Nesta quarta-feira (2/4), um pedido de prisão preventiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro foi arquivado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. A solicitação foi feita pela vereadora Liana Cirne, do Partido dos Trabalhadores (PT) de Recife, após Bolsonaro ter participado de um ato em favor da anistia aos presos do 8 de janeiro no Rio de Janeiro. O caso levantou discussões sobre os limites da liberdade de expressão e as implicações legais de manifestações políticas.
A vereadora Liana Cirne acusou Bolsonaro de obstrução de Justiça e incitação ao crime, alegando que ele incentivou a população a se manifestar nas ruas. No entanto, Gonet argumentou que as manifestações pacíficas em prol da anistia não configuram crime e estão dentro dos limites da liberdade de expressão garantida pela Constituição. Essa decisão trouxe à tona questões sobre a interpretação das leis em relação a atos políticos e a liberdade de expressão.
Como o STF se posicionou?

O Supremo Tribunal Federal (STF), através do ministro Alexandre de Moraes, havia dado um prazo para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse sobre o pedido de prisão preventiva. Moraes solicitou que a PGR analisasse se Bolsonaro cometeu delitos de obstrução de Justiça, incitação de crimes contra as instituições democráticas e coação no curso do processo. A resposta da PGR foi de que não havia elementos suficientes para justificar uma investigação criminal contra o ex-presidente.
Quais as investigações recentes sobre Bolsonaro?
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem conduzido diversas investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. As principais delas são:
- Tentativa de golpe de Estado e atos de 8 de janeiro:
- O STF investiga o papel de Bolsonaro na suposta tentativa de golpe de Estado e nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
- Em março, o STF marcou o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro, o general Braga Netto e outros investigados por essa trama golpista.
- A Primeira Turma do STF irá decidir se os acusados responderão a processo pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio.
- Fraude em cartões de vacinação:
- O STF investigou a suposta falsificação de cartões de vacinação contra a Covid-19.
- Em março, o ministro Alexandre de Moraes determinou o arquivamento da investigação contra Bolsonaro, atendendo a um pedido da PGR, que não encontrou provas suficientes para incriminá-lo.
- Outras investigações:
- Além dessas, o STF também tem analisado outros pedidos de investigação contra Bolsonaro, relacionados a supostas ameaças ao livre funcionamento do Judiciário e uso da máquina pública.
- Muitos desses pedidos foram remetidos à Justiça Federal ou à Justiça do Distrito Federal e Territórios, devido à perda do foro por prerrogativa de função de Bolsonaro.
O que motivou a notícia-crime contra Bolsonaro?
A notícia-crime contra Bolsonaro foi motivada por sua participação em um ato que pedia a anistia para os presos do 8 de janeiro. Esse evento gerou polêmica e levou a acusações de que Bolsonaro estaria incitando a população a desafiar as instituições democráticas. No entanto, a PGR considerou que as manifestações pacíficas, como as defendidas por Bolsonaro, não extrapolam os limites da liberdade de expressão, que é um direito constitucional.
Além do pedido feito por Liana Cirne, a PGR ainda precisa analisar uma solicitação semelhante feita por Duda Salabert, parlamentar do PDT-MG. Salabert também acionou a Justiça contra Bolsonaro, levantando questões semelhantes sobre suas ações e declarações públicas. Esses casos refletem um cenário político tenso, onde as ações de figuras públicas são constantemente escrutinadas e podem resultar em implicações legais.
Quais os impactos do arquivamento?
O arquivamento do pedido de prisão preventiva de Bolsonaro levanta importantes questões sobre a liberdade de expressão e o papel das manifestações políticas no Brasil. A decisão da PGR sugere que, enquanto as manifestações forem pacíficas e dentro dos limites legais, elas são uma forma legítima de expressão política. No entanto, o caso também destaca a necessidade de um equilíbrio cuidadoso entre a liberdade de expressão e a proteção das instituições democráticas.
Em um cenário político cada vez mais polarizado, é crucial que as autoridades judiciais e políticas naveguem cuidadosamente entre a proteção dos direitos individuais e a manutenção da ordem pública. O caso de Bolsonaro serve como um exemplo de como essas questões podem se desenrolar no contexto político atual do Brasil.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 2, 2025