A decisão recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a venda de determinados lotes de fórmulas infantis chamou a atenção de pais, responsáveis e profissionais de saúde em todo o país. A medida está relacionada ao risco de contaminação por uma toxina específica, o que levou também a um recall global por parte da fabricante. O tema envolve segurança alimentar, proteção à saúde de bebês, papel dos órgãos reguladores e a necessidade de comunicação clara em situações de risco.
O que motivou a proibição de lotes de fórmula infantil pela Anvisa?
A Anvisa publicou uma resolução em janeiro de 2026 determinando a proibição da comercialização, distribuição e uso de alguns lotes de fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, produzidas pela Nestlé Brasil Ltda. A decisão foi baseada na identificação de risco de contaminação por cereulide, toxina ligada à bactéria Bacillus cereus.
Segundo as informações divulgadas, a possível contaminação estaria associada a um ingrediente de óleos fornecido por um fornecedor global e utilizado em uma fábrica na Holanda. A partir dessa identificação, investigações internas e a comunicação com autoridades levaram a um processo de recolhimento voluntário em vários países, como medida preventiva de proteção à saúde infantil.
Quais sintomas a fórmula infantil contaminada por cereulide pode causar?
O consumo de fórmula infantil contaminada com cereulide pode provocar sinais gastrointestinais e sintomas gerais que costumam aparecer em curto espaço de tempo após a ingestão. Em bebês e crianças pequenas, esses sinais exigem atenção redobrada, pois a desidratação pode se instalar rapidamente.
- Vômito persistente, em repetidos episódios ao longo de poucas horas;
- Diarreia, com mudança na consistência e aumento da frequência das fezes;
- Letargia, com sonolência excessiva e lentidão nos movimentos e nas respostas;
- Dificuldade de reagir a estímulos e de expressar emoções de forma habitual.
Em situações de suspeita de ingestão de fórmula infantil potencialmente contaminada, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Sempre que possível, recomenda-se levar a embalagem ou uma amostra do produto para auxiliar na avaliação clínica e na investigação de possíveis surtos.
Como pais e responsáveis podem verificar as fórmulas infantis em casa?
Uma das principais recomendações é conferir o número do lote das latas ou embalagens de fórmula infantil que estejam em uso ou armazenadas. Esses códigos costumam estar impressos na parte inferior da lata ou próximos à data de validade, permitindo identificar se o produto está incluído na lista de itens recolhidos.
- Localizar a embalagem de fórmula infantil (Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive ou Alfamino).
- Encontrar o número de lote impresso no rótulo ou na base da lata.
- Comparar esse número com a relação de lotes recolhidos, divulgada pela empresa e por comunicados oficiais.
- Separar e não oferecer a fórmula em caso de correspondência com os lotes afetados.
- Guardar a embalagem para eventual troca, devolução ou análise.
Os lotes que não constam na lista de recolhimento não foram apontados como afetados, mas a checagem rotineira continua importante. É recomendável observar a integridade da embalagem, a data de validade e seguir rigorosamente as orientações de preparo e armazenamento descritas pelo fabricante e pelo pediatra.
Quais orientações estão sendo dadas para trocas e atendimento à saúde?
Para lidar com os produtos incluídos no recall de fórmula infantil, a orientação é entrar diretamente em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé Brasil, cujo número e canais oficiais constam nas embalagens. Por meio desse atendimento, pais e responsáveis podem receber instruções sobre procedimentos de troca, devolução ou ressarcimento, em conformidade com a legislação brasileira.
No campo da saúde, recomenda-se que qualquer criança com sintomas compatíveis após uso de fórmulas dos lotes indicados seja levada a um serviço médico. Informar qual alimento foi ingerido, em que quantidade e em que período, além de apresentar o rótulo ou uma amostra da embalagem, auxilia na avaliação clínica, na notificação às autoridades e em eventuais investigações epidemiológicas.
Quais medidas preventivas reforçam a vigilância em fórmulas infantis?
A situação evidencia a relevância de sistemas robustos de vigilância sanitária, controle de qualidade na cadeia produtiva e comunicação transparente entre indústria, órgãos reguladores e consumidores. A suspensão de lotes e o recolhimento voluntário são medidas preventivas, adotadas para reduzir riscos à saúde mesmo antes de um grande número de casos confirmados.
Para famílias que dependem de fórmulas lácteas na alimentação diária de bebês, seguem centrais a checagem de lotes, o contato com canais oficiais e o acompanhamento pediátrico regular. Em paralelo, reforça-se a necessidade de aprimorar processos industriais, monitorar ingredientes críticos e garantir resposta rápida a qualquer suspeita de contaminação em alimentos destinados ao público infantil.