O Grande Canal da China é apontado por pesquisadores como o canal artificial mais longo e antigo do mundo. Com quase 1.800 quilômetros de extensão, essa via de água atravessa regiões densamente povoadas e marcou a formação política, econômica e cultural do território chinês ao longo de muitos séculos, integrando norte e sul e permanecendo relevante como referência histórica e de infraestrutura.
Como surgiu o Grande Canal da China?
A origem do Grande Canal resulta da união de diferentes trechos construídos em épocas variadas, depois articulados em um sistema contínuo. A parte mais antiga, entre o rio Amarelo e o rio Yangzi, é citada em textos atribuídos a Confúcio, indicando obras por volta de 486 a.C., enquanto a porção sul, entre o Yangzi e Hancheu, teria sido aberta no início do século VII a.C.
O ponto de virada ocorreu no governo da dinastia Sui, quando o imperador Yang Guang transferiu a capital para Luoyang, em 604, e ordenou, em 605, a escavação de um grande canal ligando Pequim a Hancheu. Em cerca de seis anos, antigos canais foram interconectados, trechos novos foram abertos e consolidou-se uma rota contínua entre o norte político e o sul econômico do império.
Quais são a extensão, rotas e características do Grande Canal da China?
O Grande Canal Jing-Han possui cerca de 1.794 quilômetros de extensão e atravessa zonas rurais, cidades históricas e áreas industriais, apresentando características distintas em cada trecho. Ao unir o rio Amarelo ao Haihe, ao Huai, ao Yangzi e ao Qiantangjiang, liga a região de Pequim ao sul de Hancheu, cruzando municípios e províncias como Tianjin, Hebei, Shandong, Jiangsu e Zhejiang.
No sul, após Hancheu, o canal contorna o lago Tai e segue para Sucheu, onde é ladeado por pontes de pedra e arcos em forma de pagodas. Na zona central, alimentada pelo rio Yangzi e marcada por lagos ao redor, a correnteza é mais forte e há diferença de altitude entre as margens, chamadas Shanghe (“em cima do rio”) e Xiahe (“debaixo do rio”), enquanto no norte o leito se alarga desde o antigo curso do rio Amarelo até Tianjin, cruzando lagoas como o lago Zhouyang, em Shandong. Veja as características da obra:
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Extensão | • Aproximadamente 1.800 km |
| Antiguidade | • Iniciado no século V a.C.• Considerado o canal mais antigo do mundo ainda em uso |
| Conexão geográfica | • Liga o norte ao sul da China• Conecta Pequim a Hangzhou |
| Função histórica | • Transporte de grãos e suprimentos• Integração política e econômica do império |
| Importância econômica | • Fundamental para o comércio interno• Apoio à agricultura e logística |
| Engenharia | • Sistema de canais, rios, lagos e eclusas• Adaptação a diferentes relevos |
| Patrimônio cultural | • Reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO |
| Uso atual | • Navegação, turismo e preservação histórica |
Qual é a importância histórica do Grande Canal da China?
A importância histórica do Grande Canal está associada à unificação territorial e ao fortalecimento do poder central, ao permitir o transporte de grãos das áreas férteis do sul para as regiões mais secas e politicamente sensíveis do norte. Essa logística fluvial reduziu riscos de desabastecimento em centros administrativos e militares, servindo também para deslocar tropas, tributos e mensagens oficiais.
O canal contribuiu ainda para a integração social, ao reunir trabalhadores do norte e do sul e aproximar dialetos, costumes e práticas comerciais. Com o tempo, a parte norte perdeu relevância por problemas estruturais e assoreamento ligado ao rio Amarelo, mas os trechos sul e central mantêm uso para transporte regional, turismo e preservação histórica, influenciando a formação de cidades e rotas comerciais internas. Veja os detalhes da obra:
- Integração territorial: conectou o norte e o sul da China, unificando regiões com culturas e economias distintas.
- Base do poder imperial: garantiu o abastecimento de grãos para capitais e exércitos, sustentando dinastias por séculos.
- Desenvolvimento econômico: impulsionou o comércio interno e a circulação de mercadorias em larga escala.
- Avanço da engenharia: é uma das maiores obras hidráulicas da história, com técnicas inovadoras para sua época.
- Patrimônio cultural: símbolo da civilização chinesa e reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO.
Como o Grande Canal da China é usado hoje e quais são seus desafios?
No século XXI, o Grande Canal é reconhecido como patrimônio cultural de valor mundial, ligado à memória da China imperial e à evolução das grandes obras de infraestrutura. Várias cidades revitalizaram trechos com foco em turismo, lazer e educação histórica, preservando arquitetura tradicional, pontes de pedra e antigas instalações portuárias.
Os desafios atuais concentram-se na preservação ambiental, no controle do assoreamento e na convivência entre áreas históricas e zonas industriais, exigindo dragagem, combate à poluição e gestão integrada dos rios conectados ao canal. Projetos de restauração procuram equilibrar uso econômico e preservação cultural, num contexto em que rodovias, ferrovias de alta velocidade e novas hidrovias competem com essa antiga rota fluvial. Veja imagens da grande obra divulgadas no vídeo da produtora Ana Antar, via Instagram:
FAQ sobre o Grande Canal da China
- O Grande Canal da China é visível do espaço? Não há consenso científico de que o canal possa ser identificado a olho nu do espaço. Imagens de satélite registram seu traçado, mas exigem instrumentos de observação específicos.
- Quanto tempo levava uma viagem completa pelo Grande Canal? Em períodos imperiais, uma viagem de ponta a ponta podia durar semanas, dependendo da estação do ano, da força das correntes e do tipo de embarcação.
- Todo o Grande Canal ainda é navegável? Não. Alguns trechos foram abandonados ou assoreados, enquanto outros passaram por adaptações. As partes sul e central concentram a maior parte da navegação atual.
- O Grande Canal ainda é usado para transporte de cargas? Sim. Em determinadas regiões, o canal continua sendo utilizado para transporte de mercadorias regionais, embora em escala menor em comparação com o passado.