A decisão da Argentina de investir até US$ 100 milhões (cerca de R$ 532 milhões) na Rota Bioceânica recoloca o corredor rodoviário no centro da estratégia logística da América do Sul, ao conectar o Atlântico ao Pacífico via Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, encurtando caminhos até a Ásia e reduzindo custos logísticos em até 30%, segundo estimativas oficiais, em um cenário de disputa por mercados e cadeias de suprimento mais enxutas.
Como foi o financiamento da Argentina para a Rota Bioceânica?
O financiamento foi viabilizado por um empréstimo junto ao Fonplata, autorizado pela Câmara de Deputados da província de Salta em 2025 e formalizado pelo Decreto nº 22/2026. Com esse aporte, o governo argentino acelera trechos críticos no norte do país, ainda com segmentos sem pavimentação e limitações de segurança para cargas pesadas.
Além da pavimentação, o pacote prioriza recuperação estrutural e melhoria de segurança viária, com foco na previsibilidade das viagens de caminhões. A Ruta Provincial 54, entre Pozo Hondo e Misión La Paz, terá 147 quilômetros contemplados, incluindo 28 quilômetros ainda não asfaltados, eliminando um gargalo que encarece fretes e aumenta o desgaste de veículos.
Como a Rota Bioceânica reduz custos logísticos e tempo de viagem?
A Rota Bioceânica, com mais de 2.400 quilômetros, conecta áreas produtoras do interior do Mercosul a portos chilenos no Pacífico, criando alternativa terrestre ao trajeto marítimo via Canal do Panamá. Ao encurtar distâncias, o corredor pode reduzir o tempo de viagem em até 15 dias para embarques rumo à Ásia, sobretudo de grãos, carnes e minérios.
Com pistas adequadas, acostamentos modernizados e traçado ajustado para cargas pesadas, aumenta-se a confiabilidade do transporte rodoviário internacional. Isso beneficia empresas de transporte, exportadores e operadores logísticos, que passam a operar com menores riscos de atrasos, menores custos de manutenção e maior previsibilidade de entrega. Veja os benefícios do projeto:
| Aspecto | Impacto da Rota Bioceânica |
|---|---|
| Distância reduzida | Encurta trajetos entre Brasil, Paraguai e Chile, evitando rotas marítimas longas. |
| Tempo de transporte | Diminui significativamente o tempo de viagem de cargas, acelerando entregas. |
| Custos com frete | Reduz gastos com combustível e pedágios devido a trajetos mais curtos. |
| Infraestrutura multimodal | Combina rodovias e ferrovias, otimizando o fluxo e evitando atrasos. |
| Acesso a portos | Facilita exportação direta pelo Pacífico, reduzindo custos portuários e aduaneiros. |
| Segurança logística | Rotas terrestres mais estáveis diminuem riscos de acidentes e extravios. |
Como a integração fronteiriça agiliza o acesso aos mercados asiáticos?
Além das obras físicas, o plano argentino inclui modernização de processos aduaneiros e integração digital entre órgãos de fronteira. Parte dos recursos será destinada à instalação de um complexo de controle integrado, conectado ao sistema aduaneiro do Paraguai, reduzindo filas, burocracia e tempo de permanência de caminhões nas fronteiras.
Esse modelo de controle compartilhado, inspirado em corredores da Europa e da Ásia, permite análise antecipada de dados de cargas e veículos. Assim, a fronteira deixa de ser ponto de espera prolongada e passa a operar com maior fluidez, fortalecendo a interdependência entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e estimulando acordos de harmonização regulatória. Veja os detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo canal Horizon Geo no TikTok:
@horizongeo Conheça o projeto que vai conectar a América do sul: a Rota Bioceânica. #mapas #geografia #transporte #brasil #americadosul ♬ som original – Horizon Geo
Qual a relação desse projeto com o Canal do Panamá?
Especialistas veem a Rota Bioceânica Mercosul–Pacífico como alternativa complementar ao Canal do Panamá, especialmente em períodos de congestionamento ou restrições de calado. Determinadas cadeias produtivas, que exigem prazos menores ou maior flexibilidade, podem se beneficiar do caminho terrestre e de novos hubs portuários no norte do Chile.
O potencial de redução de até 30% nos custos logísticos está associado a uma combinação de fatores operacionais e de infraestrutura, que tornam o corredor mais competitivo para exportações ao mercado asiático:
- Encurtamento do trajeto entre centros produtores do interior e portos do Pacífico.
- Diminuição de atrasos em fronteiras por meio de controles integrados e sistemas digitais.
- Melhorias na infraestrutura, reduzindo consumo de combustível, tempo de viagem e manutenção.
- Estímulo a terminais logísticos, armazéns e serviços privados de apoio ao transporte internacional.
FAQ sobre a Rota Bioceânica
- A Rota Bioceânica será usada apenas para cargas? A prioridade é o transporte de cargas, mas o corredor também pode ser utilizado por veículos de passageiros, conforme a regulamentação viária de cada país.
- Quais setores econômicos tendem a usar mais a Rota Bioceânica? Agropecuária, mineração, indústria de alimentos processados e bens manufaturados de exportação estão entre os principais usuários esperados.
- O investimento de US$ 100 milhões é suficiente para concluir toda a rota? Esse aporte é voltado sobretudo à parte argentina do corredor e não cobre a totalidade das obras em todos os países, que dependem de planos próprios de investimento.
- A rota poderá atrair novos investimentos privados? A melhoria da infraestrutura e da previsibilidade logística tende a estimular projetos privados em terminais de carga, centros de distribuição e serviços de apoio ao transporte internacional.