O desaparecimento e o resgate de um jovem no Pico Paraná, uma das montanhas mais conhecidas do Brasil, chamaram a atenção de praticantes de trilha e de quem acompanha notícias de viagens e aventura, reacendendo o debate sobre segurança em alta montanha, preparo físico e planejamento de trilhas, especialmente em períodos de grande movimento, como o Ano-Novo.
Como ocorreu o desaparecimento no Pico Paraná?
Segundo o Corpo de Bombeiros do Paraná, Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, iniciou a subida ao Pico Paraná na tarde de 31 de dezembro, em Campina Grande do Sul. Ele estava acompanhado da amiga Thayane Smith e de outras pessoas que pretendiam passar a virada do ano acampados na montanha.
O grupo chegou ao cume por volta das 4h da manhã do dia 1º, após um trajeto exigente, em que Roberto teria passado mal e vomitado em alguns trechos. Na descida, o grupo se separou em determinado ponto da trilha; Thayane afirmou que deixou o jovem em um trecho que considerou seguro, mas o segundo grupo que vinha atrás já não o encontrou, e ele não foi mais visto. Veja o vídeo feito pelo jovem (reprodução/X/@Marciorj25):
Grande notícia, que alívio ver o Roberto bem. Que pesadelo esse jovem passou no Pico Paraná. Espero que ele processe aquela canalha por larga-lo na merda em meio a um lugar perigoso. Acabou esse pesadelo!!! pic.twitter.com/69SuraI6Os
— Marcinho 🏆🏆🏆 (@Marciorj25) January 5, 2026
Como o jovem foi encontrado com vida após dias desaparecido?
Na tarde de 1º de janeiro, os bombeiros foram acionados e iniciaram buscas no Pico Paraná, com uso de aeronaves com câmeras térmicas, voluntários e drone com sensor infravermelho. As ações seguiram por dias, enquanto familiares e amigos divulgavam informações nas redes sociais em busca de pistas sobre o paradeiro de Roberto.
Na manhã de 5 de janeiro, após quatro dias desaparecido, o tenente-coronel Ícaro Gabriel informou que Roberto chegou sozinho até a base da montanha, em uma fazenda na região de Antonina Cacatu, após caminhar cerca de 20 quilômetros em área de mata. Ele foi encontrado consciente, encaminhado ao hospital, e a família confirmou nas redes sociais que o jovem estava bem, embora detalhes de como sobreviveu ainda não tenham sido esclarecidos.
Qual é o papel da amiga e o que se sabe da investigação do caso?
A amiga que acompanhava Roberto na trilha, Thayane Smith, tornou-se central na narrativa do desaparecimento ao registrar vídeos e fotos desde o ônibus até o cume. Em uma das gravações, já no dia 1º, ela relatou o cansaço do grupo e a extensão do percurso, que teria levado mais tempo do que o informado inicialmente.
Após o desaparecimento, Thayane declarou que só contará “a história completa” depois do fim das buscas e prestou depoimento à Polícia Civil do Paraná. A corporação segue tratando o episódio oficialmente como desaparecimento, sem indícios formais de crime, enquanto ouve familiares, trilheiros e demais envolvidos na subida e descida da montanha.
Quais lições de segurança o caso no Pico Paraná reforça?
O episódio reacende discussões entre praticantes de trekking e montanhismo sobre planejamento, preparo físico e responsabilidade em grupo, especialmente em montanhas populares que podem passar falsa sensação de segurança. Mesmo sem relatório oficial completo, especialistas em atividades ao ar livre destacam cuidados básicos para quem pretende encarar o Pico Paraná ou outras montanhas de grande altitude.
Entre as principais orientações, estão recomendações que ajudam a reduzir riscos, sobretudo para pessoas com pouca experiência ou em grupos numerosos:
- Planejamento prévio do trajeto, com estudo de mapas, tempo médio de subida e descida e pontos de apoio.
- Avaliação do condicionamento físico de todos os integrantes, ajustando ritmo e horário de saída.
- Manter o grupo unido, evitando deixar alguém sozinho em trechos mais isolados ou de difícil navegação.
- Equipamentos de segurança, como lanterna, agasalho extra, água, alimentos leves e itens de comunicação.
- Monitoramento do clima, especialmente em regiões de serra, onde neblina e chuva surgem rapidamente.
FAQ sobre desaparecimento de jovem no Pico Paraná
- O Pico Paraná é indicado para iniciantes? Geralmente, a trilha é classificada como exigente, recomendada para pessoas com bom preparo físico e, preferencialmente, experiência em caminhadas longas e terreno íngreme.
- Quanto tempo leva, em média, para subir o Pico Paraná? O tempo médio varia conforme o ritmo do grupo, ficando entre 6 e 9 horas de subida, podendo aumentar com paradas, clima adverso ou excesso de carga.
- É obrigatório contratar guia para o Pico Paraná? A contratação de guia não é obrigatória, mas é amplamente recomendada para pessoas sem experiência em alta montanha ou que não conhecem a região.
- Quais equipamentos são considerados básicos para essa trilha? São apontados como essenciais mochila adequada, capa de chuva, roupa térmica, lanterna, alimentação leve, água, calçado próprio para trilha e, quando possível, meios de comunicação de emergência.