No coração do deserto do Negev, em Israel, uma mega obra de engenharia chama atenção mundial: um “rio artificial” de mais de 130 quilômetros que transporta água do Mar Mediterrâneo até cidades, plantações e até o reabastecimento parcial do Mar da Galileia, tornando-se peça central na estratégia do país para garantir abastecimento e sustentar o crescimento econômico em plena região árida.
Como é o rio artificial construído no deserto de Israel?
O chamado rio artificial do deserto israelense é um sistema integrado de infraestrutura hídrica que liga o Mar Mediterrâneo ao interior do país, cruzando o Negev com canais, túneis e estações de bombeamento. Ele foi concebido para assegurar abastecimento de água em uma região marcada por altas temperaturas, baixa umidade e escassez hídrica crônica.
No centro desse sistema está um canal principal em formato de “U”, com cerca de 45 metros de largura na base e 7 metros de profundidade, que funciona como uma “espinha dorsal” hídrica. A água salgada do Mediterrâneo é conduzida por esse eixo principal e por ramificações que alimentam cidades, áreas agrícolas, instalações industriais e, em parte, reservas estratégicas de água doce. Veja as características da obra:
| Característica | Detalhes |
|---|---|
| Extensão | • Mais de 130 quilômetros de comprimento |
| Localização | • Região desértica do sul de Israel |
| Origem da água | • Água do Mar Mediterrâneo dessalinizada |
| Finalidade principal | • Abastecimento urbano e agrícola |
| Integração hídrica | • Conectado ao sistema nacional de água |
| Destino da água | • Cidades do deserto • Apoio ao reabastecimento do Mar da Galileia |
| Tecnologia usada | • Dessalinização • Canais artificiais • Estações de bombeamento |
| Impacto ambiental | • Redução da escassez hídrica • Controle do uso da água |
| Importância estratégica | • Segurança hídrica nacional • Adaptação às mudanças climáticas |
| Status do projeto | • Megaprojeto de infraestrutura hídrica em operação/expansão |
Como funciona o transporte de água do Mediterrâneo até o Negev?
O funcionamento desse rio artificial de 130 quilômetros envolve etapas encadeadas, da captação no mar ao tratamento avançado. A partir dos anos 2000, mais de 3 bilhões de dólares foram investidos para combinar túneis, canais, dutos e sistemas de bombeamento em larga escala, articulados com usinas de dessalinização entre as mais avançadas do mundo.
Para entender melhor como essa água percorre o caminho do Mediterrâneo até o deserto e chega tratada a diferentes usuários, o processo pode ser resumido nas seguintes etapas principais:
- Captação de grandes volumes de água do Mar Mediterrâneo.
- Transporte por canais, túneis e tubulações até as estações de tratamento.
- Pré-filtragem para remoção de sedimentos e partículas maiores.
- Osmose reversa para separar o sal da água, utilizando membranas sob alta pressão.
- Nanofiltração para retirar impurezas mais finas e ajustar a qualidade.
- Distribuição da água dessalinizada para cidades, fazendas e o Mar da Galileia.
Como o sistema contribui para reabastecer o Mar da Galileia?
Um dos aspectos mais estratégicos dessa mega obra é seu papel no reequilíbrio hídrico do Mar da Galileia, o principal reservatório de água doce superficial de Israel. Por muitos anos, esse lago sofreu com a redução de nível devido ao uso intenso e à diminuição das chuvas, levando o país a buscar fontes alternativas de abastecimento.
Parte da água dessalinizada produzida nas usinas ligadas ao sistema é bombeada para a região do Mar da Galileia, funcionando como uma recarga artificial do lago e criando uma espécie de “seguro” para períodos de seca prolongada. Com isso, reduz-se a pressão sobre fontes naturais, estabiliza-se o nível do reservatório e torna-se o ciclo de oferta hídrica mais previsível para consumo humano, agricultura e indústria.
Como o rio artificial transformou o deserto do Negev em área produtiva?
Com a chegada consistente de água dessalinizada, áreas antes classificadas como improdutivas no Negev passaram a abrigar pomares, vinhedos, estufas e fazendas de alta tecnologia. A irrigação por gotejamento, já bastante difundida em Israel, encontrou nesse novo fluxo hídrico a base para expansão e aumento da produtividade em solos áridos.
Cidades e vilarejos da região passaram a contar com maior segurança no abastecimento de água potável, favorecendo novas moradias, escolas, centros logísticos e empresas da agroindústria e da tecnologia. O projeto também gerou demanda por mão de obra especializada em engenharia, manutenção, monitoramento e gestão de recursos hídricos, consolidando o Negev como vitrine internacional de infraestrutura hídrica integrada em ambientes extremos. Veja os detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo canal Docs Fabricando no YouTube:
FAQ sobre o rio artificial do Negev
- O rio artificial do Negev é totalmente natural? Não. Trata-se de um sistema planejado de canais, túneis, bombas e usinas de dessalinização, projetado para conduzir e tratar água do Mar Mediterrâneo até o interior de Israel.
- Por que foi escolhido o Mar Mediterrâneo como fonte de água? O Mediterrâneo oferece grande disponibilidade de água salgada próxima à costa israelense, o que reduz distâncias de captação e facilita a integração com usinas de dessalinização em larga escala.
- A água dessalinizada é usada apenas para consumo humano? Não. A água é destinada a múltiplos usos: abastecimento de cidades, irrigação de plantações, apoio à indústria e, em parte, reabastecimento do Mar da Galileia.
- Esse tipo de projeto pode ser aplicado em outros desertos do mundo? Em teoria, sim, desde que existam acesso ao mar, capacidade de investimento, tecnologia de dessalinização, energia suficiente e infraestrutura de transporte de água em grande escala.