No coração de Atenas, um testemunho da engenhosidade romana está pronto para ressurgir como uma solução inovadora para a crise hídrica contemporânea. O Aqueduto de Adriano, uma joia da engenharia do século 2 d.C., foi originalmente edificado sob o comando do Imperador Adriano. Durante mais de 1.300 anos, até ser abandonado no século 15, ele garantiu o abastecimento de água tanto para os grandiosos banhos públicos da cidade quanto para outras necessidades cotidianas.
A história deste aqueduto é rica em altos e baixos. Desde o seu abandono durante a ocupação otomana até tentativas frustradas de reativação no século 19 e seu subsequente desuso nas décadas de 1920, o aqueduto de 24 quilômetros permaneceu uma relíquia parcialmente esquecida sob os pés dos atenienses. Mesmo incomodado pelo crescente sistema de metrô local, que afetou parte de sua estrutura, o canal subterrâneo manteve-se silencioso, com sua água continuando o caminho despercebido em direção ao mar.
Por que ressuscitar o Aqueduto de Adriano?

Com a intensificação das crises hídricas causadas pelas severas mudanças climáticas, a necessidade de soluções sustentáveis se tornou urgente. A Grécia tem encarado longos períodos de seca, agravados pelo turismo crescente e incêndios florestais frequentes, que sobrecarregam ainda mais o sistema hídrico da região. Assim, ressuscitar o Aqueduto de Adriano surge não apenas como uma prova da resiliência histórica, mas como um passo pragmático para o presente.
O foco principal desse projeto é redirecionar a água não potável transportada pelo aqueduto para usos alternativos, como na irrigação e limpeza urbana, viabilizando um recurso valioso para economizar a água potável destinada ao consumo humano. Ao canalizar essa água para áreas como o bairro de Halandri através de uma nova infraestrutura de 4 quilômetros, Atenas busca revitalizar a funcionalidade deste monumento histórico em prol da comunidade.
- Combate à seca: O principal objetivo é usar o aqueduto para fornecer uma fonte de água alternativa em um contexto de secas extremas e prolongadas. Ele serve para complementar o abastecimento principal e ajudar a aliviar a pressão sobre os vastos reservatórios de Atenas.
- Irrigação e espaços verdes: A água do aqueduto, mesmo que não seja potável em grande escala, pode ser utilizada para irrigar parques, jardins e outras áreas verdes. Isso é fundamental para combater o efeito de “ilha de calor” em uma das cidades mais densamente construídas da Europa, ajudando a reduzir as temperaturas.
- Conscientização: A iniciativa visa, além de fornecer água, criar uma cultura de conscientização sobre o uso da água e a importância da sustentabilidade. Ao utilizar uma estrutura tão antiga para um problema moderno, Atenas busca incentivar uma nova relação com a água e seus recursos.
- Reaproveitamento de patrimônio: O projeto de restauração é também uma forma de reavaliar e reutilizar o rico patrimônio cultural e histórico da cidade. O aqueduto é uma obra de engenharia notável que ficou “adormecida” por séculos, e sua reativação a coloca novamente a serviço dos cidadãos.
- Inspiração para outras cidades: Atenas está colaborando com outras cidades europeias em um projeto chamado Hydro-heritage Cities. A ideia é que a recuperação do aqueduto de Adriano sirva de modelo para outras comunidades que possuem estruturas históricas semelhantes, mostrando como o patrimônio cultural pode ser usado de forma inovadora para resolver problemas contemporâneos.
Quais os desafios e ambições do projeto de revitalização?
Embora essa iniciativa prometa uma economia de água modesta, na ordem de 1% do total consumido anualmente em Atenas, sua importância simbólica é indiscutível. A iniciativa visa não apenas aproveitar recursos históricos, mas também conscientizar a população sobre práticas sustentáveis de uso da água. A educação desempenha um papel crucial, com escolas locais estimulando a criatividade dos estudantes na criação de soluções de armazenamento hídrico.
O reconhecimento da importância deste projeto veio em 2023, quando ganhou um prestigiado prêmio de planejamento urbano. A sua execução serve de inspiração para outras nações, ressaltando a viabilidade de repropósitos semelhantes, como visto no caso de Portugal e em Roma, despertando o interesse de líderes locais para aderirem a soluções inovadoras e sustentáveis.
Quais as expectativas para o Aqueduto?
Tornar o aqueduto eficiente novamente requer uma combinação de infraestruturas antigas com sistemas modernos. O projeto tem como meta fornecer água a prédios públicos e, futuramente, residências, utilizando métodos que conectem locais distantes através de caminhões de abastecimento. Além disso, espera-se que o restauro atinja sete distritos da região, ampliando o seu impacto na redução do uso de água potável.
Embora as ações possam ser percebidas como pequenas, o potencial de impacto cultural e educativo que envolvem é substancial, sobretudo em um mundo que busca cada vez mais soluções práticas e sustentáveis para os desafios ambientais modernos. Esse tipo de iniciativa reforça a ideia de que o uso consciente dos recursos começa nas comunidades locais.

FAQ sobre o Aqueduto Romano
- Qual o objetivo principal desse projeto de revitalização? O objetivo principal do projeto de revitalização é criar uma solução sustentável para a gestão da água na bacia de Kifissos, restaurando o antigo Aqueduto de Adriano e usando-o como uma infraestrutura moderna. O projeto busca fornecer água potável para os bairros do norte de Atenas e também para uso na irrigação de áreas verdes.
- Por que o aqueduto foi abandonado no passado? O aqueduto foi abandonado porque a água da bacia do rio Kifissos foi considerada imprópria para consumo humano, levando à sua desativação.
- Como o projeto contribui para a sustentabilidade em Atenas? O projeto contribui para a sustentabilidade ao utilizar uma antiga estrutura romana para criar um sistema moderno de gestão de água, diminuindo a dependência da cidade de fontes externas e melhorando a qualidade de vida local. Além disso, a revitalização do aqueduto serve para preservar a história e a cultura da região.
- Quais são as metas futuras para o aqueduto? Conectar o Aqueduto de Adriano ao principal sistema de abastecimento de água de Atenas, o Lago Yliki. Tratar e usar a água pluvial e cinza para reabastecer o aqueduto e fornecer água para irrigação de parques e jardins. Criar um ecossistema sustentável no vale do Kifissos, com sistemas de coleta de água da chuva para uso local. Construir um parque linear de 26 quilômetros ao longo do caminho do aqueduto, oferecendo novas oportunidades de lazer para a comunidade.
A reintegração deste legado romano no cotidiano ateniense promete ser uma ponte entre o passado e o futuro, simbolizando uma jornada conjunta em direção à sustentabilidade.