No cenário jurídico brasileiro, o testamento se estabelece como um mecanismo vital para determinar a distribuição dos bens de uma pessoa após seu falecimento. Apesar de sua importância, a prática de criar testamentos é menos comum no Brasil em comparação a países como os Estados Unidos. Entre os principais motivos estão o tabu associado à morte, a burocracia envolvida no processo e a percepção de que apenas pessoas com alto patrimônio precisam de um.
As mudanças propostas no novo Código Civil buscam incentivar o uso desse instrumento, flexibilizando certas regras, como a possibilidade de deserdar herdeiros em casos de ofensa ou abandono e a permissão para que cônjuges e companheiros sejam explícita e diretamente beneficiados no testamento.
Quais são as novas propostas do Código Civil?
O projeto de lei que atualiza o Código Civil brasileiro vem recebendo atenção especial. Essa proposta, se aprovada, introduziria significativos ajustes nas regras atuais. Entre as mudanças está a retirada do cônjuge da lista de herdeiros necessários, obrigando que sua inclusão no testamento seja explicitamente desejada. Esta alteração permitiria uma escolha mais personalizada e consciente por parte do testador.
Além disso, o projeto visa simplificar o processo de deserdar um herdeiro em situações de abandono ou ofensa, conferindo mais autonomia ao testador. Essa flexibilização pode aumentar a adesão ao uso do testamento, assegurando que as vontades do falecido sejam cumpridas de maneira mais fiel.
Outras inovações discutidas incluem a digitalização de registros testamentários, tornando a elaboração e o armazenamento de testamentos mais acessível e segura. A facilitação do testamento eletrônico, por exemplo, já é debatida como tendência global e pode acelerar sua adoção também no Brasil.
Por que a utilização de testamentos ainda é baixa no Brasil?
Existem diversos fatores que explicam a baixa adesão ao testamento no Brasil. Primeiramente, a questão cultural e o tabu em discutir a morte ainda prevalecem fortemente, dificultando planos sucessórios. Em segundo lugar, muitas pessoas acreditam que seu patrimônio não é suficiente para justificar a elaboração de um testamento, optando frequentemente por deixar a partilha de bens para o processo natural de inventário.
Outro fator relevante é a burocracia e o custo envolvidos no processo de formalização do testamento. Apesar das vantagens claras em ter um documento que auxilia na pacífica distribuição dos bens, a falta de familiaridade com o processo e a desinformação ainda afastam muitos brasileiros dessa prática.
Vale ressaltar, ainda, que muitos desconhecem que existem diferentes tipos de testamento, como o particular, o público e o cerrado, cada qual com requisitos próprios, o que pode se adaptar às necessidades específicas de cada família.

Qual o impacto das mudanças no planejamento sucessório?
Se as propostas do novo Código Civil forem aprovadas, espera-se que o impacto seja imediato e substancial. As mudanças nas leis podem estimular um aumento na busca por testamentos e por outros mecanismos de planejamento sucessório, como a criação de holdings familiares. Tais estruturas ajudam a otimizar a gestão dos bens, minimizando tributações e evitando conflitos familiares futuros.
Além disso, o planejamento sucessório pode ganhar mais espaço devido a outras reformas, como a tributária, que propõe a taxação do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, incentivando uma organização antecipada do patrimônio.
Uma das propostas de reforma do Código Civil é a redução da legítima, diminuindo a parte da herança reservada aos herdeiros necessários de 50% para 25%, o que aumentaria a liberdade do testador sobre a disposição de seus bens.
O futuro do testamento no Brasil
O avanço das discussões sobre o novo Código Civil sugere um cenário onde o testamento se converte em um documento ainda mais valorizado. Este instrumento tem potencial para tornar débitos e direitos mais transparentes, reduzindo disputas familiares e agilizando o processo de inventário.
A possibilidade de registros digitais e flexibilização nas regras de deserdamento sinalizam uma modernização significativa nos procedimentos legais no Brasil. Dessa forma, o testamento pode finalmente se consolidar como uma opção viável e acessível para todas as camadas sociais, promovendo um legado mais alinhado com as expectativas do falecido.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Testamentos no Brasil
Quem pode fazer um testamento no Brasil?
Qualquer pessoa maior de 16 anos e em pleno gozo de suas faculdades mentais pode realizar um testamento, conforme previsto no Código Civil.
Quais são os principais tipos de testamento reconhecidos?
Testamento público, testamento particular e testamento cerrado. Cada um exige procedimentos específicos quanto à elaboração e à formalização.
Posso revogar ou alterar meu testamento depois de pronto?
Sim, o testamento pode ser alterado ou revogado a qualquer momento enquanto o testador estiver vivo e capaz.
O testamento pode ser feito digitalmente?
Ainda não é uma realidade ampla no Brasil, mas propostas de lei e discussões recentes apontam para uma possível aceitação do testamento eletrônico no futuro próximo.
É obrigatório registrar o testamento em cartório?
O testamento público precisa obrigatoriamente ser lavrado em cartório. O testamento particular pode ser escrito sem cartório, mas recomenda-se testemunhas para validade jurídica.
O que acontece se alguém morrer sem testamento?
Nesse caso, a partilha de bens segue a ordem de vocação hereditária prevista no Código Civil, com a divisão entre os herdeiros necessários.
Como as novas leis podem afetar quem já tem testamento feito?
Se aprovadas, as mudanças podem afetar apenas os testamentos feitos após a vigência das novas leis, mas é importante procurar orientação jurídica para cada caso.