O avanço da duplicação do Eixão das Águas marca uma nova etapa na segurança hídrica do Ceará. O grande canal, com 256 km de extensão, liga o açude Castanhão à região de Fortaleza e está com 51% das obras executadas, com novo reforço financeiro de R$ 623 milhões do BNDES para ampliar a oferta de água para a Capital, Região Metropolitana e polos industriais estratégicos do Estado, beneficiando diretamente mais de quatro milhões de pessoas em 27 municípios em um cenário de chuvas irregulares e mudanças climáticas.
Como a duplicação do Eixão das Águas reforça o abastecimento?
Segundo informações do Diário do Nordeste, a duplicação do Eixão das Águas vai elevar a capacidade de transporte de água do canal de 11 m³/s para 22 m³/s, o equivalente a 22 mil litros por segundo. Essa ampliação busca garantir maior volume de água do Castanhão para Fortaleza, sua Região Metropolitana e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), área estratégica para a economia cearense.
Além do eixo principal, o sistema atende três distritos industriais (Maracanaú, Horizonte e Pacajus) e os distritos de irrigação Jaguaribe-Apodi e Tabuleiro de Russas. Na prática, a obra reforça o consumo humano e o uso produtivo da água para agricultura irrigada e setores industriais, com investimento total próximo de R$ 1,3 bilhão.
Por que a duplicação do Eixão das Águas é considerada estratégica para o Ceará?
O Eixão das Águas é um sistema de adução que funciona como “espinha dorsal” da política de recursos hídricos do Ceará. Construído entre 2003 e 2014, ele operou inicialmente com metade da vazão permitida, mas o crescimento populacional, a expansão industrial e a variabilidade das chuvas tornaram necessária a ampliação da infraestrutura hídrica.
A duplicação inclui mais três grupos de motobombas e uma segunda linha de tubulação em aço carbono, permitindo resposta mais rápida a períodos de baixa recarga dos reservatórios. A nova configuração busca antecipar cenários de escassez e reduzir o risco de colapsos no abastecimento da Grande Fortaleza e de áreas produtivas. Veja os detalhes dos projetos hídricos no Ceará no vídeo (Reprodução/Instagram/Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará):
Quais os impactos do financiamento do BNDES?
O novo aporte de R$ 623 milhões do BNDES foi anunciado no Palácio da Abolição, dentro do Novo PAC, com previsão de financiar cerca de 95% do valor total do empreendimento, em torno de R$ 1,25 bilhão. Esse suporte financeiro assegura a manutenção do cronograma, com conclusão prevista para dezembro de 2026 e testes iniciais já no fim de março de 2026.
Os recursos serão direcionados a etapas-chave da infraestrutura, consideradas decisivas para que o sistema opere com a nova vazão e garanta segurança hídrica em períodos de seca prolongada. Entre as principais aplicações previstas, destacam-se:
- Compra e instalação de novos equipamentos de bombeamento;
- Implantação da segunda linha de tubulação em aço carbono ao longo do traçado;
- Ampliação e modernização das estruturas de captação e recalque;
- Adequações civis e eletromecânicas para operação em maior vazão.
Quais os benefícios da duplicação do Eixão das Águas no futuro do abastecimento?
Em um cenário de mudanças climáticas, a gestão de água passa a envolver não apenas armazenamento, mas também a capacidade de transportar o recurso de forma rápida entre diferentes bacias. A duplicação do Eixão das Águas se insere nessa lógica, funcionando como um “seguro estrutural” para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza e de áreas produtivas estratégicas.
Ao dobrar a vazão, o sistema amplia a margem para enfrentar períodos de menor recarga dos açudes e sustentar atividades econômicas em expansão. O canal consolida-se como um dos principais projetos de adaptação climática do país, articulando grandes reservatórios, zonas urbanas densas e distritos industriais e de irrigação. Veja os benefícios regionais:
Garante fornecimento mais seguro e contínuo para cidades da região.
Infraestrutura mais moderna e resistente diminui falhas no abastecimento.
Permite levar água a áreas mais distantes ou em expansão urbana.
Maior armazenamento e transporte eficiente garantem segurança hídrica.
Recurso hídrico confiável para indústrias e agricultura locais.