Empresas ligadas à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), apareceram em documentos de investimentos conectados à rede de fundos usada pelo Banco Master em operações hoje sob investigação. As informações são da Folha de SP e constam de registros oficiais e foram reunidas em levantamento divulgado neste domingo (11/1), trazendo novos elementos ao caso que envolve suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e dúvidas sobre potenciais conflitos de interesse envolvendo a atuação do ministro como relator de inquéritos relacionados ao banco.
Quais são as empresas ligadas à família de Toffoli e ao fundo Arleen?
Segundo a reportagem da Folha, os documentos mostram que o Arleen Fundo de Investimentos deteve participação na Tayayá Administração e Participações, sociedade responsável por um resort em Ribeirão Claro que contou, em diferentes períodos, com integrantes da família de Dias Toffoli entre seus sócios.
O mesmo fundo Arleen também foi sócio da DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária instalada na mesma cidade paranaense, na qual constava como sócio um primo do ministro. Essas participações ocorreram em arranjos societários comuns, em que fundos entram como cotistas de empresas específicas, mas o elo com estruturas relacionadas ao Banco Master ampliou a visibilidade desses negócios familiares.
Como o Arleen se conecta à rede financeira ligada ao Banco Master?
A relação do Arleen com o caso Master não se dá de forma direta, mas por meio de uma cadeia de fundos que, em conjunto, formam uma rede de investimentos. Segundo registros, o Arleen Fundo de Investimentos foi cotista do RWM Plus, fundo que recebeu aportes de veículos financeiros ligados ao chamado Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte da teia de fraudes atribuída ao Banco Master.
De forma simplificada, as investigações descrevem uma estrutura de circulação de recursos em múltiplos estágios interligados:
- O Banco Master concede empréstimos ou direciona recursos a determinados fundos;
- Esses fundos, entre eles veículos ligados ao Maia 95, aplicam em outros fundos intermediários;
- O RWM Plus recebe recursos desses fundos conectados ao esquema suspeito;
- O Arleen se torna cotista do RWM Plus e, com seu capital, participa de empresas como Tayayá e DGEP.
Qual é o papel da Reag e da operação Carbono Oculto no caso?
Um ponto central para entender o caso das empresas de parentes de Toffoli é o papel da administradora de recursos Reag, responsável por gerir todos os fundos citados. A Reag administrava o Arleen, o RWM Plus e veículos associados ao Maia 95, além de fundos identificados com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e está sob investigação na operação Carbono Oculto.
De acordo com investigadores, a mesma infraestrutura financeira – composta por vários fundos interligados, aplicações cruzadas e operações estruturadas – teria sido usada para redirecionar recursos de empréstimos do Banco Master, fazer o dinheiro circular em diferentes veículos e inflar artificialmente ativos. Não há, porém, indicação pública de que o Arleen ou as empresas Tayayá e DGEP sejam alvos diretos da Carbono Oculto até o momento.
Como o inquérito do Banco Master coloca Toffoli sob questionamento?
Dias Toffoli é o relator do inquérito sobre as fraudes do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, processo que assumiu no início de dezembro de 2025 após recurso da defesa de Daniel Vorcaro. Ele manteve as apurações sob sigilo judicial e já determinou, entre outras medidas, uma acareação entre um diretor do Banco Central e outros investigados, decisão que chamou a atenção de integrantes dos meios político e financeiro.
A revelação de que empresas de parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo ligado, ainda que indiretamente, à rede de investimentos usada pelo Banco Master gera questionamentos sobre possível conflito de interesse. Especialistas em direito público ressaltam que a avaliação sobre suspeição ou impedimento costuma considerar se há vínculo econômico atual, se o magistrado tinha conhecimento das conexões e se tais elementos podem afetar, em tese, sua imparcialidade no processo. Até o momento, não há registro público de decisão formal do STF afastando o ministro do caso por suspeição, e tampouco indicação clara de que familiares de Dias Toffoli sejam investigados nas operações sobre o Banco Master. O Arleen, por sua vez, não figura como alvo direto das ações conhecidas, aparecendo sobretudo na trilha de recursos que passa pelos fundos relacionados ao banco.