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Israel cria megaprojeto com rio de 130 km no deserto para levar água do Mediterrâneo a cidades e ao Mar da Galileia

Por Felipe Dantas
07/jan/2026
Em Geral
Israel cria megaprojeto com rio de 130 km no deserto para levar água do Mediterrâneo a cidades e ao Mar da Galileia

Projeto de Israel para rio artificial

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No coração do deserto do Negev, em Israel, uma mega obra de engenharia chama atenção mundial: um “rio artificial” de mais de 130 quilômetros que transporta água do Mar Mediterrâneo até cidades, plantações e até o reabastecimento parcial do Mar da Galileia, tornando-se peça central na estratégia do país para garantir abastecimento e sustentar o crescimento econômico em plena região árida.

Como é o rio artificial construído no deserto de Israel?

O chamado rio artificial do deserto israelense é um sistema integrado de infraestrutura hídrica que liga o Mar Mediterrâneo ao interior do país, cruzando o Negev com canais, túneis e estações de bombeamento. Ele foi concebido para assegurar abastecimento de água em uma região marcada por altas temperaturas, baixa umidade e escassez hídrica crônica.

No centro desse sistema está um canal principal em formato de “U”, com cerca de 45 metros de largura na base e 7 metros de profundidade, que funciona como uma “espinha dorsal” hídrica. A água salgada do Mediterrâneo é conduzida por esse eixo principal e por ramificações que alimentam cidades, áreas agrícolas, instalações industriais e, em parte, reservas estratégicas de água doce. Veja as características da obra:

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CaracterísticaDetalhes
Extensão• Mais de 130 quilômetros de comprimento
Localização• Região desértica do sul de Israel
Origem da água• Água do Mar Mediterrâneo dessalinizada
Finalidade principal• Abastecimento urbano e agrícola
Integração hídrica• Conectado ao sistema nacional de água
Destino da água• Cidades do deserto • Apoio ao reabastecimento do Mar da Galileia
Tecnologia usada• Dessalinização • Canais artificiais • Estações de bombeamento
Impacto ambiental• Redução da escassez hídrica • Controle do uso da água
Importância estratégica• Segurança hídrica nacional • Adaptação às mudanças climáticas
Status do projeto• Megaprojeto de infraestrutura hídrica em operação/expansão

Como funciona o transporte de água do Mediterrâneo até o Negev?

O funcionamento desse rio artificial de 130 quilômetros envolve etapas encadeadas, da captação no mar ao tratamento avançado. A partir dos anos 2000, mais de 3 bilhões de dólares foram investidos para combinar túneis, canais, dutos e sistemas de bombeamento em larga escala, articulados com usinas de dessalinização entre as mais avançadas do mundo.

Para entender melhor como essa água percorre o caminho do Mediterrâneo até o deserto e chega tratada a diferentes usuários, o processo pode ser resumido nas seguintes etapas principais:

  • Captação de grandes volumes de água do Mar Mediterrâneo.
  • Transporte por canais, túneis e tubulações até as estações de tratamento.
  • Pré-filtragem para remoção de sedimentos e partículas maiores.
  • Osmose reversa para separar o sal da água, utilizando membranas sob alta pressão.
  • Nanofiltração para retirar impurezas mais finas e ajustar a qualidade.
  • Distribuição da água dessalinizada para cidades, fazendas e o Mar da Galileia.

Como o sistema contribui para reabastecer o Mar da Galileia?

Um dos aspectos mais estratégicos dessa mega obra é seu papel no reequilíbrio hídrico do Mar da Galileia, o principal reservatório de água doce superficial de Israel. Por muitos anos, esse lago sofreu com a redução de nível devido ao uso intenso e à diminuição das chuvas, levando o país a buscar fontes alternativas de abastecimento.

Parte da água dessalinizada produzida nas usinas ligadas ao sistema é bombeada para a região do Mar da Galileia, funcionando como uma recarga artificial do lago e criando uma espécie de “seguro” para períodos de seca prolongada. Com isso, reduz-se a pressão sobre fontes naturais, estabiliza-se o nível do reservatório e torna-se o ciclo de oferta hídrica mais previsível para consumo humano, agricultura e indústria.

Mar da Galileia – Foto: Wikimedia Commons

Como o rio artificial transformou o deserto do Negev em área produtiva?

Com a chegada consistente de água dessalinizada, áreas antes classificadas como improdutivas no Negev passaram a abrigar pomares, vinhedos, estufas e fazendas de alta tecnologia. A irrigação por gotejamento, já bastante difundida em Israel, encontrou nesse novo fluxo hídrico a base para expansão e aumento da produtividade em solos áridos.

Cidades e vilarejos da região passaram a contar com maior segurança no abastecimento de água potável, favorecendo novas moradias, escolas, centros logísticos e empresas da agroindústria e da tecnologia. O projeto também gerou demanda por mão de obra especializada em engenharia, manutenção, monitoramento e gestão de recursos hídricos, consolidando o Negev como vitrine internacional de infraestrutura hídrica integrada em ambientes extremos. Veja os detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo canal Docs Fabricando no YouTube:

FAQ sobre o rio artificial do Negev

  • O rio artificial do Negev é totalmente natural? Não. Trata-se de um sistema planejado de canais, túneis, bombas e usinas de dessalinização, projetado para conduzir e tratar água do Mar Mediterrâneo até o interior de Israel.
  • Por que foi escolhido o Mar Mediterrâneo como fonte de água? O Mediterrâneo oferece grande disponibilidade de água salgada próxima à costa israelense, o que reduz distâncias de captação e facilita a integração com usinas de dessalinização em larga escala.
  • A água dessalinizada é usada apenas para consumo humano? Não. A água é destinada a múltiplos usos: abastecimento de cidades, irrigação de plantações, apoio à indústria e, em parte, reabastecimento do Mar da Galileia.
  • Esse tipo de projeto pode ser aplicado em outros desertos do mundo? Em teoria, sim, desde que existam acesso ao mar, capacidade de investimento, tecnologia de dessalinização, energia suficiente e infraestrutura de transporte de água em grande escala.
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