O depoimento do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestado à Polícia Federal no fim de 2025, voltou ao centro do noticiário após a divulgação dos vídeos da acareação, nesta quinta-feira (29/1), que mostram o momento em que o executivo é questionado sobre suas relações políticas e sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que despertou interesse de órgãos de controle e investigação.
Como Daniel Vorcaro foi questionado durante a acareação?
Na acareação, a delegada da Polícia Federal Janaina questionou diretamente quais políticos, deputados e senadores eram convidados para eventos na residência do empresário. Vorcaro evitou citar nomes específicos e afirmou ter “amigos de todos os poderes”, alegando não ser possível listar individualmente quem frequentava sua casa.
A fala ganhou destaque por indicar que o dono do Banco Master mantinha trânsito em diferentes esferas de poder, ainda que ele negue relação entre essas visitas e o caso investigado. A ausência de nomes e detalhes específicos aumenta o interesse sobre quem seriam, na prática, esses aliados em cargos públicos. Veja a fala de Vorcaro (Reprodução/X/O Globo):
VEJA O NÍVEL! Daniel Vorcaro tenta justificar o injustificável.
— Malcon Mazzucatto (@MalconMazzucato) January 30, 2026
Encontros com o "controlador indireto" (Governador) para tratar de banco? No meu mandato estadual, essa conversa fiada não vai ter vez. O dinheiro público não é brinquedo de bilionário com trânsito em palácio!
É… pic.twitter.com/LwYgakZXoP
Qual é o foco da investigação sobre Banco Master?
A principal linha de questionamento da Polícia Federal gira em torno da tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). No depoimento, Vorcaro admitiu ter tratado diretamente do assunto com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a possível compra do Master por um banco público.
Ibaneis Rocha nega ter discutido o tema, e essa divergência de versões sustenta o interesse da PF e de órgãos de controle. Vorcaro disse que não conversou com outros políticos sobre a aquisição, limitando as tratativas ao governador e a “autoridades do Banco Central”, que precisariam avaliar tecnicamente qualquer operação dessa natureza.
Como Vorcaro descreve o papel do Banco Central nas negociações?
Questionado sobre possível influência política em decisões regulatórias, Daniel Vorcaro afirmou que não pediu intervenção de nenhuma autoridade junto ao Banco Central em favor do Banco Master. Segundo ele, não houve solicitação para que políticos ou integrantes do governo atuassem informalmente para facilitar ou acelerar autorizações ligadas à negociação com o BRB.
Ao mencionar apenas “autoridades do Banco Central” de forma genérica, o empresário sustenta que o contato teria seguido o fluxo institucional previsto para operações de grande porte. A investigação, porém, tende a confrontar essas declarações com registros oficiais, atas de reuniões e documentos internos dos envolvidos.
Como os órgãos vão analisar a investigação?
Para verificar se houve influência indevida, os órgãos de controle costumam comparar a versão dos depoentes com evidências documentais e registros formais de comunicação. No caso de uma tentativa de aquisição bancária, a checagem tende a ser ainda mais rigorosa devido ao potencial impacto financeiro e político.
Nesse contexto, alguns elementos são monitorados como indicativos de eventual interferência ou de tratativas paralelas às vias oficiais:
- Registros formais de contatos entre o Banco Master, o BRB e o Banco Central, incluindo agendas e e-mails;
- Documentos, minutas, pareceres internos e despachos produzidos em torno da tentativa de compra;
- Atos de autoridades políticas que possam ter buscado, oficialmente ou não, influenciar a atuação técnica do BC;
- Menções a Daniel Vorcaro ou ao Banco Master em outras investigações que tratem de relações público-privadas.