Uma decisão recente da Justiça do Trabalho confirmou que condutas inadequadas iniciadas fora do expediente podem resultar na penalidade máxima. O caso envolveu ofensas a um superior após uma briga externa e serve de alerta sobre os limites da insubordinação.
O trabalhador consegue reverter a justa causa na justiça?
O ex-funcionário ingressou com uma ação alegando que a dispensa foi baseada apenas em rumores sobre um conflito físico no ponto de ônibus. O objetivo era anular a penalidade para forçar o pagamento das verbas rescisórias completas.
A defesa argumentou que a empresa não possuía provas concretas da briga corporal com o colega. A estratégia jurídica focava em descaracterizar a gravidade do evento externo para recuperar os direitos trabalhistas suprimidos.
A empresa precisa provar a agressão física para demitir?
A organização sustentou que o motivo central da rescisão não foi isoladamente o evento no ponto de ônibus, mas a reação posterior do empregado. A defesa comprovou que houve um ato de desrespeito grave cometido logo após o incidente externo.
Mesmo que a briga tenha ocorrido fora dos portões, o desdobramento do conflito invadiu o ambiente corporativo. O comportamento agressivo trazido para dentro da empresa validou a decisão do empregador.
Quais valores e direitos o trabalhador perde na demissão?
A disputa judicial visava não apenas limpar o nome do profissional, mas recuperar uma quantia financeira significativa. Ao manter a justa causa, o trabalhador deixa de receber as verbas que teria direito em uma dispensa imotivada.
Caso a reversão tivesse ocorrido, a empresa seria condenada a pagar, com juros e correção monetária, os seguintes benefícios:
- Aviso prévio indenizado: Valor correspondente a 30 dias ou proporcional ao tempo de serviço
- Multa de 40% do FGTS: Incidente sobre todo o saldo depositado durante o contrato
- Seguro-desemprego: Liberação das guias para recebimento de 3 a 5 parcelas do benefício
- Saque do FGTS: Acesso integral ao fundo de garantia retido na conta vinculada
No vídeo a seguir, o advogado @alexandreferreira_adv, que soma mais de 1,7 milhão de seguidores, explica as implicações da demissão por justa causa em casos de ofensas no ambiente de trabalho, alertando sobre os riscos de comportamentos inadequados e os direitos envolvidos nessa situação:
@alexandreferreira_adv Você pode ser demitido por justa causa por xingar um colega de trabalho? Depende da gravidade da situação, do contexto da discussão e do seu histórico disciplinar dentro da empresa. A justa causa exige prova clara de que houve ofensa grave que quebrou a confiança necessária na relação de trabalho. Antes da justa causa, a empresa costuma aplicar advertência ou suspensão, salvo quando o comportamento é extremamente ofensivo ou agressivo. Houve ameaça, agressão física ou repetição do comportamento? #advogado #trabalho #trabalhador
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Xingar o gerente após briga externa gera demissão imediata?
Ao chamar o superior hierárquico de “inoperante” durante a discussão, o colaborador quebrou o dever essencial de respeito e subordinação. O juiz entendeu que esse insulto conectou o conflito externo diretamente ao contrato de trabalho, permitindo a punição.
Embora a vida privada seja preservada, a falta grave se consolidou no momento em que a desavença da rua contaminou a rotina da empresa. A liberdade de expressão fora do horário não protege agressões verbais contra a chefia que afetam a honra ou a ordem interna.

É preciso receber advertência antes da punição máxima?
A sentença destacou que não é obrigatório existir um histórico de advertências ou suspensões anteriores. Quando a gravidade de um único ato torna impossível a continuidade da relação, a demissão imediata é autorizada pela CLT.
Para validar essa decisão drástica, a justiça analisou três critérios jurídicos fundamentais que conectam o fato à punição:
Como evitar riscos legais em conflitos com colegas?
Para os trabalhadores, fica o alerta de que o respeito à hierarquia deve ser mantido independentemente de desavenças pessoais. Para as empresas, o caso reforça a importância de documentar os motivos da demissão e recolher provas testemunhais robustas.
Revisar o código de conduta e manter o equilíbrio emocional é vital para proteger a carreira e o patrimônio. O ambiente de trabalho exige profissionalismo mesmo em situações de estresse elevado, dentro ou fora da companhia.