A aprovação de um financiamento de R$ 2 bilhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Ferrovia do Mato Grosso marca uma nova etapa na infraestrutura logística do país. O recurso será destinado à primeira fase da ferrovia, controlada pela operadora Rumo, do grupo Cosan, reforçando a aposta no transporte ferroviário como alternativa para o escoamento da produção agrícola em um estado que se consolidou como um dos principais polos de grãos do Brasil.
Como funciona o financiamento do BNDES para a Ferrovia do Mato Grosso?
No caso da FMT, a operadora emitirá debêntures, e o BNDES atuará como investidor, adquirindo esses papéis e recebendo remuneração ao longo do tempo.
Segundo dados divulgados pela FMT, o investimento total previsto apenas na primeira fase da ferrovia é de cerca de R$ 5 bilhões, sendo que os R$ 2 bilhões aprovados cobrem parte relevante desse montante. Esse mecanismo amplia a participação do mercado de capitais em grandes obras de infraestrutura, permitindo a entrada de outros investidores institucionais interessados em ativos de longo prazo.
Qual é a importância da Ferrovia do Mato Grosso para o agronegócio?
A Ferrovia do Mato Grosso é considerada estratégica por especialistas em logística porque amplia o alcance do transporte ferroviário em um estado que lidera a produção de soja, milho e algodão. Hoje, a malha da Rumo chega até Rondonópolis, conectando a região ao Porto de Santos, mas o avanço da fronteira agrícola para o norte aumenta os custos para levar a produção até esse ponto.
Com traçado total previsto de cerca de 743 quilômetros, chegando até Lucas do Rio Verde e com ramal até Cuiabá, a linha férrea aproxima regiões produtoras do modal ferroviário e reduz a dependência de rodovias em longas distâncias. A expectativa é de diminuição de custos logísticos, maior previsibilidade no escoamento e alívio em rodovias sobrecarregadas, aumentando a competitividade externa dos produtos. Veja os benefícios para a região:
- Redução de custos logísticos: transporte mais barato que o rodoviário, aumentando a competitividade dos grãos
- Maior eficiência no escoamento: acelera o fluxo de soja, milho e farelo para portos e centros industriais
- Aumento da margem do produtor: menos gasto com frete eleva a rentabilidade do agronegócio
- Desafogo das rodovias: diminui congestionamentos, acidentes e desgaste da malha viária
- Integração com corredores de exportação: conecta o Mato Grosso a portos estratégicos do Norte e Sudeste
- Atração de investimentos: estimula agroindústrias, armazéns e terminais logísticos na região
- Previsibilidade e escala: permite transporte contínuo de grandes volumes ao longo do ano
Como o modelo de autorização diferencia a implantação da ferrovia?
A Rumo está construindo a Ferrovia do Mato Grosso sob o modelo de autorização, em que o poder público autoriza o investidor privado a desenvolver o empreendimento desde a concepção até a operação. Nesse arranjo, a empresa assume integralmente os riscos e responsabilidades da obra, com maior flexibilidade para definir traçado, cronograma e estrutura financeira, desde que cumpra as exigências regulatórias.
No caso da FMT, o projeto foi dividido em cinco etapas para permitir avanços graduais, ajustando o planejamento conforme a demanda e o mercado. A primeira fase, entre Rondonópolis e Dom Aquino, alvo do financiamento do BNDES, é considerada a base para a expansão em direção ao norte, conectando gradualmente novos municípios ao corredor ferroviário que leva ao Porto de Santos. Confira mais detalhes do projeto no vídeo do influenciador @edy.drone, via Instagram:
Quais são os impactos logísticos e econômicos previstos para a região?
Com a expansão da ferrovia da Rumo em Mato Grosso, produtores de áreas mais ao norte tendem a ter acesso a fretes mais competitivos e maior capacidade de transporte em grandes volumes. Hoje, boa parte da produção depende de longos trajetos rodoviários até terminais de transbordo, elevando custos com combustível, manutenção de frota e tempo de viagem, além de aumentar as emissões de CO₂ no transporte.
A presença de um terminal de grãos em Dom Aquino, conectado diretamente à linha férrea, deve estimular investimentos em armazéns, centros de serviços e estruturas de apoio ao agronegócio. Esse movimento pode atrair empresas de insumos, operadores logísticos e novos empreendimentos, fortalecendo a integração dos corredores rodoviários, ferroviários e portuários da região. Veja os impactos na região:
| Categoria | Principais Impactos Previstos |
|---|---|
| Logísticos | • Menor dependência de caminhões e rodovias congestionadas |
| • Redução dos custos de frete (até 30–50%) | |
| • Aumento da eficiência do transporte de grãos | |
| • Integração multimodal com portos e terminais | |
| Econômicos | • Geração de empregos (diretos e indiretos) |
| • Crescimento do VBP e VAB regional | |
| • Atração de investimentos e dinamização regional | |
| • Redução de custos logísticos aumentando competitividade | |
| • Acesso mais barato a bens e insumos para a economia local |
FAQ sobre a Ferrovia do Mato Grosso
- O que são debêntures no contexto desse financiamento? São títulos de dívida emitidos pela empresa responsável pela ferrovia para captar recursos junto a investidores, entre eles o BNDES, que recebe remuneração ao longo do tempo.
- Quantas etapas a Ferrovia do Mato Grosso terá ao todo? O projeto foi dividido em cinco fases, sendo que a primeira, entre Rondonópolis e Dom Aquino, é a que conta com o financiamento aprovado de R$ 2 bilhões.
- A ferrovia chegará a quais principais cidades? O traçado total previsto inclui Rondonópolis, Dom Aquino, Cuiabá e Lucas do Rio Verde, além de outras localidades ao longo do percurso.
- O projeto afeta apenas o transporte de grãos? Apesar do foco atual estar em soja, milho e algodão, a infraestrutura pode ser adaptada para outros tipos de carga, conforme a demanda e a estratégia da operadora.