, técnicos e sociais em relação à energia atômica. O desempenho operacional da usina, a transparência da TEPCO e a fiscalização regulatória serão acompanhados de perto por autoridades nacionais e observadores internacionais.
Nesse cenário, o país precisa equilibrar três objetivos que frequentemente entram em tensão: segurança energética, redução de emissões de carbono e aceitação pública. A consultoria Wood Mackenzie avalia que a aceitação da reabertura de Kashiwazaki-Kariwa pode ser um marco para as metas de descarbonização e até estimular estudos de novos reatores, como os analisados pela Kansai Electric Power no oeste do país. Veja mais detalhes sobre o projeto no vídeo (Reprodução/TikTok/@ig.xplora):
@ig.xplora A Volta da Usina Mais Poderosa do Mundo #KashiwazakiKariwa #TEPCO #Fukushima #UsinaNuclear #EnergiaNuclear #SegurançaNuclear ♬ Solitude – Felsmann + Tiley Reinterpretation – M83 & Felsmann + Tiley
FAQ sobre a retomada da maior usina nuclear do mundo
- Qual é o nome da maior usina nuclear do mundo? A maior usina nuclear do mundo é Kashiwazaki-Kariwa, localizada na província de Niigata, no Japão, operada pela Tokyo Electric Power Co. (TEPCO).
- Quantos reatores a usina de Kashiwazaki-Kariwa possui? A usina conta com sete reatores nucleares, o que a coloca entre as instalações com maior capacidade instalada globalmente, embora nem todos estejam em operação.
- O que mudou na segurança nuclear japonesa após Fukushima? Após 2011, o Japão criou padrões mais rigorosos de segurança, ampliou exigências para proteção contra terremotos e tsunamis, reforçou sistemas de resfriamento e aumentou a independência e o poder dos órgãos reguladores.
- Outros países também estão retomando ou expandindo a energia nuclear? Sim. Diversos países, especialmente na Europa e na Ásia, avaliam novos reatores ou a extensão da vida útil de usinas existentes como forma de reduzir emissões e garantir oferta estável de energia.